quinta-feira, 30 de junho de 2016

COMO PREPARAR SORO CASEIRO

• Pegue um copo de 200 ml de água filtrada e fervida

• Dilua um punhado de açúcar

• E uma pitada de três dedos de sal



Misture e prove. O soro não deve ser nem mais doce e nem mais salgado que água-de-coco ou lágrima. Se você já tiver a colher de medida padrão, use-a desta forma:

A colher-medida está disponível em todos os Postos de Saúde. É importante ter uma em casa.


Ilustração retirada em:
http://www.saude.rj.gov.br/Guia_sus_cidadao/pg_29.shtml

quarta-feira, 29 de junho de 2016

POR TRÁS DESSES ÓCULOS

SXC Banco de Imagens.
SXC Banco de Imagens.



Está vendo todas as letras aí em cima direitinho? Caso não esteja, não precisa se assustar: um acessório que há muito faz parte do nosso cotidiano pode ajudá-lo nesta tarefa.

A história dos óculos remonta à era pré-cristã. Os primeiros registros de seu uso estão em textos do filósofo chinês Confúcio datados de 500 a. C. Então, os óculos não tinham graus e eram usados como enfeite ou como forma de distinção social.

Embora as propriedades ampliadoras de um pedaço de vidro curvo fossem conhecidas desde pelo menos 2.000 a. C., a fabricação de lentes só se torna possível na Idade Média, com o aperfeiçoamento feito pelo matemático árabe Al-Hazen das leis fundamentais da óptica – parte da física que estuda os fenômenos relativos à luz e à visão.

Nessa época, dentro dos mosteiros, berilo, quartzo e outras pedras preciosas são lapidadas e polidas a fim de produzir a chamada pedra-de-leitura, um tipo de lupa muito simples. Em 1267, o monge franciscano Roger Bacon leva uma dessas pedras-de-leitura ao papa Clemente IV e consegue demonstrar sua utilidade para aqueles que têm alguma dificuldade de visão.

Museo Dell
Museo Dell'Occhiale, Itália.
O primeiro par de lentes com graus unido por aros de ferro e rebites surge na Alemanha em 1270. Esses óculos primitivos não têm hastes e são ajustados apenas sobre o nariz. Pouco depois, modelos semelhantes ao alemão aparecem em várias cidades italianas.
Florença, Pádua e Veneza são importantes entrepostos comerciais durante a Renascença, o que leva a Itália a se destacar rapidamente na fabricação de óculos. São considerados pioneiros o frade dominicano Alessandro della Spina e o médico Savino degli Armati.

Fabricados por artesãos habilidosos, os óculos eram artigos raros e caros, que simbolizavam erudição, cultura, nobreza e status. Era costume, inclusive, constarem dos inventários das famílias e serem deixados como herança. Aos poucos, com a fabricação em maior escala em indústrias nascidas na Alemanha e na Itália, especialmente, o acessório se popularizou.

Inicialmente, os óculos eram usados apenas para leitura, melhorando a capacidade visual das pessoas com presbiopia e hipermetropia. Em 1441, surgem as primeiras lentes apropriadas às necessidades dos míopes. A solução para pessoas com astigmatismo só aparece um pouco mais tarde, em 1827.

 Museo Dell
Museo Dell'Occhiale, Itália.



Até o século XVI, os modelos disponíveis não tinham hastes fixas sobre as orelhas. Os óculos pince-nez eram ajustados somente sobre o nariz e os lorgnons traziam uma haste lateral onde o usuário o segurava para colocá-lo à frente dos olhos.



As hastes como as conhecemos hoje só aparecem no século XVII. Mesmo assim, pince-nez e lorgnons continuam a ser usados até o início do século XX, quando passam a ser preferidos pelos modelos numont, ou seja, com hastes leves, finas, perpendiculares às lentes e apoiadas sobre as orelhas.

O uso de plásticos e seus derivados na fabricação de armações a partir da década de 1940 abriram novas possibilidades de design aos óculos. Os precursores dos modelos que fazem sucesso hoje apareceram por volta de 1970: com aros grandes e coloridos transformaram-se nos modelos encontrados atualmente em rostos e lojas especializadas espalhados por aí.

Veja arte com modelos de diferentes séculos!


Fontes:

Arquivo Jornal da USP – A história dos óculos
Museu dos Óculos Gioconda Giannini

Imagens retiradas em:
CPTEC/Instituto Nacional de Ciências Espaciais
SXC Bando de Imagens
Museo Dell'Occhiale

terça-feira, 28 de junho de 2016

TIFO

Tifo epidêmico.Burundi, 2005(1)
Tifo epidêmico.Burundi, 2005(1)
O tifo epidêmico, popularmente chamado simplesmente de tifo, é uma doença epidêmica transmitida pelo piolho humano do corpo e causada pela bactéria Rickettsia prowazekii.


Atualmente, o termo tifo também pode designar uma série de doenças infecciosas agudas, causadas por rickettsias, caracterizadas por dores de cabeça, calafrio, febre, dor no corpo e nas articulações, manchas vermelhas e toxemia (substâncias tóxicas no sangue), que duram cerca de duas ou três semanas. O tifo não tem nenhuma relação com a febre tifóide, causada pelas Salmonellas. 


Epidemias da doença quase sempre estão relacionadas a fatores de ordem social, como falta de higiene e pobreza extrema, razão pela qual são comuns em períodos de guerra e escassez de água, campos de refugiados, prisões, campos de concentração e navios. Veja abaixo os principais tipos de tifo:
Campanha contra o tifo, Afeganistão, 1955-56(2)
Campanha contra o tifo, Afeganistão, 1955-56(2)


Tifo epidêmico (ou exantemático)

Causado pela bactéria Rickettsia prowazekii, ele é transmitido pelo piolho humano do corpo Pediculus humanus corporis ou, mais raramente, pelo piolho dos cabelos. A transmissão se dá quando o piolho excreta suas fezes, liberando bactérias que invadem o corpo humano através de feridas invisíveis na pele. Estes micro-organismos se reproduzem no interior de células endoteliais, que revestem os vasos sanguíneos, provocando inflamação. 


O tifo epidêmico foi durante muito tempo uma causa importante de epidemias mortíferas na Europa e Ásia. Focos da doença existem hoje em muitos países da Ásia, África, regiões montanhosas do México, e América do Sul e Central. No Brasil, esta forma de tifo ainda não foi descrita.


