segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A VERDADE SOBRE OS COSMÉTICOS E SUAS AÇÕES NA PELE


A cosmetologia atualmente vem ganhando notoriedade, pois o simples enfoque estético começa a ganhar a ótica médica. Para a especialista em Controle de Qualidade de Medicamentos e Cosméticos pela Universidade Federal de Minas Gerais, Renata Noronha Silveira, o cosmético, tem como finalidade tratar a pele de maneira a prevenir a sua deterioração e reestabelecer o seu equilíbrio fisiológico quando este for passível de uma alteração. O cosmético deve limpar, corrigir, proteger e embelezar a pele e anexos.

A pele é o maior órgão do corpo humano e um dos mais complexos, exercendo uma função principal de proteção e revestimento. A pele protege o corpo contra agressões do meio ambiente e funções sensoriais (calor, frio, pressão, dor, tato), além de ter o seu importante papel na regulação térmica, defesa orgânica e controle do fluxo sangüíneo. Os pêlos, unhas e cabelos constituem os seus anexos. A epiderme é a unidade mais superficial da pele exibindo a camada córnea, que se assenta sobre um tecido de sustentação fibrilar chamado derme. A derme, por sua vez se repousa sobre uma camada célulo-adiposa também conhecida como tecido subcutâneo ou hipoderme.

É importante lembrar que o termo cosmético deve se limitar aos produtos com ação superficial, sem caráter terapêutico, não penetrando na estrutura celular ou fazendo sinergia com o sistema circulatório. Qualquer ação em profundidade sobre a pele e anexos, com produtos que alteram a estrutura celular, passa ao domínio médico e deve ser visto como medicamento.

A camada córnea da pele contém aproximadamente de 10 a 20% de água e o seu grau de hidratação decorre do equilíbrio entre a água fornecida (endógena ou exógena) e as perdas por evaporação. A película hidrolipídica da superfície da pele, emulsão formada pelo sebo cutâneo, suor e seus componentes, têm papel importante na retenção da água. Certos produtos, devido aos seus componentes ou formulação, permitem diminuir os problemas relacionados com adesidratação da pele. Quando saudável e hidratada, a pele apresenta um aspecto brilhante e de plasticidade. Uma pele desidratada perde suas propriedades biomecânicas, biológicas e sobretudo estéticas pois o seu aspecto torna-se opaco, áspero, sem elasticidade e com tendência a descamação. 

A desidratação da pele pode ser evitada diminuindo-se ou evitando-se as agressões externas ou utilizando produtos que corrigem e restabelecem o equilíbrio biológico. 

Novas Buscas

A busca de novas matérias-primas para o desenvolvimento de formulações cosméticas, cada vez mais compatíveis e inócuas aos diferentes tipos de pele, bem como o avanço e a perspectiva de novos ativos com finalidades dermocosméticas, têm sido uma constante por parte dos farmacêuticos, químicos, dermatologistas e da indústria de cosméticos.

Segundo a farmacêutica industrial, os produtos de beleza e tratamento cosmético dividiam-se tradicionalmente em dois grupos: os extraídos de fontes naturais e aqueles obtidos por síntese. Hoje se sabe que a maior parte das substâncias utilizadas na formulação de cosméticos pertence ao grupo dos "produtos naturais modificados" que embora obtidos na natureza, foram modificados estruturalmente para apresentar propriedades mais atenuantes ou menos tóxicas.

Inúmeras são as substâncias empregadas nas formulações cosméticas para atenuar ou proteger a pele contra as agressões e envelhecimento mas a cosmetologia não passaria de um álibi, uma mera ilusão, se os fatores intrínsecos e extrínsecos como exposição ao sol, tabagismo, alimentação, sedentarismo físico e intelectual não forem controlados e evitados. Além do envelhecimento cutâneo intrínseco, geneticamente determinado, os fatores extrínsecos são determinantes, especialmente a radiação solar responsável pelo fotoenvelhecimento.

A pele envelhecida intrinsicamente apresenta-se delgada, pouco elástica e finamente enrugada, com acentuação das linhas de expressão do rosto. Já a pele fotoenvelhecida se caracteriza histologicamente, pela displasia epidérmica, com vários graus de atipia citológica, infiltrados inflamatórios, redução do colágeno e elastose (degradação do material elástico). Portanto, o envelhecimento intrínseco da pele resulta em atrofia, enquanto o fotoenvelhecimento em hipertrofia. Esta distinção nem sempre é clinicamente evidente mas nos casos ideais nota-se um envelhecimento intrínseco da pele com rugas finas, enquanto a pele fotoenvelhecida apresenta um enrugamento grosso e sulcado.

Necessidade de Proteção e os novos avanços

A especialista enfatiza que o reconhecimento de que a proteção solar pode reduzir ou até reverter os efeitos do fotoenvelhecimento da pele levou à inclusão de filtros solares nas preparações de bronzeadores, bases faciais, hidratantes, shampoos e batons. O desempenho de um protetor solar depende da concentração do filtro solar e de sua capacidade de permanecer na pele. Geralmente os filtros solares disponíveis não bloqueiam a energia luminosa entre 320 e 400 nm, conhecidos como região de raios ultravioleta-A (UVA). Os filtros solares entretanto absorvem 95% da radiação UV dentro dos comprimentos de onda 290 a 320 nm (espectro dos raios ultravioleta-B / UVB), também conhecido como região de queimadura solar, pois estes comprimentos de onda da energia luminosa produzem eritema e enrugamento cutâneo.

Os retinóides, como por exemplo a tretinoína, também podem reverter as modificações cutâneas fotoinduzidas. A tretinoína é um dos vários derivados da Vitamina A e demonstrou transformar a epiderme atrófica trazendo uma melhora do aspecto cutâneo rugoso. Entretanto não melhora o enrugamento associado às linhas de expressão facial. A pele do rosto tratada com tretinoína também apresenta novas sínteses de colágeno das papilas dérmicas, novas formações de vasos sanguíneos e esfoliação do estrato córneo acumulado. Ainda se desconhecem os efeitos da tretinoína sobre o envelhecimento intrínseco. Vários graus de eritema e dermatites são comuns em pacientes tratados com tretinoína, nas primeiras duas a seis semanas. Este efeito irritante (ardor, prurido e descamação) costuma desaparecer com o passar do tempo e com a descontinuidade da aplicação. A tretinoína é fotoinativada e aumenta a fotossensibilidade cutânea, de forma que a sua aplicação é recomendada à noite. Os pacientes também devem usar protetores solares. Os resultados podem ser percebidos a partir de 4 meses em pacientes que usam tretinoína tópica diariamente.

O rejuvenescimento facial é hoje uma realidade, alcançada através dos peelings químicos e aplicação de Laser (Light accumulated by stimuleted eletron radiation) que diferentemente da cirurgia plástica, que objetiva aumentar ou reduzir tecidos cutâneos, promovem um aspecto jovem e mais natural para a pele.

O peeling pode ser definido como um processo no qual se utilizam diversos agentes capazes de promover uma descamação das camadas superficiais da pele, ativando mecanismos biológicos que estimulam a renovação e o crescimento celular desde as camadas mais profundas da pele. Resultado disso é uma pele mais saudável, lisa, uniforme e rejuvenescida.

O peeling químico, utilizando ácido glicólico ou retinóico tem mostrado resultados muito satisfatórios na melhoria da textura e aparência da pele danificada pelo sol. Outros produtos como ácido salicílico ou ácido tricloroacético também são utilizados em peelings superficiais e de média profundidade, respectivamente.

Os alfa-hidroxiácidos são também chamados de ácidos frutais devido à sua obtenção a partir de fontes naturais como a maçã, uva, cana-de-açúcar e frutas cítricas. Embora utilizados há centenas de anos como agentes hidratantes e refrescantes da pele, os alfa-hidroxiácidos foram recentemente empregados no tratamento da acne, pele fotoenvelhecida, pigmentação e em rugas finas.

Este grupo de ácidos orgânicos, em especial o ácido glicólico, quando usado regularmente, age como esfoliante, promovendo uma remoção de corneócitos (células mortas) da camada superior da epiderme e permitindo que células mais jovens que emergem a superfície, facilitando a penetração de outros princípios ativos associados a ele.