O tempo de incubação do tifo exantemático varia de 1 a 2 semanas, mas, na maior parte dos casos, os sintomas ficam evidentes dentro de 12 dias. A febre alta costuma surgir após duas semanas e, dentro de quatro a sete dias, aparecem as manchas. A mortalidade da doença é de cerca de 10 a 40% dos casos não tratados, mas em pessoas maiores de 50 anos, essa taxa pode subir para 60%. O paciente deve ser medicado com antibióticos. Existe uma vacina, mas ela só é usada eventualmente.
Primeira vacinação contra o tifo(3)
Primeira vacinação contra o tifo(3)
Uma complicação decorrente do tifo exantemático é a doença de Brill-Zinsser, que pode ocorrer até anos mais tarde. A doença é consequência de rickettsias que se esconderam do sistema imune (de defesa do organismo) e que aproveitam períodos de baixa imunidade para se instalar.

Tifo murino (ou endêmico) – Os ratos são os principais vetores da doença causada pela bactéria Rickettsia mooseri. Assim como ocorre na peste, o tifo murino é transmitido para o homem quando há um grande número de roedores contaminados (epizootia), o que obriga a pulgaXenopsylla cheopis a buscar novos hospedeiros. A doença é comum em várias ilhas e zonas portuárias do mundo. No Brasil, ela já foi descrita nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

A evolução do tifo murino é essencialmente a mesma do exantemático, embora ele seja mais brando e apresente complicações menos frequentes. Como as demais infecções causadas por rickettsias, o tifo murino é tratado com antibióticos.

Para combater a doença, é necessário manter condições adequadas de higiene e controlar a proliferação de ratos.

Imagens:

(1) Foto: Salvadorjo/Wikipedia

(2) Foto: WHO/Marc Riboud

(3) Foto: Ottis Historical Archives. National Museum of Health and Medicine, USA.

(4) Foto: US National Archives & Record Administration
Campanha contra o tifo, EUA (4)
Campanha contra o tifo, EUA (4)





segunda-feira, 27 de junho de 2016

ROTAVÍRUS



Principal causa de diarreia até os cinco anos de idade, o rotavírus é responsável pela morte de cerca de 600 mil crianças por ano em todo o mundo, apesar do tratamento bastante simples, baseado na reidratação do paciente. 

Embora, quase todas as crianças sejam infectadas nos primeiros anos de vida, é até os dois anos de idade que costumam ocorrer os casos mais graves. Irene Araújo, bióloga que trabalha no Laboratório de Referência Regional para Rotaviroses da Fiocruz, explica que a preocupação é maior quando se trata de crianças carentes: “Muitas acabam morrendo devido à falta de informação dos pais sobre a doença e à dificuldade de acesso a atendimento médico”, lamenta.

Os vírus, segundo a pesquisadora, são eliminados em grande quantidade nas fezes do doente. A criança pode se infectar ao levar a mão suja à boca, por contato direto com pessoas, ou ainda por água, alimentos e objetos contaminados. E como existem vários tipos de rotavírus – um gênero de vírus com aspecto de roda que destrói células do intestino -, a criança pode desenvolver a doença mais de uma vez. No entanto, é realmente a primeira infecção que costuma ser a mais grave.

O adulto também pode contrair a rotavirose, mas normalmente desenvolve a forma branda da doença. “Afinal, todo mundo já teve contato com o rotavírus quando criança”, explica a bióloga. O número de casos, segundo ela, costuma ser maior no inverno porque o vírus se propaga mais facilmente no ambiente seco.


Sintomas, tratamento e prevenção

A infecção por rotavírus pode ser assintomática, ou seja, pode não causar sintomas. Mas, em geral, as manifestações costumam aparecer, em média, dentro de três dias, podendo variar de um quadro leve, com diarreia líquida e duração limitada, a um quadro grave com desidratação, febre, vômitos e cólicas. O tempo de duração dos sintomas geralmente é de uma semana. Se não tratada, a rotavirose pode levar à morte.

Para controlar a doença é recomendado ingerir bastante líquido – pode ser água, chá, água-de-coco, sucos ou isotônicos. Quanto mais, melhor! Irene Araújo alerta que medidas simples de combate à desidratação, como o uso de soro caseiro, reduzem drasticamente o número de mortes. A desidratação é o sintoma mais grave das infecções intestinais provocadas pelo rotavírus. Além de reduzir as reservas de água do corpo, ela reduz os níveis de minerais importantes, como sódio e potássio.

A pesquisadora da Fiocruz explica que prevenir a rotavirose entre crianças é difícil, mas é muito importante que os pais mantenham condições adequadas de higiene e, desde cedo, ensinem seus filhos a importância de lavar as mãos, principalmente, depois de ir ao banheiro, e antes das refeições. Um outro aspecto importante é a amamentação dos bebês até, pelo menos, os seis meses para fornecer à criança defesas não só contra o rotavírus, mas também contra outras doenças.

Em breve, estará disponível na rede pública de saúde uma vacina gratuita contra a rotavirose. Mas enquanto ela não chega, não se esqueça: em caso de diarreia, inicie imediatamente o soro caseiro e procure um médico. E não introduza nenhum medicamento sem o conhecimento do seu médico.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

DORMINDO ACORDADO!

Você já assistiu ao desenho animado “Scooby-Doo”? Lembra do Salsicha, aquele adolescente franzino e medroso responsável pelo Scooby? Em algumas cenas desse desenho, o Salsicha aparece falando, andando e até assaltando a geladeira enquanto está dormindo!
Ilustração: Barbara Mello
Ilustração: Barbara Mello

Pois é, algumas pessoas realmente fazem tudo isso enquanto dormem. Os distúrbios de interrupção do sono caracterizados por atividades físicas involuntárias, ou seja, desenvolvidas sem a intervenção consciente da pessoa, são conhecidos como parassonias.

Entre as parassonias mais comuns estão o sonambulismo, o solilóquio e o bruxismo. Esses nomes complicados designam, respectivamente, as atividades de andar, falar e ranger os dentes enquanto se dorme. As pessoas que têm alguma parassonia parecem estar acordadas – muitas delas ficam, inclusive, com os olhos abertos, mas estão na verdade num estado misto de alerta e descanso.

Os sonâmbulos são capazes de sentar eretos sobre a cama, andar e mesmo realizar atividades complexas como, por exemplo, dirigir um carro, enquanto estão dormindo. Embora alertas o suficiente para estarem ativos, os sonâmbulos não estão conscientes de seus movimentos: por isso mesmo podem se machucar enquanto os realizam. Trancar janelas e portas e mantê-los longe de objetos cortantes ou escadas são alguns cuidados necessários à precaução de acidentes.

Já falar dormindo é inofensivo. Ou quase: vai que você conta aquele segredo?! Pessoas que falam enquanto dormem podem tanto gritar de repente uma ou outra palavra durante a noite, como narrar toda uma história, sem que isso perturbe seu sono. Quando a fala acontece durante as primeiras fases do sono, costuma ser compreensível. Mas, ao acontecer durante o sono profundo, é completamente desarticulada.

O bruxismo é geralmente percebido pelos dentistas, pois causa o desgaste do esmalte que cobre os dentes. Quem sofre de bruxismo pode também apresentar dores de cabeça e feridas na boca.


Acordar uma pessoa durante a manifestação de parassonia não é uma boa ideia. A tentativa pode fracassar e ter mesmo o efeito contrário ao pretendido: ao invés de interromper a manifestação, pode prolongá-la. Além disso, caso se consiga realmente acordar a pessoa, ela pode ficar confusa ou reagir com violência. O melhor a fazer em um caso destes é conduzir calmamente a pessoa de volta à cama ou a algum lugar tranquilo onde ela possa se deitar.

Além destes, existem outros distúrbios do sono. Você sabia que o ronco é um deles? O ronco nada mais é do que a vibração dos tecidos moles da garganta, localizadas principalmente entre o pálato – a "campainha" – e a língua. Comum em pessoas que estão acima do peso ideal, o ronco tende a piorar com a idade. Insônia e pesadelos são outros exemplos.

É necessário procurar um médico quando estas interrupções do sono prejudicam a rotina da família, não deixando que um ou mais membros tenham uma noite tranquila de descanso, pois dormir é essencial para a nossa saúde!


Fontes:

Talk about Sleep

quinta-feira, 23 de junho de 2016

PARA VER MELHOR

SXC Banco de Imagens
SXC Banco de Imagens


Já parou para pensar como são formadas as imagens? Ou como funciona nosso sistema visual? Tudo o que enxergamos é fruto da tradução, feita pelo cérebro, dos estímulos luminosos que atingem os nossos olhos.

Ao ultrapassar a córnea e entrar pela pupila, a luz alcança o cristalino, projetando-se sobre a retina. Córnea, pupila, cristalino e retina são alguns dos elementos que compõem nosso sistema visual.

Aquela bolinha preta bem no meio da parte colorida do olho é a pupila: ao aumentar ou diminuir de tamanho, essa abertura na íris controla a entrada de luz. A córnea e o cristalino funcionam como lentes, desviando os raios luminosos em direção à retina. Já a retina é a superfície sobre a qual as imagens são formadas: nela existem células fotossensíveis capazes de reconhecer cores e movimentos e transformar as impressões causadas pela luz em impulsos eletroquímicos. À retina está ligado o nervo óptico, responsável por transportar os impulsos eletroquímicos para o cérebro, que interpretará a informação visual.

Para termos uma visão nítida, esse sofisticado sistema precisa funcionar de modo a focalizar a imagem sobre a retina. Quando essa regulagem, conhecida como acomodação, não acontece, temos dificuldade para enxergar.
Esquema elaborado a partir de original INPE.
Esquema elaborado a partir de original INPE.

As insuficiências visuais mais comuns são a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e a presbiopia.

Na miopia, o crescimento exagerado do globo ocular ou a pouca curvatura da córnea impedem a focalização da imagem sobre a retina. Já na hipermetropia, as imagens ficam desfocadas por ser o olho demasiado curto.

Uma deformação na córnea leva ao astigmatismo: arredondada no olho normal, essa lente é oval no olho astigmático. A diferença no formato faz com que os raios de luz sejam focalizados ao mesmo tempo em pontos variados da retina, levando a distorções visuais.

A presbiopia aparece depois dos 40 anos. Também conhecida como “vista cansada”, é uma tendência natural do envelhecimento. Com a idade e o uso, tanto o cristalino como a musculatura dos nossos olhos perdem elasticidade e flexibilidade, impedindo o processo de acomodação.

Para corrigir essas insuficiências visuais, usamos óculos capazes de compensar as deformações oculares. As lentes dos óculos auxiliam nossos olhos a focalizar a imagem sobre a retina e aí, míopes, hipermétropes, astigmáticos e presbiopes podem enxergar o mundo com mais clareza.

Fontes: Paulo Colonese, Rosicler Neves e Luis Victorino, físicos do Museu da Vida/COC/Fiocruz e Alexandre de Castro Silva, oftalmologista.


quarta-feira, 22 de junho de 2016

DOENÇAS DE INVERNO E COMO PREVINI-LAS

Por ser uma estação do ano muito fria, nós acabamos tendo atitudes que facilitam um maior contato com os vírus que nos fazem ficar doentes. Você já reparou que no verão nós ficamos mais tempo ao ar livre, e que no inverno nossa tendência é ficar num espaço quase que hermeticamente fechado, no qual a troca de ar acaba sendo muito pequena?


Mais janelas fechadas no inverno

Pois é, isso ajuda em muito para que sejamos contaminados. O ambiente fechado não permite que o ar seja renovado, retirando dele os vírus que outras pessoas carregam e depositam lá. Além disso, a queda de temperatura típica do inverno também contribui para a manifestação de certas doenças, assim como a troca de ambientes com diferenças de temperatura muito bruscas. 
Vírus Influenza, responsável pela gripe
írus Influenza, responsável pela gripe


Se o corpo já está com uma baixa imunidade, proteção, fica mais fácil o vírus se instalar e se desenvolver. No caso da gripe, ela se inicia como uma infecção respiratória causada pelo vírus Influenzae pode chegar a uma pneumonia se não for tratada adequadamente. Ela também pode ser evitada por um ano, através da vacinação, e a pneumonia pode ser afastada por no máximo cinco anos, através de uma vacina específica.

Mas se você procura por outras soluções menos dolorosas e também que impeçam o aparecimento de alergias, você pode começar limpando e arejando o lugar que você fica com mais frequência, se alimentar corretamente com alimentos ricos em vitaminas C, por exemplo, que auxiliam na prevenção desses vírus, beber muita água durante o dia (mínimo de 2 litros) e procurar tirar o pó de móveis com panos úmidos, evitando o uso de vassouras e espanadores. Com certeza estas dicas lhe ajudarão a aproveitar melhor as férias escolares de julho sem as doenças típicas do inverno.


terça-feira, 21 de junho de 2016

É GRIPE?

Ilustração: Sergio Magalhães
Ilustração: Sergio Magalhães
Dores pelo corpo e de cabeça, garganta inflamada, tosse, febre, coriza... Será gripe? Ou será um resfriado? Embora apresentem sintomas extremamente parecidos, essas são duas doenças diferentes.

O resfriado é uma infecção branda e costuma ser causado por vírus pertencentes à família Rhinovírus, que conta com mais de 100 tipos. Já a gripe – também conhecida como influenza – pode afetar seriamente o organismo graças à ação dos vírus conhecidos como influenza A (FLU A),influenza B (FLU B) e influenza C (FLU C).

Embora as duas doenças possam levar a complicações como, por exemplo, inflamações no ouvido, bronquites e pneumonia, a gripe gera maior preocupação entre pesquisadores e profissionais de saúde devido ao alto poder de transmissão e mutação de seus agentes infecciosos. Isto é, os vírus causadores da gripe conseguem assumir novas formas e se espalhar rapidamente entre as pessoas resultando em epidemias da doença.