Existem diversos produtos no mercado contendo alfa-hidroxiácidos em baixas concentrações e que são seguros para uso domiciliar. Soluções muito concentradas de ácido glicólico no entanto só devem ser aplicadas pelo Dermatologista, com rigoroso controle sobre o tempo de exposição à pele. Por se tratar de um leve esfoliante, vários tratamentos podem ser requeridos até que se atinja os resultados esperados.

O peeling com ácido glicólico é bastante seguro, não requer afastamento do indivíduo de suas atividades regulares e ao contrário do ácido retinóico, raramente causa sensibilidade à luz solar, vermelhidão ou irritação na pele. Existem algumas contra-indicações ao uso do peeling com ácido glicólico para os pacientes portadores de herpes, eritemas persistentes, cicatrizes hipertróficas, gestantes e em pele negra. 

Os efeitos secundários relacionados ao emprego de cosméticos e produtos para cuidados pessoais são raros se considerarmos o grande número de pessoas que entram em contato com as mais variadas substâncias utilizadas nestes produtos. A dermatite de contato irritativa é o efeito colateral mais comum induzido por cosméticos. Manifesta-se por eritemas que causam ardor e coceira à pele, podendo apresentar microvesículas e escamação. Trata-se de um dano ao nível do estrato córneo, sem fenômenos imunológicos. A irritação pode ser conseqüência do pH das formulações ou veículos que dissolvem o sebo protetor da pele. Além disso, a fricção ou partículas abrasivas dos cosméticos também podem causar irritação. Uma vez danificada a camada córnea, esta deixa de exercer a função protetora e qualquer cosmético aplicado sobre a pele poderá causar uma irritação. 

A dermatite de contato alérgica é um fenômeno imunológico, que necessita da presença de um antígeno e de células produtoras de antígenos, sem considerar a condição do estrato córneo protetor. Portanto, um estrato córneo íntegro não evita o desencadeamento de uma dermatite de contato alérgica nos indivíduos sensibilizados. As causas mais comuns de dermatite alérgica induzida por cosméticos são as essências, seguidas pelos conservantes. Uma outra manifestação ao uso de cosméticos pode ser a urticária de contato, caracterizada por pápulas e rubor após aplicação tópica de um produto químico, ou podendo ser generalizada com reação anafilática.

Relação causa e efeito

Segundo Renata Silveira, pode-se dizer então que a ação dos cosméticos sobre a pele pode causar uma "irritação" caracterizada por um efeito cáustico, geralmente proporcional à dose (concentração) e que se difere da "intolerância" aos cosméticos, que é um fator individual e não depende da concentração do alergênico.

Um tipo de acne de baixo grau, caracterizada por comedões fechados foi descrito por Kligman e Mills como acne cosmética, induzida por substâncias presentes nos cosméticos, apresentando em alguns casos uma erupção pápulo-purulenta. Quando se avalia o potencial comedogênico de um cosmético deve-se levar em conta sua concentração e seu potencial comedogênico quando associado com outras substâncias. Sabe-se que nem todas as bases oleosas necessariamente produzem comedões podendo ser acnegênicos e não comedogênicos. Entretanto, recomenda-se para peles oleosas e com acnes, os géis, evitando-se o uso de cremes com alto conteúdo lipídico. 

Finalmente podemos concluir que tanto os cosméticos de superfície como os bioativos têm seus limites de atuação e os resultados vão depender da quantidade e qualidade do manto hidrolipídico. Apesar de grandes esforços e avanços na cosmetologia e no campo da fisiologia da pele, é pequeno o conhecimento sobre as reais modificações de ordem biológica do tecido cutâneo. "Muitas pessoas ainda acreditam em efeitos milagrosos dos cosméticos esquecendo-se que os melhores resultados somente serão obtidos quando aliado aos cosméticos encontrarmos hábitos saudáveis de vida", destaca.


Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3723/-1/a-verdade-sobre-os-cosmeticos-e-suas-acoes-sobre-a-pele.html

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

ANEMIA

"Fraqueza, indisposição, falta de apetite, dificuldade de aprendizado, esses são os principais sintomas da anemia. A anemia é uma condição muito comum e várias são as causas que podem levar a anemia, sendo a deficiência de ferro a principal delas, responsável por cerca de 90% dos casos."

Introdução

Anemia é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a condição na qual o conteúdo de hemoglobina no sangue está abaixo do normal como resultado da carência de um ou mais nutrientes essenciais, seja qual for a causa dessa deficiência. A hemoglobina é o pigmento dos glóbulos vermelhos (eritrócitos) e tem a função vital de transportar o oxigênio dos pulmões aos tecidos. Os valores normais para a concentração de hemoglobina sanguínea é de 13g∕dL para homens, 12 g ∕dL para mulheres e 11 g ∕dL para gestantes e crianças entre 6 meses e 6 anos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, 30% da população mundial é anêmica, sendo que sua prevalência entre as crianças menores de 2 anos chega a quase 50%.

São várias as causas de anemia, sendo a anemia por deficiência de ferro a mais prevalente em todo o mundo. Crianças, gestantes, lactantes (mulheres que estão amamentando), meninas adolescentes e mulheres adultas em fase de reprodução são os grupos mais afetados pela doença, muito embora homens -adolescentes e adultos- e os idosos também possam ser afetados por ela.

Tipos de anemia

Qualquer condição passível de comprometer a produção ou de aumentar a taxa de destruição ou de perda dos glóbulos vermelhos pode resultar em anemia, se a medula óssea não conseguir compensar a perda dos glóbulos vermelhos, ou mesmo um aumento das necessidades de ferro, como ocorre em crianças durante períodos de crescimento acelerado ou em mulheres durante a gestação e amamentação.

Os principais tipos de anemia são:

• Anemia da carência de ferro (anemia ferropriva)
• Anemia das carências de vitamina B12 (anemia perniciosa) e de ácido fólico
• Anemia das doenças crônicas
• Anemias por defeitos genéticos:
- anemia falciforme
- talassemias
- esferocitose
- deficiência de glicose-6-fosfato-desidrogenase
• Anemias por destruição periférica aos eritrócitos:
- malária
- anemias hemolíticas auto-imunes
- anemia por fragmentação dos eritrócitos
• Anemias decorrentes de doenças da medula óssea:
- anemia aplástica
- leucemias e tumores na medula

Sintomas

Na anemia aguda, causada pela perda súbita de sangue ou pela destruição aguda dos glóbulos vermelhos, a falta de volume no sistema circulatório é mais importante que a falta de hemoglobina. Os sinais e sintomas mais proeminentes consistem em queda da pressão arterial devido à diminuição do volume sanguíneo total, com tonteira e desmaio subseqüentes, taquicardia e palpitação, sudorese, ansiedade, agitação, fraqueza generalizada e possivelmente uma diminuição da função mental.

Na anemia crônica, o volume sanguíneo total está normal, mas ocorre uma diminuição dos glóbulos vermelhos e hemoglobina. A falta de hemoglobina causa descoramento do sangue, com palidez do paciente, e falta de oxigênio em todos os órgãos, com os sinais clínicos decorrentes desta alteração. Hipócrates no ano 400 a.C. já havia descrito os sinais da anemia: "palidez e fraqueza devem-se à corrupção do sangue".

Portanto, os principais sinais e sintomas são: fadiga generalizada, anorexia (falta de apetite), palidez de pele e mucosas (parte interna do olho, gengivas), menor disposição para o trabalho, dificuldade de aprendizagem nas crianças, apatia (crianças muito "paradas").

Os sintomas pioram com a atividade física e aumentam quanto menor o nível de hemoglobina. Com níveis de hemoglobina entre 9 e 11 g ∕dL estão presentes os sintomas como irritabilidade, indisposição e dor de cabeça, entre 6 e 9 há aceleração dos batimentos cardíacos, falta de ar e cansaço aos mínimos esforços; e quando a concentração de hemoglobina chega a valores abaixo 6g ∕dL ocorrem os sintomas acima mesmo em repouso.

Anemia Ferropriva

Estima-se que 90% das anemias sejam causadas pela deficiência de ferro.

O Ferro é um nutriente essencial para a vida e atua principalmente na síntese (fabricação) das células vermelhas do sangue e no transporte do oxigênio para todas as células do corpo.

Nas crianças a principal causa de anemia ferropriva é o aumento da demanda de ferro e sua ingestão insuficiente, que ocorre mais freqüentemente nos bebês em aleitamento artificial ou após os seis meses de idade mesmo naqueles que recebem aleitamento materno.