A transmissão da gripe entre humanos se dá por meio de gotas de saliva e outras secreções das vias aéreas. Embora seja mais comum a transmissão de pessoa a pessoa, também é possível adoecer a partir do contato com objetos contaminados, como, por exemplo, talheres, lenços e teclados de computador, já que os vírus da gripe se mantém viáveis – com plena capacidade para entrar em um organismo e aí se reproduzir – no ambiente por cerca de uma hora.

Os vírus influenza são vírus envelopados. Isso quer dizer que, além da membrana celular que envolve e protege seu material genético, esses vírus têm uma camada de material extra, um envelope feito de gordura. Na superfície desse envelope encontram-se duas proteínas: a hemaglutinina e a neuraminidase. Cada uma dessas proteínas apresenta várias configurações diferentes e suas múltiplas combinações dão origem aos subtipos ou variantes virais.

Dos três vírus causadores da gripe, o FLU A é aquele com o maior número de combinações dos diversos sorotipos – as configurações – de hemaglutinina e neuraminidase. Por causa de sua grande capacidade de mudar de forma, isto é, sofrer mutações, o FLU A está associado às epidemias de gripe mais devastadoras da história, as chamadas pandemias.

Quando você lê nos jornais, por exemplo, sobre uma infecção causada pelo vírus H5N1, está lendo sobre uma variante do FLU A que tem em sua superfície o sorotipo cinco da proteína hemaglutinina e o sorotipo um da neuraminidase. Os cientistas conhecem, ao todo, 16 sorotipos de hemaglutinina e nove de neuraminidase.


Prevenindo-se



A vacinação é a principal forma de prevenção contra a gripe. Mas é muito difícil produzir um imunizante contra um vírus com grande capacidade de mutação. Você pode pensar na vacina como uma pequena armadilha: ao mudar de forma, o vírus consegue escapar ao seu encaixe e não é mais capturado.

Então uma pessoa pode ficar doente mesmo tendo se vacinado? No caso da gripe, pode. Ainda assim a vacinação é importante pois, além de proteger contra os tipos e variantes mais comuns, confere imunidade relativa em relação a algumas das novas formas assumidas pelos vírus.

São dois os meios pelos quais os vírus mudam de forma. O chamado rearranjo gênico (antigenic shift, em inglês) acontece somente com o FLU A: por esse processo, material genético de uma variante animal e de uma humana se misturam, habilitando a variante, até então só capaz de infectar animais, para afetar também seres humanos. Já o desvio gênico (antigenic drift, em inglês) acontece nos três tipos de vírus causadores da gripe: um erro durante a multiplicação do vírus dentro das células resulta na alteração de algum de seus aminoácidos – cadeias de moléculas que formam as proteínas. Embora seja possível, não é comum que as alterações provocadas por meio do desvio gênico levem o vírus a cruzar a barreira entre as espécies. Ao contrário das alterações provocadas pelo rearranjo gênico, as alterações surgidas a partir do desvio gênico costumam ser pequenas.

Imunidade relativa é justamente a resistência que o organismo desenvolve aos vírus que mudaram de forma por meio do desvio gênico. Ou seja, mesmo não ficando totalmente presos na armadilha, os vírus mutantes têm seus movimentos limitados pela vacina. O resultado? Quando surge, a infecção é sempre mais leve do que seria caso a vacina não tivesse sido tomada.

Buscando aumentar a eficácia das vacinas contra gripe, os pesquisadores também as atualizam todos os anos. Hoje em dia, as vacinas incluem as variantes H1N1 e H3N2 do FLU A e o FLU B – atuais vírus em circulação no mundo.

No Brasil, anualmente é organizada uma campanha nacional de vacinação contra gripe voltada especialmente para maiores de 60 anos. Sabe por que os idosos são o público alvo dessas campanhas? Porque são eles os que têm mais facilidade para desenvolver complicações associadas à gripe: o sistema de defesa do organismo perde sua vitalidade conforme envelhecemos, ficando mais fraco para combater as infecções.

Pessoas com doenças crônicas do coração, do pulmão, dos rins e portadores de HIV/Aids também devem tomar a vacina, pois apresentam o sistema imunológico fragilizado e uma gripe pode piorar seu estado de saúde. Crianças de até dois anos também, já que as defesas do organismo ainda não estão completamente formadas nessa idade.

Em períodos de epidemia, alguns cuidados simples como evitar aglomerações e isolar os doentes também ajudam a prevenir o contágio e a conter o surto de gripe.


Cuidando dos doentes
Para o tratamento dos doentes existem dois grupos de remédios: os bloqueadores de canal e os inibidores de neuraminidase.
Vírus em hemácias. Monika Barth/IOC.
Vírus em hemácias. Monika Barth/IOC.


Quando um vírus entra no nosso organismo, as células do sistema imunológico o comem para evitar que cause algum dano à nossa saúde. Para comer o vírus, as células de defesa o englobam numa estrutura chamada lisossomo ou vacúolo digestivo. Só que, ao tentar digeri-lo, acabam por permitir que seu material genético alcance o interior celular e, uma vez que isto tenha acontecido, a célula passa a ser comandada pelo vírus, funcionando como uma fábrica de novas unidades.

Os bloqueadores de canal agem justamente no momento em que o vírus está preso no lisossomo, impedindo que este se desfaça liberando o genoma viral e dê início à infecção.

Os inibidores de neuraminidase funcionam, ao contrário, no final do processo. Uma vez que a célula tenha se transformado numa pequena fábrica de vírus, os inibidores impedem que ela libere as novas unidades. Ou seja, os inibidores de neuraminidase impedem que o vírus se espalhe pelo nosso organismo. Os inibidores são remédios mais modernos que os bloqueadores de canal e não provocam tanto o aparecimento de vírus resistentes.

Além dos bloqueadores de canal e dos inibidores de neuraminidase, remédios que aliviam os sintomas da gripe como, por exemplo, analgésicos para as dores do corpo e de cabeça, também podem ser prescritos pelo médico para o tratamento dos doentes.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

GORDURAS SÃO VILAS DA SAÚDE?

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 Sorvete: gordurosa tentação.
Elas parecem estar por toda parte: nos salgadinhos, sorvetes, doces, biscoitos, carnes, leite, manteiga. E todos dizem que são as inimigas da saúde e da boa forma. É claro, estamos falando das gorduras. Mas será que elas são tão vilãs assim?

A resposta depende da quantidade e do tipo de gordura que você anda comendo. Hoje em dia, as pessoas consomem uma quantidade enorme de alimentos ricos em gorduras da pior qualidade, especialmente as saturadas e as hidrogenadas. Já ouviu falar delas? Boa parte vem de produtos industrializados, como biscoitos, bolos e congelados. Outra vem de frituras, salgados e embutidos, como salame, mortadela e linguiça, e também de carnes muito gordas. Tem gente que ainda adora encher o pão de manteiga ou entope o sanduíche com maionese.


Realmente, nesse caso, as gorduras, que na medida certa são essenciais ao nosso organismo, vão se tornar vilãs, inimigas mortais, que podem levar à obesidade e a doenças do coração. Mas se, ao contrário, você optar por uma alimentação equilibrada e saudável, verá que existem até mesmo gorduras amigas, as monoinsaturadas e poli-insaturadas, presentes, por exemplo, em óleos vegetais, peixes, azeite de oliva, sementes e nozes. Essas podem e devem fazer parte do seu cardápio.


Função das gorduras na dieta

As gorduras são compostas por lipídeos, moléculas grandes formadas, sobretudo, por ácidos graxos, que são constituídos por ligações de átomos de carbono e hidrogênio. Além de melhorar a textura e o sabor dos alimentos, as gorduras são consideradas o maior combustível das nossas células. Cada grama fornece 9 quilocalorias (Kcal), mais que o dobro da energia fornecida pelas proteínas (presentes, por exemplo, em carnes e ovos) e pelos carboidratos (massas, arroz, cereais etc).


A nutricionista Maura Mello, da Creche Fiocruz, explica que as gorduras também são essenciais na dieta por ajudar a manter a temperatura do corpo, para a produção de hormônios, de ácido biliar, que é fundamental para a digestão, e de vitamina D, importante para os ossos. Uma dieta sem nenhuma gordura pode levar ainda a uma deficiência de vitaminas (hipovitaminose), porque ela participa do transporte e absorção, pelo intestino, das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K.
Peixes contêm gorduras importantes para o nosso corpo. 
Peixes contêm gorduras importantes para o nosso corpo. 
Fora isso, alguns tipos de gordura fornecem ácidos graxos essenciais, que não são produzidos pelas células do nosso corpo e ajudam a reduzir os níveis de colesterol no sangue: o ácido linolênico (ômega-3) e o ácido linoléico (ômega-6). Eles são encontrados principalmente em peixes, frutos do mar, sementes, nozes, canela e óleos vegetais, como os de girassol, milho, soja e algodão.
  

Segundo a nutricionista, esses ácidos exercem funções extremamente importantes no organismo. Veja quanta coisa: estimulam o crescimento, ajudam a regular o metabolismo dos carboidratos (a transformação deles em energia), atuam na liberação de hormônios, são bons para a pele, cabelos, visão, para o sistema reprodutivo, o sistema imunológico (de defesa do organismo) e ainda o Sistema Nervoso Central, que regula uma série de atividades no nosso corpo.


Cuidado: não exagere!

Como você pôde ver, as gorduras têm o seu papel na dieta. Mas como, em excesso, elas engordam e ainda podem provocar doenças sérias, Maura explica que a quantidade que você come não deve ultrapassar 30% do valor de quilocalorias que você precisa por dia. Isso quer dizer que um adolescente que necessite de 2400 Kcal diárias deve comer, no máximo, 80 gramas de gorduras.

Biscoitos são ricos em gordura e calorias. 
Biscoitos são ricos em gordura e calorias. 
Acha difícil controlar? Comece a observar o rótulo das embalagens dos alimentos e veja a quantidade de gordura que eles possuem. Evite frituras, manteiga, maionese, salgados e outras guloseimas, e carnes muito gordas.

Parece horrível ter que se afastar dessas delícias? Talvez... Mas com um cardápio variado e criativo, você vai ver que pode ter uma alimentação gostosa e saudável e ainda se sentir melhor com o seu próprio corpo. E a sua saúde, com certeza, agradece.



Imagem 1: retirada de Wikipedia
Imagens 2 e 3: retiradas de Stock.XCHNG

sexta-feira, 17 de junho de 2016

DOENÇAS DA BANANA

 Mal-do-Panamá. Foto: Embrapa 
Mal-do-Panamá. Foto: Embrapa 
Bananas têm pouca diversidade genética e, por isso, são mais vulneráveis a doenças. Como a bananeira se propaga sem fecundação, cada nova geração é geneticamente igual à anterior. Essa forma de reprodução dificulta a evolução de resistências naturais contra doenças e pestes.

Isso não quer dizer que as bananas correm risco de extinção. Mas uma peste poderia impedir a produção comercial delas. O mal-do-Panamá, por exemplo, acabou com enormes plantações de uma variedade da fruta, a Gros Michel, que teve de ser substituída para fins comerciais por outra, a Cavendish. Mas essa doença já está atacando também as plantações de Cavendish.

Para combater essa e outras doenças - como a Sigatoka-negra e a Sigatoka-amarela -, além de manter as bananas nas mesas, estão sendo feitas pesquisas para criar variedades de bananas mais resistentes. A Embrapa descobriu o genoma dessa saborosa fruta e vem desenvolvendo estratégias de melhoramento genético das nossas Musas.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

RECICLAR PARA VIVER

Além de poupar recursos naturais e aumentar a vida útil de aterros sanitários, há outra razão para nos preocuparmos com o que jogamos fora: a reciclagem também gera riqueza!

Muitas pessoas vivem da cadeia produtiva de reciclagem de lixo. Ainda assim, o Brasil deixa de ganhar 8 bilhões de reais por ano por não reciclar tudo o que é possível.

Infelizmente, apenas 18% das cidades brasileiras possui um sistema de coleta seletiva, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. De qualquer maneira, mesmo que o caminhão de limpeza leve tudo para o mesmo lugar, o simples fato de separar o lixo úmido (restos de alimentos) do lixo seco (embalagens, latas e papéis) já facilita o trabalho dos catadores de material reciclável.

A partir de 2014, os lixões a céu aberto serão proibidos no Brasil e, com essa proibição, os municípios serão obrigados a separar os resíduos. Juntamente com outras medidas estipuladas pela nova Política Nacional de Resíduos Sólidos que vem sendo implantada pelo Governo Federal, isso pode significar uma nova oportunidade, não apenas para o meio ambiente, mas também para essas pessoas que vivem da reciclagem.


O lixo no cinema
Você já viu o filme Lixo Extraordinário? É um documentário que conta a história de catadores do aterro sanitário de Gramacho, que é o maior do mundo e recebe 70% do lixo do Rio de Janeiro. Quando um artista plástico famoso resolve retratar essa realidade e fazer arte a partir do lixo, a vida se transforma para essas pessoas. O filme recebeu vários prêmios e foi indicado ao Oscar de melhor documentário. Vale muito a pena conferir!

Outro filme muito famoso que retrata as desigualdades da sociedade de consumo - e indiretamente nos faz repensar sobre aquilo que jogamos fora - é o também documentário Ilha das Flores. Feito em 1989 e com 13 minutos de duração, o curta-metragem se mantém atual até hoje.