Já nos adultos a causa mais comum de anemia ferropriva é a perda crônica de sangue, nos homens, mais freqüentemente, pelo trato gastrintestinal e nas mulheres, pelo sangramento menstrual. A causa da anemia deve ser sempre investigada, pois a perda de sangue pode ser desde de uma causa benigna, como por exemplo, o uso de aspirina, até uma causa maligna, como um câncer no intestino.

Os sinais e sintomas da carência de ferro são inespecíficos, necessitando-se de exames de sangue laboratoriais para que seja confirmado o diagnóstico de anemia ferropriva.

A carência de ferro, mesmo antes de suas manifestações hematológicas, provoca um acometimento sistêmico com repercussões na imunidade e resistência a infecções, na capacidade para o trabalho e no desenvolvimento neuropsicomotor. O resultado indesejável da deficiência de ferro na infância poderá repercutir negativamente no desenvolvimento escolar e, tardiamente, na inserção do indivíduo no mercado de trabalho.

Como prevenir a anemia ferropriva

A melhor arma para a prevenção da anemia ferropriva é, sem dúvida, uma alimentação bem variada, rica em alimentos que naturalmente possuem ferro e os enriquecidos ou fortificados com o nutriente.

As melhores fontes naturais de ferro são os alimentos de origem animal – fígado e carne de qualquer animal – por possuírem um tipo de ferro melhor aproveitado pelo nosso organismo.

Entre os alimentos de origem vegetal, destacam-se as leguminosas (feijão, grão-de-bico, fava, lentilha, ervilha), os grãos integrais ou enriquecidos, nozes, castanhas, rapadura, açúcar mascavo e as hortaliças (couve, agrião, taioba, salsa). Existem também disponíveis no mercado alimentos enriquecidos com ferro como farinhas de trigo e milho, cereais matinais, entre outros. Para uma melhor absorção do ferro presente nesses alimentos é recomendado o consumo de alimentos com alto teor de vitamina C como a acerola, abacaxi, goiaba, kiwi, laranja, limão, pimentão, repolho e tomate, na mesma refeição. O consumo de alguns alimentos deve ser evitado na mesma refeição ou logo após, como o chá, café, pois atrapalham a absorção do ferro.

Outra forma eficaz de prevenir a anemia ferropriva, além da dieta adequada, é o uso do ferro profilático. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o uso de 1mg ∕Kg ∕dia de ferro elementar desde o início do desmame até o término do segundo ano de vida para os recém-nascidos nascidos a termo, e 2mg ∕Kg ∕dia, a partir do 30o dia de vida, por 2 meses para os recém-nascidos prematuros ou de baixo peso e, depois, inicia-se o esquema proposto para as crianças a termo. As mulheres grávidas também devem fazer uso profilaxia da anemia ferropriva a partir da 16o semana de gravidez através da ingestão de 30 a 40 mg de ferro elementar, que corresponde a 200 mg de sulfato ferroso por dia.

Tratamento da anemia ferropriva

Uma vez instalada a anemia ferropriva, deve-se corrigir o déficit e repor os estoques de ferro através do uso de ferro medicamentoso e, em caso de perda crônica de sangue, identificar e tratar a causa. O sulfato ferroso é o sal mais bem indicado por sua boa absorção e baixo custo.

Para as crianças, a dose de ferro para o tratamento é de 3 mg ∕Kg ∕dia. Embora a melhora clínica e a normalização das concentrações de glóbulos vermelhos e de hemoglobina ocorram precocemente com a reposição de ferro, a dose terapêutica deve ser mantida por 3 a 4 meses para a reposição dos estoques de ferro. Alguns cuidados devem ser tomados para maximizar a absorção do ferro, como a sua ingestão 30 a 60 minutos antes das refeições, não diluir o medicamento em nenhum líquido e ingerir suco de frutas cítricas após o uso do medicamento.

Para os adultos a dose terapêutica é de 60mg de ferro elementar, o que corresponde a um comprimido de 300mg de sulfato ferroso.

O sulfato ferroso pode trazer alguns inconvenientes com o seu uso como náuseas, indisgetão, constipação e diarréia que, em geral, são proporcionais a quantidade de ferro ingerida. Pode-se tentar solucionar esse problema através de um aumento gradativo das doses e do escalonamento nas doses ao longo do dia. Caso essas medidas não resolvam, pode-se substituir o sulfato ferroso pelo gliconato ferroso, entretanto, devido ao seu menor conteúdo de ferro elementar exige um tratamento mais prolongado.

Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/4697/-1/anemia.html

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

CAUSAS DO OLHO VERMELHO

O olho vermelho pode ter várias causas, entre elas, a conjuntivite, corpos estranhos, uveíte, úlcera de córnea, alergias. Nunca as pessoas devem se automedicar e nem tentar usar um medicamento já testado por uma outra pessoa. Somente um exame realizado um especialista em oftalmologia irá indicar a terapêutica adequada.

Ao contrário que muitas pessoas pensam, o uso de colírios não pode ser indiscriminado, pois eles são remédios que contém medicações específicas indicadas para cada tipo de patologia. Assim, o colírio já indicado para um problema, nem sempre poderá ser o mesmo. As conjuntivites, por exemplo, podem ser bacterianas, viróticas (ambas são contagiosas ou alérgicas não contagiosas).

O exame oftalmológico dever ser feito periodicamente após aos 40 anos de idade, quando na incidência de doenças oculares. Por um outro lado, existe o risco de comprar óculos sem o resultado de um exame oftalmológico, em especial, nos casos de óculos de perto.

É preciso lembrar que somente através de um bom exame é possível detectar problemas como cataratas, glaucomas e alterações retinianas. No caso de diabetes - uma causa importante de cegueira, pois afeta os vasos sanguíneos do fundo de olho, o diabético deve fazer consultas de seis em seis meses.

Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/2773/-1/as-diversas-causas-do-olho-vermelho.html

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

ARRITMIA CARDÍACA

François Joachin, cardiologista da fundação Sanitas Internacional em Bogotá, defende que a arritmia é uma das anomalias que mais freqüentemente se apresentam no funcionamento do coração.

Segundo o especialista, o coração é uma grande bomba, com duas cavidades ocas formadas por um músculo involuntário que ao contrair-se faz com que o sangue seja bombeado. Este movimento deve ser constante e contínuo para possibilitar que o coração possa levar o sangue de que todos os tecidos do corpo necessitam para funcionar corretamente. 

Uma das duas câmaras do coração, a aurícula direita, contém um grupo de células chamadas de nódulo sinusal que atua como um marca-passo, produzindo impulsos elétricos que fazem com que o músculo do coração se contraia e relaxe a cada ciclo cardíaco. A freqüência do ritmo cardíaco que determina tais impulsos elétricos depende da atividade no momento, variando desde 60 a 80 batidas por minuto em uma situação de descanso, a até mais de 200 batidas por minuto quando se faz exercícios, de modo a assegurar o direcionamento de nutrientes suficientes aos músculos e ao resto do organismo.

Quando a geração e a condução dos impulsos elétricos são irregulares ou defeituosas, são produzidas arritmias. Estas podem apresentar-se sob a forma de ritmos demasiadamente rápidos,Taquicardia, ou demasiadamente lentos, Bradicardia.

Causas 

Segundo a Equipe de Cardiologia do Hospital Cardioinfantil, localizado na área norte de Bogotá, existem vários fatores que podem causar a arritmia, incluindo diversas enfermidades do coração, e também, o café, alimentos e bebidas com cafeína abundante, o tabaco (cigarros), o álcool, determinadas drogas ilegais, e alguns medicamentos. 

O cardiologista José Daniel Charria da Fundación CardiológicaShaio, também localizada na capital da Colômbia, acrescenta que as TSV (taquicardias supraventriculares) apresentam-se mais freqüentemente de forma exacerbada, enquanto as incessantes são menos habituais. Na maioria dos casos, apresentam-se sem a presença de cardiopatia estrutural, e, desta forma, as crises ou as causas podem ser desencadeadas pelo exercício físico ou estresse emocional, embora freqüentemente não seja encontrado um fator de desencadeamento.