Com diferentes abordagens, os dois filmes mostram a realidade dos lixões e das pessoas que vivem dele.

O que você está esperando? Faça sua pipoca e assista aos documentários. Duvido que depois disso você não pense melhor quando for consumir algum produto ou jogar seu lixo fora.


Fonte: http://www.invivo.fiocruz.br/

quarta-feira, 15 de junho de 2016

HEPATITES: UMA SOPA DE LETRINHAS FATAL

A...B...C...D...E...O que é isto? Uma cartilha usada na alfabetização de crianças? A senha (pedindo pra ser roubada) de um site de compras virtuais? Uma nova canção do Discovery Kids? Nada disso. São os diferentes vírus das hepatites, doença que atinge cerca de um terço da população mundial.

Estes vírus são bem diferentes entre si, nem mesmo pertencem à mesma família. Todos, porém, têm algo em comum: causam inflamação do fígado, que pode comprometer as funções desse órgão tão importante para o ser humano.

Os mais perigosos entre estes vírus são os da hepatite B e C, que atingem uma em cada 12 pessoas no mundo, causando cerca de um milhão de mortes por ano. Eles causam uma infecção crônica, que se desenvolve de forma silenciosa e pode evoluir para a cirrose e o câncer no fígado.Acredita-se que, somente no Brasil, haja três milhões de pessoas vivendo com hepatite B ou C, sendo que apenas 150 mil sabem que estão infectados.

Para despertar a atenção para esta pandemia silenciosa, a Organização Mundial da Saúde estabeleceu o dia 28 de julho como o Dia Mundial da Hepatite. O objetivo da data é conscientizar sobre o impacto da doença, reduzir o preconceito e exigir um compromisso dos governos com relação à prevenção, diagnóstico e tratamento das hepatites.

terça-feira, 14 de junho de 2016

HANSENÍASE: ESCLARECER PARA ERRADICAR

Foto: Peter Illicciev / Fiocruz
Foto: Peter Illicciev / Fiocruz
Em muitos países, a hanseníase já foi erradicada. Porém, no Brasil,a cada 15 minutos,um novo caso de hanseníaseé detectado (Ministério da Saúde, 2009). Provavelmente, você já ouviu cobras e lagartos sobre a hanseníase - ou lepra -, imaginou pessoas deformadas, e achou que melhor mesmo seria ficar bem longe de alguém doente, para não correr o risco de pegar também.

Antigamente, não havia cura para hanseníase, e quem adoecia ficava condenado à exclusão e aos estigmas físicos e morais da doença. Mas desde seus primeiros registros, no século 6 a.C., até hoje, a ciência avançou, e a cura da hanseníase foi uma das conquistas da medicina. Apesar disso, muitos mitos e preconceitos ainda confundem o conhecimento dos cidadãos – o que prejudica tanto a prevenção quanto o tratamento.

Por desconhecerem os sintomas, por não saberem como é feita a terapia, por vergonha ou medo de sofrerem preconceito, as pessoas deixam de procurar ajuda. Assim, além de sofrerem complicações mais sérias, os doentes continuam transmitindo a doença. O tratamento da hanseníase é demorado, mas é gratuito e certeiro. Se a pessoa se cuidar, vai ficar curada e não precisa se isolar: pouco depois que começa a terapia, a transmissão é interrompida.

Além disso, mesmo não existindo uma vacina específica para a hanseníase, a vacina BCG, contra tuberculose, ajuda na prevenção, pois os agentes causadores dessas doenças são bem parecidos. Assim, os contatos próximos de alguém que contraiu hanseníase devem procurar o posto de atendimento, para serem examinados e, caso não apresentem nenhum sintoma, receberem a vacina como prevenção. 

Quanto antes o tratamento for iniciado, melhor pra todo mundo!


O que é a hanseníase?

A hanseníase é realmente uma doença grave, que afeta a pele e os nervos, e, se não tratada, pode provocar sérias sequelas. Ela é causada por um bacilo do gênero das micobactérias chamadoMycobacterium leprae, que vive e se reproduz no interior das células cutâneas e dos nervos periféricos (aqueles que não estão no crânio nem na coluna vertebral).


Fotomicrografia da bactéria /OMS

O comprometimento desses nervos é a característica principal da doença, podendo provocar incapacidades físicas que evoluem para deformidades, caso a pessoa não seja tratada. As principais manifestações de hanseníase são: formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades; manchas brancas, avermelhadas ou acobreadas, com perda de sensibilidade ao calor, frio, dor e tato; áreas da pele aparentemente normais, mas que têm alterações de sensibilidade e de suor; caroços e placas em qualquer lugar do corpo; diminuição da força muscular.


Contágio
Mancha causada pela doença/OMS
Mancha causada pela doença/OMS


Mas você sabia que, apesar de ser uma doença contagiosa, apenas 10% das pessoas que entram em contato com o bacilo adoecem? O M. leprae é considerado um bacilo de alta infectividade e baixa patogenicidade – isto é, infecta muitas pessoas, mas poucas adoecem. A evolução depende do sistema imunológico de cada um e, apesar de não ser uma doença hereditária, fatores genéticos determinam se um indivíduo é resistente ou suscetível à doença.

Além das características individuais, outros fatores relacionados ao nível de endemia e condições socioeconômicas, de vida, de saúde e um número elevado de pessoas convivendo em um mesmo ambiente influenciam no risco de contágio, porque transmissão se dá através de secreções nasais, gotículas da fala, tosse, espirro, enfim, por meio do aparelho respiratório superior.

O tempo de incubação – ou seja, o tempo que demora para a pessoa começar a apresentar os sintomas – é longo, variando de três a sete anos, e o tratamento precoce é a principal arma no combate à doença, pois além de evitar complicações mais sérias, a pessoa em tratamento já não é mais transmissora. A única maneira de se transmitir a doença é de pessoa para pessoa, embora alguns animais tenham sido identificados como naturalmente infectados, como o tatu.


Diagnóstico e tratamento


Só mesmo um médico pode fazer o diagnóstico de qualquer doença e indicar o tratamento, mas se a pessoa começa a apresentar qualquer alteração de sensibilidade na pele, deve-se desconfiar de hanseníase. Para ter certeza, o médico precisa conversar com o paciente sobre seu histórico de saúde, fazer uma avaliação dermatológica e neurológica, excluir possibilidades de outras doenças e fazer um exame laboratorial pra identificar a presença do bacilo. 

A hanseníase tem cura. Antigamente, os doentes eram isolados, tinham suas casas e seus pertences queimados, a família era estigmatizada, enfim, havia um preconceito muito grande em torno da doença.
Abrigo para doentes na Índia / Erin Collins (Flicr)
Abrigo para doentes na Índia / Erin Collins (Flicr)

Os avanços das pesquisas mostraram que essas medidas eram ineficazes. Atualmente, o tratamento é feito com a poliquimioterapia (PQT), uma associação de medicamentos padronizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que mata o bacilo e leva à cura. Esse tratamento é oferecido gratuitamente em todas as unidades de saúde.

Já a terapia provou ser eficaz. De 1990, quando a PQT foi introduzida, até 2008, a taxa de prevalência da hanseníase (número de casos por 10 mil habitantes) no Brasil caiu de 19,5 para 2,06. Está próxima da meta estabelecida pela OMS para a erradicação da doença, que é de 1 caso para 10 mil habitantes.

Porém, se considerarmos estatísticas regionais, ainda há locais onde os números preocupam, como em Mato Grosso, que em 2008 registrou uma taxa de prevalência de 8,76 (dados do DataSus). Em 2009, 37.610 novos casos foram registrados no Brasil, a maior taxa de toda a América. Alguns do outros países que ainda sofrem com a hanseníase são Angola, Índia, China, Congo, Madagascar, Moçambique, Nepal, Tanzânia e República da África Central.

Fonte: ww.invivo.fiocruz.br

segunda-feira, 13 de junho de 2016

SAÚDE MENTAL NÃO TEM IDADE!

Ficar triste, brigar com os pais, ter um certo medo do escuro, não querer ir pra escola um dia, se sentir irritado ou desatento de vez em quando é normal. Essas coisas acontecem com todo mundo, e podem ter diversos motivos: uma nota baixa, a derrota do seu time, uma noite mal dormida, um amor não correspondido... Saber lidar com esses sentimentos e superá-los é importante e até mesmo saudável: faz parte do processo de amadurecimento de todos nós.

Mas em alguns casos o problema não passa, e começa a ter impactos negativos na vida familiar, escolar e social da criança ou adolescente, afetando seu desenvolvimento. Muitas vezes, os adultos não dão bola, acham que depressão ou qualquer outro tipo de problema psiquiátrico é coisa de gente mais velha. Mas não é bem assim. Segundo Rossano Cabral Lima, psiquiatra infanto-juvenil e doutor em Saúde Coletiva pela UERJ, de 10 a 20% das crianças e adolescentes sofrem com algum tipo de transtorno psiquiátrico. 

Na infância, os mais comuns são os transtornos emocionais ou internalizantes (quadros fóbico-ansiosos e depressivos) e os transtornos disruptivos ou externalizantes (hiperatividade e transtornos de conduta). Há também os quadros autistas, que são graves, embora menos comuns.

Entre os adolescentes, há um aumento nos quadros depressivos, além dos problemas envolvendo uso de álcool e outras drogas, e dos transtornos alimentares (anorexia e bulimia). É nessa época que surgem situações mais graves, embora menos frequentes, como a esquizofrenia e os transtornos bipolares do humor.

Mistérios da mente à parte, a presença de transtorno mental na mãe, condições socioeconômicas desfavoráveis, morar em comunidades perigosas, ambiente doméstico violento, punições físicas às crianças e dificuldades no ambiente escolar são fatores que contribuem para o desenvolvimento de problemas psiquiátricos infanto-juvenis.


Detectando o problema

Como praticamente todos os tipos de transtornos possuem formas leves, muitas vezes é difícil identificar a diferença entre o normal e o problemático. “Os pais devem estar atentos, manter um canal de comunicação aberto com a criança ou adolescente e conversar regularmente com os professores, para avaliar se a situação detectada em casa também está interferindo no desempenho escolar”, recomendou o psiquiatra.

Quando percebem que algo vai errado com a criança, mesmo que ainda não existam impactos negativos muito evidentes, os pais já podem procurar um especialista, geralmente um psiquiatra ou psicólogo. “A intervenção precoce pode aliviar o problema em uma fase de menor gravidade, melhorando o prognóstico. Além disso, nessas fases iniciais, muitas vezes o atendimento e orientação dos pais pode ser suficiente para que o problema seja superado”, orientou Rossano. Mas ele também faz um alerta: “o risco de levar a criança a um psiquiatra quando não há uma necessidade clara disso é o de 'medicalizar' a situação, ou seja, privilegiar a abordagem médica em detrimento das demais abordagens, incluindo a prescrição apressada e desnecessária de remédios”.

Em relação à saúde mental, a noção de cura não é muito apropriada. Para isso, seria preciso conhecer todos os fatores envolvidos no problema. E entender a cabeça dos outros não é mesmo fácil. Mas há tratamentos para todos os casos, que conseguem atenuar o mal-estar e favorecer um desenvolvimento mais saudável.

– Os tratamentos envolvem o manejo psicológico da criança ou adolescente, o atendimento dos pais ou outros responsáveis, o uso de medicamentos e intervenções psicossociais, como por exemplo o encaminhamento para escolas especiais. O ideal é que essas estratégias sejam articuladas umas com as outras, e que o tratamento envolva diferentes profissionais – psicólogos, médicos psiquiatras, assistentes sociais, etc. – explicou Rossano.

Consultoria: Rossano Cabral Lima, psiquiatra infanto-juvenil, doutor em saúde coletiva (IMS/UERJ), professor visitante do NUPPSAM/IPUB/UFRJ.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

SÓDIO: O VILÃO SILENCIOSO DA SAÚDE

Foto: fadaguiga.xchng



Bateu aquela fome e a primeira coisa que você pensa em comer é o macarrão instantâneo que está na sua dispensa. Pronto! São apenas três minutos para começar a devorar... Mas o que muita gente não sabe é que esses produtos possuem grande quantidade de sódio – mineral que é o principal componente do sal que consumimos em nosso dia a dia. E aí vem o perigo: sal em excesso faz mal à saúde e doenças do coração. 

A situação é tão grave que, no início de 2013, a Organização Mundial de Saúde (OMS) redefiniu os limites considerados aceitáveis para a ingestão de sódio. A orientação é que adultos e crianças devem consumir menos de 2 gramas de sódio (ou 5 gramas de sal) por dia – quantidade que equivale a uma colher de chá ou de 3 a 5 saquinhos, daqueles encontrados em restaurantes.

No caso do macarrão instantâneo o perigo vem em dobro – no alimento e em seu tempero. Ao todo, um pacote do produto chega a ter 90% da recomendação diária de sódio para um adulto saudável. E não é só o macarrão instantâneo que está nessa lista. O sódio está presente na maioria dos produtos consumidos pelas crianças, como fast food, salgadinhos, pães, chocolate ao leite, pipoca de micro-ondas e pizza. O tradicional X-burguer com catchup e maionese somado um copo de refrigerante chegam muito perto dessa cota diária.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), de 6 a 8% das crianças brasileiras na faixa de 7 a 20 anos, já são hipertensas. E na maioria das vezes nem sabem que têm a doença, já que não existe uma cultura de medir a pressão arterial na infância e na adolescência. O diretor da SBC, Carlos Alberto Machado, alerta que as possibilidades desses índices aumentarem são proporcionais ao número crescente de crianças obesas no país. "É importante mudar o estilo de vida dessas crianças. É muito mais fácil mudar o estilo de uma criança do que de um adulto", afirmou o médico.