Segundo Charria, os pacientes apenas podem referir-se a palpitações, ansiedade, nervosismo e moléstias precordiais. Em certas ocasiões, também se fazem presentes a tontura, dispnéia ou angina de peito (dor no tórax). A síncope, a insuficiência cardíaca ou o infarto agudo do miocárdio também são possíveis, ainda que pouco freqüentes e apenas ocorrerem em pacientes com cardiopatia estrutural. Durante o esforço físico, o sintoma mais destacado é o pulso rápido e regular. Em muitos casos também pode ser constatada uma hipotensão, embora seja passageira. Às vezes é produzida uma grande quantidade de urina ao final da crise, fenômeno que parece ser secundário à dilatação auricular e liberação do péptido natriuretico auricular, causados pela taquicardia.

Conseqüências 

As causas ou conseqüências que provocam as arritmias, declara Charria, podem incluir: 

1. Arteriopatia Coronária 

2. Insuficiência Cardíaca congestiva 

3. Hipoxemia 

4. Hipercapnia 

5. Hipotensão 

6. Transtornos de eletrólitos, em especial os que compreendem potássio, Ca e Mg (cálcio e magnésio), 

7. Toxicidade provocada por medicamentos, cafeína e etanol 

Tratamento

Segundo Fuentes, o tratamento inicial das taquicardias ou arritmias depende da situação clínica do paciente. Se o paciente apresentar uma descompensação severa, como o edema agudo de pulmão ouchoque, a cardioversão elétrica imediata deve ser indicada. Nos demais casos, o tratamento habitual procura reduzir a freqüência cardíaca e reverter a arritmia através de medicamentos anti-arritmicos.

Em todos os casos, em adição aos medicamentos, é administrada uma dosagem lenta de soro fisiológico, além de freqüentes verificações da tensão arterial e é mantido um monitoramento eletrocardiográfico contínuo. 

Para a prevenção de crises súbitas, indica Charria, a primeira medida consiste em eliminar os possíveis fatores responsáveis pelo desencadeamento. Se as crises são pouco freqüentes, bem toleradas e de fácil controle, não é necessário administrar o tratamento farmacológico crônico. Em casos contrários, os medicamentos mais indicados são os estabilizadores de membrana, também chamados de antiarrítmicos, que atrasam a condução aurículo-ventricular. 

Segundo Charria, se a arritmia for crônica, o tratamento de manutenção se direciona para o controle da freqüência cardíaca. Por último, quando as medidas farmacológicas não surtem efeito, pode ser indicada implante de um marca-passo cardíaco.
Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3848/-1/arritmia-cardiaca.html


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

AMBIENTES FECHADOS E A PROLIFERAÇÃO DE DOENÇAS

Ambientes fechados são perigosos no inverno

Ambientes fechados facilitam a proliferação de várias doenças, especialmente no inverno, quando as temperaturas mais baixas e o ar mais seco fazem com que o organismo fique mais vulnerável às infecções.

O tempo frio faz com que as pessoas passem mais tempo dentro de casa ou em ambientes fechados. Isso pode representar um risco a mais, uma vez que ambientes fechados dificultam a ventilação e a circulação do ar. Dessa forma, o número de agentes causadores de várias doenças presentes no ar aumenta.

A aglomeração de pessoas é outro problema que faz com que vírus e bactérias se propaguem mais rapidamente, aumentando os casos de gripes, resfriados, rinites, alergias, sinusites, bronquites e asma, e os atendimentos nos prontos-socorros. Em casos mais graves, doenças como tuberculose e meningite podem ser contraídas em locais fechados.

Gripe, resfriado e dor de garganta

A gripe é uma doença respiratória aguda, causada pelo vírus Influenza (A e B). É transmitida por via aérea e ocorre em surtos e epidemias em todo o mundo, a cada ano, principalmente durante os meses de inverno.

Muitos confundem o resfriado com a gripe, mas são doenças diferentes, inclusive causadas por agentes diferentes. O resfriado pode ser causado por mais de 200 vírus diferentes, sendo o principal deles o rinovírus, e como já foi dito, a gripe é causada pelo vírus Influenza. Em geral, o resfriado é uma doença mais leve que a gripe. Vai atacando gradualmente a pessoa, com tosses irritativas, dores e cansaço leves.

A dor de garganta é causada, geralmente, pela amigdalite. Essa é uma condição na qual as amígdalas palatinas se infeccionam por vírus ou bactérias.

Em caso de infecções como gripes, resfriados e dores de garganta, é fundamental que a pessoa doente não compartilhe utensílios como copos e talheres com os familiares e evitar o contato muito próximo até que a doença tenha sido curada.

Pneumonia

A pneumonia é a inflamação dos pulmões, mas especificamente dos alvéolos, local onde ocorrem às trocas gasosas, devido à infecção causada por bactérias, vírus, fungos e outros agentes infecciosos ou por substâncias químicas.

Crianças são mais suscetíveis à infecção, e, como esse é um problema que deixa muitos pais alarmados, é importante que os responsáveis fiquem atentos a sintomas como tosse, febre e dificuldade em respirar, e procurarem um especialista caso a criança apresente esse quadro. Existe vacina para pneumonia, que está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) e faz parte do calendário do Ministério da Saúde.

Problemas respiratórios

Problemas das vias respiratórias, como asma, rinites e sinusites são mais comuns no inverno. Alergias também são agravadas com o tempo frio e seco. É possível reduzir o risco de ataques dessas com algumas medidas simples. O primeiro passo é evitar lugares onde há fumaça de cigarro ou possíveis alérgenos. Além disso, usar corretamente os medicamentos prescritos e ir ao médico regularmente são medidas que ajudam a controlar a doença.

Hábitos de higiene simples, como lavar as mãos com frequência e cobrir o nariz e a boca quando espirrar também diminuem as chances de contágio.

Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/5472/-1/ambientes-fechados-aumentam-a-proliferacao-de-doencas.html

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

ANALGÉSICOS

A dor é definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a lesão aos tecidos orgânicos confirmada ou potencial. Como a dor é uma queixa subjetiva, não há uma maneira definitiva de se diferenciar a dor resultante da lesão da dor na ausência de lesão. Todas as pessoas vivenciam a dor em algum momento de duas vidas, seja uma dor de dente, dor de cabeça, infecções, lesão durante a prática de esporte ou após cirurgias. A dor é um mecanismo de defesa importante, porque indica à pessoa que algo está errado. A dor pode ser tratada de várias maneiras, sendo a mais comum o uso de analgésicos.

Os analgésicos são medicamentos com função de aliviar a dor. O alívio causado por esses medicamentos pode ocorrer por meio do bloqueio dos estímulos dolorosos antes de chegarem ao cérebro ou pela interferência na forma como o cérebro interpreta esses estímulos, sem levar a anestesia ou perda da consciência (desmaio). Os analgésicos compreendem diversos medicamentos diferentes, sendo divididos basicamente em dois grupos: ao analgésicos narcóticos e os não-narcóticos.

Analgésicos Não-Narcóticos

O paracetamol e a dipirona são os analgésicos não-narcóticos mais comumente empregados sem prescrição médica.

A dipirona começou a ser usada no combate à febre e à dor em 1922, na Alemanha. Seu mecanismo de ação não está completamente definido, mas acredita-se que ela tenha efeitos no cérebro e na medula espinhal. Parece que ela atua de maneira semelhante aos antiinflamatórios, bloqueando a produção de substâncias que lesam os tecidos e transmitem estímulos dolorosos. O paracetamol é um analgésico bastante popular porque é eficaz no alívio da dor leve a moderada e é de baixo custo. Tanto a dipirona quanto o paracetamol são encontrados associados a outros medicamentos em diversas preparações para tratamento da dor, devendo-se levar essa questão em conta para não exceder a dose diária recomendada.

Analgésicos Narcóticos

Existem dois tipos de analgésicos narcóticos: os opiáceos e os opióides (derivados dos opiáceos). Os opiáceos são compostos encontrados no ópio, que é um líquido extraído das sementes da papoula.

Os opióides são medicamentos que atuam no cérebro ligando-se a receptores de opióides. São classificados da seguinte maneira:

Opióides endógenos: produzidos pelo próprio organismo, incluem as endorfinas e encefalinas
Alcalóides do ópio: morfina, codeína
Opióides semi-sintéticos: produzidos em parte de maneira artificial, como a hidroxicodona, a oximorfona e a oxicodona
Opióides totalmente sintéticos: metadona, fentanil, tramadol

Esses medicamentos são analgésicos fortes, sendo usados no tratamento da dor crônica e intensa. Interessante notar que não existe uma dose máxima de analgésico opióide, sendo recomendado o aumento gradativo da dose até que se consiga aliviar a dor, mantendo-se efeitos colaterais toleráveis.

Existe uma grande preocupação quanto ao potencial de dependência dos opióides, porém deve-se sempre pensar nos seus benefícios para o tratamento da dor. Seu uso melhora tanto a qualidade de vida dos pacientes, que não se justifica negar esse tratamento ao paciente que tenha real indicação de seu uso.

Antiinflamatórios

Os antiinflamatórios são medicamentos cuja função é reduzir o grau de inflamação dos tecidos, como o próprio nome diz. Eles são classificados basicamente em dois grupos: esteroidais e não-esteroidais. Os antiinflamatórios esteroidais incluem os corticóides e seus derivados. Os não-esteroidais são representados pela maioria dos medicamentos usados com intuito de reduzir a inflamação, incluindo: aspirina, diclofenaco, naproxeno, ibuprofeno, nimesulida, cetoprofeno, piroxican, tenoxican.

Os antiinflamatórios não são analgésicos propriamente ditos, porém atuam reduzindo a inflamação e, conseqüentemente, a lesão dos tecidos. Assim, eles diminuem a causa da dor, levando a alívio importante da mesma.

Quando usar os analgésicos

Os medicamentos com propriedades analgésicas são bastante eficazes no alívio da dor e do desconforto de diversas causas, como a enxaqueca, resfriados e gripe, outras dores de cabeça, dores nas costas, cólicas menstruais, dores musculares e dores associadas ao câncer. No entanto, exceto nos casos de dor crônica (dores que duram mais de três semanas e que ocorrem diariamente) e associada ao câncer, de preferência os analgésicos devem ser usados pelo mínimo período de tempo necessário e, de preferência, apenas com orientação médica.

Interações dos analgésicos com outras drogas

A combinação dos analgésicos com outras drogas pode ser perigosa. O uso concomitante desses medicamentos e de álcool pode causar tonteira, perda da coordenação e redução dos reflexos. Assim, o indivíduo fica incapaz de dirigir ou comandar máquinas.

Sempre que você receber uma prescrição de analgésico, conte ao seu médico caso faça uso de outros medicamentos, para que ele avalie se ocorrerá alguma interação que reduza ou aumente o efeito de algum desses medicamentos. Em alguns casos, é necessária a troca do medicamento.

Toxicidade do paracetamol

A dose máxima diária de paracetamol, para adultos, é de 4g, e para crianças é de 90mg/Kg. No entanto, em alguns casos a dose necessária para causar efeitos colaterais no fígado pode ser bem menor, devido a alterações decorrentes de outras causas, como alcoolismo, desnutrição e doenças virais. Quando o paciente utiliza a dose recomendada, de maneira correta, o risco de lesão no fígado é bem pequeno.

As alterações no fígado começam a ocorrer após 24-48 horas de ingestão. No início, o paciente não tem sintomas, mas com o passar do tempo evolui com perda de apetite, mal-estar, náuseas/vômitos, dor abdominal, icterícia (“amarelão”), piora da função dos rins e sangramentos. O quadro, muitas vezes, resolve-se espontaneamente, porém ao primeiro sinal de sintomas o paciente deve procurar atendimento médico para que seja administrado o antídoto, a N-acetilcisteína.

Toxicidade da dipirona

A dipirona é um analgésico bastante empregado na Europa, América Latina e Ásia, embora tenha sido proibida sua venda em diversos países, como os EUA, devido ao risco de efeitos colaterais na medula óssea (que produz as células do sangue).

Apesar dos relatos de associação da dipirona a esses efeitos colaterais, a maioria das publicações a respeito mostraram que o risco de redução das células sanguíneas é muito baixo, de cerca de 1,1 caso por um milhão de pessoas que fazem uso. Assim, o risco de toxicidade é semelhante, ou até menor, que o de outros analgésicos. No Brasil, a agência que regula a comercialização dos medicamentos concluiu que a dipirona é um medicamento que está no mercado há mais de 80 anos, sendo seguro e eficaz no controle da dor e da febre.

Efeitos colaterais dos Opióides/Opiáceos

Efeitos colaterais mais comuns:

Enjôos/vômitos
Tonteira
Boca seca
Pupilas contraídas
Queda da pressão arterial quando a pessoa fica em pé (hipotensão ortostática)
Retenção de urina
Constipação intestinal

Efeitos colaterais menos comuns:

Confusão mental
Halucinações
Coceira/lesões de pele
Queda da temperatura do corpo
Redução ou aumento da freqüência de batimentos cardíacos
Rigidez muscular

Efeitos colaterais graves

Depressão respiratória (diminuição da respiração)
Overdose fatal

Efeitos colaterais dos antiinflamatórios não-esteroidais

A maioria das pessoas tolera bem o uso dos antiinflamatórios não-esteroidais, porém podem ocorrer efeitos colaterais. Eles incluem:

Sistema Digestivo: o uso por curto período pode causar dos no estômago (dispepsia). O uso mais prolongado, principalmente em doses altas, pode causar úlcera gástrica e sangramento no estômago.
Fígado: o uso prolongado desses antiinflamatórios pode causar lesão no fígado.
Rins: o uso, mesmo que por período curto, pode prejudicar os rins, principalmente em pessoas que já apresentam problema renal.
Ouvidos: indivíduos que usam aspirina em doses altas podem apresentar zumbido nos ouvidos (tinido), embora esse sintoma possa ocorrer com outros antiinflamatórios. Costuma melhorar após redução da dose do medicamento.

Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/5391/-1/analgesicos.html

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

AGITAÇÃO, HISTERIA E ALUCINAÇÕES NA TERCEIRA IDADE

O estado de agitação pode traduzir um desconforto devido a dor forte ou uma falta de ar, tendo por traz uma doença em evolução. Também pode estar relacionada à intoxicação por medicamentos, por álcool ou uma infecção até então não diagnosticada. Pode fazer parte da demência ou de outro distúrbio psiquiátrico.

Todo o estado de agitação no idoso deve ser muito bem investigado e nunca medicado sem antes saber sua causa exata.

A histeria caracteriza-se pelo aparecimento de sintomas puramente orgânicos decorrentes a algumas situações emocionais. São denominadas somatizações. A histeria é um tipo de somatização aonde os sintomas são exuberantes, em geral caracterizados por agitação, choro, agressividade, etc. Os sintomas da somatização freqüentemente são vagos ou impossíveis de serem relacionados com qualquer doença.

A histeria ocorre com pessoas que sofreram algum tipo de violência na infância, em alcoólatras, com pessoas que sofreram múltiplas cirurgias ou pessoas com antecedentes psiquiátricos. Na terceira idade um estado de grande ansiedade gerado por medo pode levar a manifestações histéricas.

A somatização pode ocorrer através de sintomas digestivos, como vômitos ou diarréia ou sintomas dolorosos, como dores nas costas, dores de cabeça, etc. Manifestações pulmonares ou cardio-circulatórias também podem ser devidas a problemas emocionais: falta de ar, pressão alta, etc.

Algumas manifestações podem ser complexas, como a perda da voz, dificuldade na deglutição, cegueira e mesmo convulsões. A característica da somatização é a falta de qualquer distúrbio orgânico.

O diagnóstico depende de avaliação clínica meticulosa que envolve exames diversos e avaliação psicológica. O tratamento é basicamente psicológico sendo freqüentemente associado a medicamentos.

As alucinações também são sintomas que podem surgir na terceira idade. As alucinações visuais (visão de objetos ou pessoas inexistentes) em geral estão relacionadas a intoxicações por medicamentos, drogas, a abstinência alcoólica, e a certas moléstias (encefalites, demência, por exemplo). As alucinações auditivas, como ouvir vozes, estão relacionadas a distúrbios psiquiátricos, como a esquizofrenia.

Na terceira idade as principais causas de alucinações são devidas a intoxicações por medicamentos, alcoolismo e demência.

Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3110/-1/a-agitacao-a-histeria-e-as-alucinacoes-na-terceira-idade.html

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

CIS/AMURES ESTÁ EM NOVO ENDEREÇO


O Consorcio Intermunicipal de Saúde (CIS/AMURES) está com sede nova. A mudança visa  mais conforto aos pacientes, oferecendo maior espaço e consequentemente melhorando a qualidade do atendimento.