Mas como fazer para ter uma alimentação saudável e ao mesmo tempo saborosa, sem abusar do sal? Tire o saleiro da mesa! A melhor maneira é substituí-lo por temperos naturais, como cebola, alho, salsinha, cebolinha, orégano, hortelã, limão, manjericão, entre outros. Se você ler os rótulos, perceberá que o sódio está presente em grandes quantidades em bebidas e comidas industrializadas, por isso, prefira sempre os alimentos naturais! Por exemplo, que tal trocar o refrigerante – inclusive o light – por suco natural?


Fontes:

OMS
Sociedade Brasileira de Cardiologia
G1.globo.com

quarta-feira, 8 de junho de 2016

DOENÇAS DEIXADAS DE LADO

Certamente você já ficou doente algumas vezes na sua vida. É horrível, não é? Mas acontece com todos, pois somos seres humanos e estamos sujeitos a uma quantidade enorme de bactérias, vírus, protozoários e outros agentes causadores de doenças.

Esses agentes espalham doenças por todo o mundo. Para algumas delas, os cientistas já descobriram vacinas ou a cura por medicamentos. Para outras, os estudos prosseguem e apenas se sabe como prevenir. Também existem aquelas doenças desconhecidas, que ainda estão por ser descobertas.

Muitas pessoas trabalham para a descoberta, a prevenção e a cura de doenças. Aqui mesmo na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), muitos estudiosos se dedicam à pesquisa e ao tratamento de uma série delas. Inclusive das chamadas doenças negligenciadas. Você sabe o que são doenças negligenciadas?

É o seguinte: todo dia ficam doentes adultos e crianças, mulheres e homens, pobres e ricos. Muitas vezes, dependendo de onde moram e de sua condição financeira, as pessoas podem comprar os medicamentos necessários para seu tratamento.



Criança com hanseníase, Etiópia*

Em outros casos, principalmente em regiões mais pobres do planeta, a compra dos remédios é quase impossível por falta de dinheiro ou mesmo pela falta do remédio. Nestes lugares onde é o tratamento é mais difícil, as doenças não são controladas e se espalham mais rapidamente, matando milhares de pessoas. 

São chamadas de doenças negligenciadas algumas doenças infecciosas que afetam principalmente pessoas pobres, e para as quais as indústrias farmacêuticas normalmente não se interessam em pesquisar e produzir remédios, já que essas pessoas não têm dinheiro para comprá-los. Ou seja, são doenças para as quais não existem tratamentos eficazes.

A malária, a doença de Chagas, a leishmaniose, a hanseníase e a doença do sono são exemplos de doenças negligenciadas. Todo ano elas matam muitas pessoas, inclusive aqui mesmo no Brasil.

Não é um absurdo? Tantas pessoas morrendo por falta de medicamento... Ainda bem que existem pessoas comprometidas, que buscam salvar todas essas vidas. Quer exemplos? Conheça o trabalho desenvolvido na Fiocruz e na DNDi (Sigla em inglês para Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas).
Fonte: http://www.invivo.fiocruz.br/

terça-feira, 7 de junho de 2016

PESO, SONO E DINHEIRO REDUZEM PRODUTIVIDADE NO TRABALHO

Na sua opinião, quais motivos levam à baixa produtividade no trabalho? Se respondeu fumar, beber ou comer muito, está enganado. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Cambridge e Rand Europe, ambas na Inglaterra, esses itens nem aparecem na lista dos principais fatores. A vida profissional é prejudicada principalmente por preocupações financeiras e dormir menos de sete horas por noite. Os dados são do jornal Daily Mail.

O estudo analisou dados de empresas que participaram de um concurso para descobrir a mais saudável do Reino Unido, tendo acesso a informações de mais de 21 mil trabalhadores. Constatou-se que a lista com os 12 fatores que têm o maior efeito sobre a produtividade também conta com estar abaixo do peso, estar acima do peso, inatividade física e adição de gorduras não-saudáveis às refeições, como manteiga e maionese.

Outros itens mencionados são sintomas de depressão, sofrer assédio moral no local de trabalho, ter relações tensas com os colegas, exigências irrealistas, pressão arterial elevada e algum problema musculoesquelético.

Pesquisas recentes sobre o sono indicam que dormir apenas seis horas ou menos pode prejudicar a pele e aumentar o risco de diabetes. A falta de sono também está associada com um risco maior de Alzheimer e Parkinson. Segundo especialistas, o cérebro precisa do descanso adequado para se purificar de substâncias tóxicas.

http://saude.terra.com.br/

segunda-feira, 6 de junho de 2016

YOGA PODE REDUZIR OS SINTOMAS DA ASMA



Para pessoas com asma, a yoga pode reduzir os sintomas e promover qualidade de vida. Esta atividade beneficia a condição respiratória, indica estudo da Cochrane Review, recentemente publicado no Cochrane Library.

A yoga é uma prática popular para ajuda a mente e o corpo, que combina a postura física, os exercícios de respiração, a meditação e o relaxamento.

Segundo o National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH), cerca de 21 milhões de adultos nos Estados Unidos praticam Yoga. A popularidade desta atividade não é surpreendente, já que se trata de uma prática que traz inúmeros benefícios para a saúde, como redução do estresse, ansiedade, depressão, pressão arterial, melhora da dor nas costas e do físico.

Enquanto um estudo prévio sugere que a yoga traz benefícios para a asma, os pesquisadores do último estudo notaram que outras pesquisas encontraram limitados ou nenhum benefício.

“Tanta informação pode confundir as pessoas com asma quando eles estão decidindo se arrumam tempo e dinheiro para praticar yoga”, afirmam os pesquisadores, incluindo o autor líder Dr. Zuyao Yang, da University of Hong Kong.

Sobre a pesquisa 

Para compreender os benefícios da yoga para os asmáticos, Dr. Yang e seus colegas conduziram uma revisão sistemática de 15 estudos envolvendo 1.048 adultos, a maioria com asma leve a moderada.

Dez dos estudos avaliaram o impacto da yoga na postura, na respiração e na meditação, enquanto os outros cinco unicamente focaram na respiração.

A maioria dos participantes continuaram a usar a medicação para a asma durante o período de pesquisa, que variou de 2 semanas a mais de 4 anos.

Os pesquisadores identificaram uma evidência de que a yoga reduz alguns sintomas da asma e promove qualidade de vida.

No entanto, a equipe foi incapaz de identificar evidências suficientes que sugere que a yoga melhore a função pulmonar.