O prédio de três andares, fica na Rua Nossa Sra. dos Prazeres, nº 62 - Centro, Lages – SC. Os pacientes aprovaram a mudança. Na ocasião da visita, entrevistamos alguns pacientes que estavam aguardando atendimento e percebemos que é  geral o grau de satisfação dos mesmos: Edir Rodrigues, 72 anos, de Otacílio Costa disse que achou o local bem espaçoso e organizado. José Chaves, 62 anos, de Campo Belo do Sul, compartilha da mesma opinião que Edir e ainda acrescenta que agora há mais opções de estacionamento.




Para a diretora executiva, Nalú Júlio, foi um passo fundamental no crescimento do CIS/AMURES. “A sede antiga sofria com as intempéries do tempo, fazendo com que o local tivesse que ficar fechado em alguns casos. Estamos bastante satisfeitos com a nova sede e temos muito a agradecer a todos que contribuíram para que este processo fosse concretizado”. Segue Nalú, o presidente do exercício anterior, Sr. Edelvanio Topanoti, prefeito de Bom Jardim da Serra, foi incansável parceiro para esta conquista. Da mesma forma o atual presidente Pe. Edilson Souza, prefeito de Campo Belo do Sul, já declarou apoio para a finalização dos ajustes que estão por concluir.






Fotos e informações Liana Fernandes / Assessoria de Imprensa

UNHAS ENCRAVADAS


O que são unhas encravadas?

A unhas podem encravar quando parte da unha empurra o canto do dedo do pé e geralmente as causas podem ser sapatos muito apertados. Quando uma unha encrava, o dedo torna-se sensível ao tato, vermelho e inchado.

Que cuidados devem ser tomados?

- Coloque o dedo de molho 
Coloque o pé de molho durante 20 minutos duas vezes ao dia em água morna com um pouco de sabão bactericida. Enquanto o pé estiver de molho faça uma massagem sobre a parte inflamada da cutícula.

- Use uma pomada antibiótica. 
Aplique a pomada antibiótica cinco ou seis vezes ao dia .

- Corte o canto da unha. 
A dor é causada pela fricção da unha contra a cutícula exposta. O médico se encarregará de cortar este canto o que será preciso fazer apenas uma vez para facilitar o crescimento da unha sobre a cutícula ao invés de crescer enterrada nela. Ao colocar o pé de molho, procure dobrar o canto da unha para cima.

- Não use sapatos.
Calce seu filho com sandálias ou deixe-o descalço o máximo possível para evitar a pressão sobre a unha, mas quando ele tiver que usar sapatos fechados, proteja a unha encravada da seguinte maneira:

- Se o lado interno estiver machucado, coloque uma esponginha presa com fita adesiva entre o dedão e o outro dedo a fim de evitar que fiquem se tocando.

- Se o lado machucado for o externo, coloque uma esponginha com fita adesiva na parte externa do dedão para evitar que a unha fique tocando a parede do sapato.

Como posso prevenir as unhas encravadas?

Previna a recorrência das unhas encravadas desfazendo-se dos sapatos de bico fino ou que ficaram apertados. Corte as unhas retas deixando os cantos.

Procure ajuda médica imediatamente se:

- Seu filho tiver febre.
- Observar estrias avermelhadas que se estendem além do dedo.
- O pus ou a secreção amarelada não sair em 48 horas de tratamento.
- A cutícula não sarar completamente após 2 semanas.
- Tiver outras perguntas e preocupações.


Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3311/-1/unhas-encravadas-versao-simplificada.html

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

TRATAMENTO DA OSTEOARTRITE

Em nosso corpo existem dezenas de articulações ("juntas"), cada uma com sua importância na realização de várias funções. Nessas estruturas, as superfícies dos ossos não poderiam entrar em contato direto, pois o atrito entre as duas levaria a um rápido desgaste dos ossos. Assim, nas articulações, os ossos são revestidos por uma cartilagem que, junto com o líquido presente na articulação, tem a função de reduzir o atrito entre as superfícies dos ossos.

A osteoartrite (OA) é uma doença causada pela destruição dessa cartilagem que recobre os ossos, nas articulações. Ela também é conhecida como "artrite degenerativa". Com isso, os ossos começam a apresentar atrito, e pode ocorrer inflamação e irritação da articulação.

A OA pode acometer qualquer articulação, mas é mais freqüente nas mãos, nos joelhos, no quadril e na coluna.

A doença é crônica, e apresenta piora com o passar do tempo. No entanto, o tratamento é bastante eficaz no controle dos sintomas, permitindo que a pessoa mantenha o exercício das atividades do dia-a-dia. O tratamento geralmente é composto por mais de uma estratégia e é determinado de acordo com cada caso, por isso a consulta com um médico é essencial.

A OA é cerca de 3 vezes mais comum em mulheres e a idade de aparecimento é por volta dos 60 anos. Acredita-se que a causa seja a sobrecarga das articulações. A seguir, comentaremos sobre as opções de tratamento disponíveis para a OA.

O que define o tratamento

O tratamento da OA é individualizado, levando-se em conta diversos fatores, como:
Presença de outras doenças associadas;
Quais articulações estão afetadas;
Gravidade da doença;
Presença ou não de inflamação;
Nível de atividades que o paciente exerce.

O objetivo do tratamento é manter o bom funcionamento da articulação, com a redução da sobrecarga e da dor.

Tratamento não-medicamentoso

As opções de tratamento não-medicamentoso são bastante eficazes na melhora dos sintomas da OA, sendo geralmente indicadas, inicialmente em todos os casos. As opções são:

1) Repouso: como os sintomas de OA pioram com os movimentos, o repouso garante um bom alívio da dor. Porém, deve-se evitar o repouso prolongado, pois pode levar a perda da força dos músculos e da função da articulação.

2) Perda de Peso: esse é um dos fatores mais importantes no tratamento da OA, já que a obesidade está fortemente ligada ao desenvolvimento da doença. Ainda não se sabe se a perda de peso faz com que a doença progrida mais lentamente, mas é certo que ocorre um alívio importante dos sintomas. Além disso, os pacientes que perdem peso conseguem exercer melhor suas atividades do dia-a-dia.

3) Fisioterapia e Prática de Atividade Física: promovem uma melhora da flexibilidade e da força muscular, reduzindo os sintomas e ajudando as pessoas a praticarem suas atividades de uma forma melhor. Os objetivos são: reduzir a dor e evitar que a articulação perca sua função; prevenir os efeitos maléficos da imobilização da articulação; evitar novas lesões na articulação.

4) Órteses: são dispositivos que ajudam a alinhar a articulação e o desempenho da mesma. Existem vários tipos, sendo que o médico e o fisioterapeuta poderão indicar o melhor tipo para cada caso.

5) Vitaminas: o papel das vitaminas no tratamento da OA ainda é incerto. Sabe-se que a progressão da doença é menor nos indivíduos que ingerem maiores quantidades de vitamina C e vitamina D. Entretanto, ainda não se sabe se a suplementação dessas vitaminas tem algum valor nessa doença.

6) Aplicação de Calor: a aplicação de compressas quentes ajuda no alívio da dor e do inchaço. Deve-se tomar cuidado para usar somente água quente e não água fervente, pois o excesso de calor e a aplicação por tempo prolongado podem levar a queimaduras.

7) Aplicação de Frio: compressas frias reduzem a dor e os espasmos musculares.

8) Estimulação elétrica nervosa transcutânea: consiste na aplicação de pequenos estímulos elétricos (como se fosse pequenos choques, indolores), através da pele. Esses estímulos atuam nos nervos e evitam que eles transmitem os impulsos de dor. Porém, seu uso no tratamento da OA ainda é controverso.

Tratamento medicamentoso

Os medicamentos são elementos importantes no tratamento da OA, sendo que vários tipos podem ser utilizados. São eles:

1) Analgésicos: indicados quando o tratamento não medicamentoso falha, ou é insuficiente. Os analgésicos aliviam a dor, mas não reduzem a inflamação. Os mais usados são o paracetamol e a codeína. O paracetamol, usado nos casos de dor leve a moderada, é tóxico para o fígado, quando usado em altas doses, por isso deve-se empregar apenas a dose prescrita pelo médico. A codeína é indicada nos quadros mais graves, pelo menor tempo necessário.

2) Antiinflamatórios não-esteróides: esses medicamentos reduzem a dor e a inflamação, e estão indicados quando a inflamação é um componente importante ou quando os analgésicos isolados não apresentam efeito. A grande limitação ao uso desses antiinflamatórios é a ocorrência de efeitos colaterais relacionados ao tubo digestivo. Os pacientes costumam apresentar desconforto gástrico, formação de úlceras, sangramentos. Esses efeitos ocorrem principalmente em indivíduos idosos, com passado de úlcera, que estão apresentando sangramento atual ou estão em uso de anticoagulantes (medicamentos para "ralear o sangue"). Outro efeito colateral é a alteração dos rins, principalmente em quem já tem comprometimento da função desses órgãos.

Os agentes chamados não-seletivos são: aspirina, ibuprofeno e naproxeno. Eles são associados à ocorrência desses efeitos colaterais digestivos. Já os agentes seletivos não causam esses efeitos, são eles: celecoxib, etoricoxib.

3) Injeção intra-articular: em alguns casos pode ser necessário aplicar injeção de medicamentos no interior da articulação. Podem ser usados antiinflamatórios ou um líquido viscoso que ajuda a lubrificar a articulação. Indicados para os casos que não melhoram com o uso das medicações já descritas.

4) Colchicina e Hidroxicloroquina: indicados nos casos em que existe inflamação da articulação, e que não melhoram com os outros medicamentos.

Cirurgia

A cirurgia é realizada nos indivíduos com quadros muito graves, com limitação dos movimentos da articulação, que não respondem ao tratamento não-cirúrgico. Deve ser realizada antes que complicações como a atrofia muscular e as deformidades da articulação se desenvolvam.

Existem várias técnicas, entre elas: retirada dos tecidos inflamados; realinhamento; fusão ("ligação") permanente dos ossos; troca da articulação, com colocação de prótese; enxerto de cartilagem.

Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/4952/-1/tratamento-da-osteoartrite.html

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

PRESCRIÇÃO DE DROGAS ANTI-HIPERTENSIVAS

A hipertensão arterial é conceituada como uma síndromecaracterizada pela presença de níveis altos da pressão do sangue dentro das artérias, associados a alterações do metabolismo, dos hormônios e do aumento principalmente dos vasos sanguíneos e do coração. E traz, como conseqüências, alterações em vários órgãos: para o coração, o aumento do risco de infarto; para o cérebro, o aumento das possibilidades de ocorrência de um derrame cerebral; para os rins, o risco de insuficiência renal, dentre várias outras doenças.

O número de pessoas com hipertensão arterial é elevado, estimando-se que mais de 50 milhões de norte-americanos adultos possam ser rotulados como hipertensos. Cerca de 40% da população negra e mais da metade de toda a população maior de 60 anos de idade têm pressão alta. Embora seja mais comum em adultos, o número de crianças e de adolescentes que apresenta esta doença não é desprezível.

Como a hipertensão é considerada um dos principais fatores responsáveis pelo aumento dos casos de invalidez e de morte, ela tem sido alvo de atenção a nível mundial, estando os profissionais da área de saúde interessados em ampliar e aperfeiçoar os métodos de diagnóstico e de tratamento da hipertensão arterial.

Além da hipertensão, há vários outros fatores de risco para doenças cardiovasculares, tais como o hábito do fumo, o diabetes mellitus, níveis elevados de colesterol no sangue, a idade acima de 60 anos, homens, mulheres após a menopausa, historia familiar de infarto, obesidade, sedentarismo e estresse. 

O tratamento da hipertensão envolve o uso de drogas anti-hipertensivas unido a um tratamento não medicamentoso, em que se indica uma redução do peso corporal, uma redução do uso de sal, uma redução da ingestão de bebidas alcóolicas, a prática regular de uma atividade física, o abandono do tabagismo, o controle do colesterol com a diminuição do consumo de alimentos gordurosos, o controle dodiabetes e medidas anti-estresse. Essas medidas não medicamentosas envolvem uma mudança no estilo de vida de forma permanente, o que para muitos pacientes é extremamente difícil. Cabe aos profissionais da área de saúde esclarecer os possíveis riscos que os pacientes estão sujeitos enfatizando a necessidade do controle destes riscos.

Apesar de ser conhecido o fato de que a hipertensão é um fator importante para o aparecimento de doenças cardíacas e outras, a adesão dos pacientes ao tratamento é baixa. Contraditoriamente, mesmo os pacientes que recebem informações mais acuradas sobre os riscos que esta patologia envolve, parecem não aderir ao tratamento. Por outro lado, parece que os médicos que estimam os fatores de risco dos pacientes como um conjunto e com mais profundidade, recomendam com menos freqüência o início do tratamento. 

O estudo 

Tentando estabelecer se a adesão ao tratamento depende do conhecimento ou não pelo hipertenso dos reais transtornos que a pressão alta pode trazer para sua saúde, e se a prescrição médica está ou não baseada em uma procura mais acurada dos riscos de cada paciente, um pesquisador norueguês, Dr Nick Steel (da School of Health Policy and Practice, University of East Anglia) estabeleceu um estudo comparando o limite com que os especialistas, os clínicos gerais, as enfermeiras e a população em geral dariam início ao uso de drogas anti-hipertensivas. Para isso, ele enviou um questionário para esses profissionais e para um grupo de pessoas leigas, todos escolhidos aleatoriamente. Nesse questionário, o pesquisador formulou várias situações hipotéticas de risco, ou seja, ele criou pacientes fictícios que apresentavam graus variados de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, nos quais o tratamento traria benefícios diferenciados, de forma que, em alguns desses pacientes, o tratamento diminuiria muito a chance de complicações, e em outros (aqueles sem outros fatores de risco associados, por exemplo), nos quais o tratamento não teria um efeito protetor. 

Resultados e conclusões 

O trabalho mostrou que os especialistas indicariam o tratamento para mais pacientes e que os clínicos gerais indicariam em cerca da metade dos indicados pelos especialistas, e que as enfermeiras e a população em geral só indicariam tratamento em apenas um terço desses pacientes.

O pesquisador acredita que o tratamento da hipertensão está sujeito ao julgamento dos riscos que cada pessoa faz sobre si mesma. E o estudo mostrou também que o julgamento sobre os riscos difere muito de pessoa a pessoa.

O autor acredita que apesar do fato das situações serem hipotéticas, este estudo representa uma situação real. O questionário se referia mais à redução do risco de morte do que à do risco de doenças que podem surgir com a hipertensão, sem, no entanto, causarem morte. Ele acredita que as pessoas entendem melhor o risco de morte do que o risco de uma doença não-fatal, e nessas situações de risco de morte a adesão ao tratamento é maior.

Já é sabido que nos pacientes com 60 anos de idade, ou mais, o tratamento reduz o risco de morte e de doenças não fatais, enquanto que em adultos jovens, há poucas evidências de que o tratamento reduza a mortalidade, mas parece que tem um efeito protetor em relação ao risco de derrame cerebral. 

No último consenso da sociedade inglesa de hipertensão, ficou estabelecido que o tratamento da hipertensão deveria ser baseado no risco de desenvolvimento de doenças e de morte, e não propriamente nos níveis da pressão arterial. Esta nova tendência faz com que os médicos julguem livremente os riscos de cada paciente. Portanto, o autor acredita que principalmente os especialistas devam aceitar que os pacientes e que seus colegas profissionais participem da decisão sobre o início do tratamento, e se o mesmo vai ou não valer a pena.

Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3209/-1/a-prescricao-de-drogas-anti-hipertensivas-entre-profissionais-de-saude.html

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

DOENÇA POLICÍSTICA RENAL

"A doença policística além de rara, não tem dados consolidados sobre a sua incidência no mundo. Acredita-se que, nos países em desenvolvimento, por falta de um diagnóstico mais apurado, um número expressivo de crianças deixam de ser atendidas e falecem devido ao mal."

A doença policística faz parte de um contingente maior de doenças císticas renais, nas quais algumas são hereditárias e outras não. Trata-se de uma enfermidade rara, cujos dados sobre a incidência da doença são inexistentes, pois não há nenhum estudo aprofundado sobre o assunto que contemple informações das ocorrências em todo o mundo. 

Entretanto, para melhor se entender essa doença, é necessário compreender outras moléstias hereditárias do rim e congênitas, como é o caso a doença displásica policística. Essa doença caracteriza-se por ser, geralmente, unilateral e é gerada por um defeito embrionário, pois não existe desenvolvimento da parte filtrante em um dos rins.

No passado, quando se fazia o diagnóstico, era indicada imediatamente uma cirurgia, pois vigorava o conceito de que poderia haver uma malignização do tecido. Atualmente sabe-se que essa possibilidade é remota e praticamente inexistente. Nesse caso só é indicada cirurgia devido a um quadro de hipertensão severa do paciente, ou quando o volume da massa do cisto torna-se tão grande que chega a prejudicar as funções de outros órgãos. 

Doença Policística

A doença cística ou doença policística é de caráter hereditário e tem dois tipos de manifestações. A primeira é uma forma recessiva, dita infantil, e a outra forma é dominante, que é a versão adulta, chamada autossômica dominante. A doença recessiva ou infantil aparece, na maior parte das vezes, no primeiro ano de vida da criança. E, geralmente, quando já se instalou um grave comprometimento da função renal. 

O quadro costuma ser o mesmo ao de outras doenças citadas, pois a maioria das crianças apresenta hipertensão arterial grave e, da mesma forma, a evolução da insuficiência é inexorável, segundo o Dr. João Tomás de Abreu Carvalhaes, chefe do Setor de Nefrologia Pediátrica da Universidade Federal de São Paulo - Unifesp/EPM. Como é uma doença geneticamente induzida não existe tratamento clínico, explica o Dr. Carvalhaes. "O que se busca é tentar diminuir a pressão arterial, realizando uma intervenção nutricional; tentando que os desvios metabólicos que vão se instalando no organismo, em decorrência da insuficiência renal, não sejam tão agressivos para o resto do corpo". Quando a insuficiência renal se instala definitivamente é necessário a diálise ou o transplante, sempre. 

O fator limitante para uma boa evolução de uma doença policística na infância é o controle da pressão arterial que deve ser iniciada imediatamente ao diagnóstico feito. Pois, na medida que esse controle é mais precoce, melhor são os resultados na evolução da doença. Outra característica dessa doença é que nem sempre os cistos aparecem só no rim. Às vezes, aparecem em outras áreas, como o pulmão, fígado ou cérebro, entre outros órgãos do corpo da criança. A preocupação é maior, por parte dos médicos assistentes, quando um cisto é infectado, pois o tratamento é complexo e difícil.

Na doença policística, ao contrário do rim policístico, a doença compromete os dois rins, por isso é que se instala a insuficiência renal tão rapidamente; nos três ou até quatro anos de vida a criança portadora da anomalia genética já não têm atividades renais.

Para a doença policística, de forma diferente do que em outras doenças renais, é feito um tratamento sintomático, amenizador dos sintomas: o médico não trata da doença e sim, da conseqüência, comenta o Dr. Carvalhaes. Segundo ele, a terapêutica genética é a grande solução para estes tipos de males como os das doenças policísticas, pois o ideal é estimular o organismo para que ele próprio trate a doença.

Outro aspecto importante é a realização de um bom pré-natal. Atualmente, com a utilização da ultra-sonografia no pré-natal, é possível ser feito o diagnóstico precoce. Ao nascer a criança, os médicos assistentes, entre eles o nefrologista, já sabem qual é o quadro, e o tratamento é iniciado imediatamente. 

No entanto, há outras doenças como as Hidronefroses ou dilatação das vias excretoras do rim que podem ser confundidas na ultra-sonografia com doenças císticas, principalmente com o rim cístico. A partir do diagnóstico e para esses casos é feito um tratamento para minimizar o problema identificado, de forma a diminuir as conseqüências para o funcionamento renal, comenta o Dr. Carvalhaes. Identificando algum fenômeno obstrutivo na bexiga ou na uretra do feto, por exemplo, é possível intervir cirurgicamente no local. Dessa forma, ao aliviar o processo obstrutivo, diminui-se conseqüentemente a pressão no rim.

Doença Hepática

Existe uma outra doença que se associa ao rim cístico que é a Doença Hepática Congênita. Ao mesmo tempo em que vai havendo progressivamente a insuficiência renal, ocorre também a insuficiência hepática; determinado muitas vezes que haja por parte do médico assistente indicação para transplante de rim e de fígado ao mesmo tempo. Essa situação anteriormente descrita "implica em uma limitação muito grande ao fazer o prognóstico", comenta o Dr. Carvalhaes, "porque o risco é bem maior, devido à complexidade do tratamento".

Recomendações

A mais importante recomendação, na opinião do Dr. Carvalhaes, é o diagnóstico precoce, ou seja, um pré-natal bem feito. Os médicos de modo geral, não só os nefrologistas, devem estar alerta para essa possibilidade. Obstetras, neonatologistas e pediatras deveriam fazer investigações nesse sentido. "Embora seja uma doença rara", explica o Dr. Carvalhaes, "ela existe e está aí, principalmente se já houver antecedentes familiares. Ao fazer o diagnóstico, deve-se imediatamente encaminhar o paciente para um geneticista para que ocorra o aconselhamento genético. Embora não exista ainda uma terapêutica gênica, pelo menos o aconselhamento genético deve ser feito aos pais", conclui.

Não há dados de incidência da doença no Brasil. Por outro lado não existe um estudo colaborativo internacional entre organizações científicas. Explica o Dr. Carvalhaes que os centros importantes de nefrologia nos Estados Unidos e na Europa têm as suas próprias casuísticas, que são um reflexo das suas vivências, mas não um conhecimento global dos casos registrados.

Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3946/-1/a-doenca-policistica-renal-e-rara-e-demanda-atendimento-complexo.html

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A ASMA E O USO DE CORTICOSTEROIDES NA INFÂNCIA

"A mortalidade pela asma aumentou nas últimas décadas, a despeito das aquisições tecno-farmacológicas da medicina moderna. Muitos estudos estão sendo realizados mundialmente para explicar as causas da mortalidade, destacando-se: a doença não foi bem reconhecida; falha na orientação e esclarecimento dos pacientes (ou de suas famílias); uso inadequado ou exagerado de bombinhas (geralmente por falha de orientação do uso correto); os medicamentos não foram prescritos (ou ministrados) de maneira correta; houve retardo no uso precoce da cortisona; falha no reconhecimento dos sinais de alarme".

A Asma e suas Causas

A asma é uma doença grave que afeta pessoas de todas as idades, culturas e localizações geográficas. Embora cada pessoa possa apresentar sintomas diferentes, a definição de asma é muito específica. A doença consiste em um distúrbio inflamatório crônico dos pulmões, caracterizada por chiado, falta de ar, opressão torácica e tosse, a qual estima-se afetar mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo. É por vezes uma doença grave e potencialmente fatal. Apesar dos esforços para reduzir a morbidade e a mortalidade associadas à asma, a doença parece estar em ascensão, especialmente entre crianças. 

A asma é uma afecção grave que pode ter um impacto significativo na qualidade de vida de uma pessoa, e pode resultar em falta às aulas ou ao trabalho, bem como visitas não programadas ao médico ou ao hospital. Embora não haja cura, é uma doença que pode ser controlada, permitindo que a maioria das pessoas leve uma vida produtiva e ativa. 

Também conhecida como "bronquite asmática" ou como "bronquite alérgica", a doença acomete os pulmões e se acompanha de uma inflamação crônica dos brônquios. Os conhecimentos iniciais sobre a asma eram restritos, mas com os avanços da medicina nas últimas décadas, passou-se a conhecer melhor as suas causas, mecanismos envolvidos, surgindo novos medicamentos e tratamentos. 

"O primeiro passo no controle do asmático é o estabelecimento de uma boa relação médico-paciente. O médico deve ser preparado para este tipo de abordagem, a ponto de identificar as dificuldades inerentes a cada paciente, propondo-lhes soluções viáveis. Cada paciente apresenta a "sua" asma, ou seja, a asma varia de pessoa para pessoa, podendo mesmo variar numa mesma pessoa em diferentes fases de sua vida", explica Dra. Maria Cândida Rizzo, pesquisadora associada à Disciplina de Alergia, Imunologia Clínica e Reumatologia do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina.

A especialista explica que a crise da asma pode ser assim descrita: "tosse improdutiva, respiração curta, cansaço, chiado, rosto suado, inquietação, choro, às vezes prostração ou vômitos ocasionais". Tudo isso ocorre porque existe um obstáculo ao livre trânsito do ar nas vias aéreas: os brônquios e bronquíolos, que conduzem ar respirado para os pulmões, são elásticos e seu tamanho interno aumenta ou diminui durante os movimentos respiratórios. "Numa crise de asma, os brônquios estão contraídos (broncoespasmo), a mucosa que reveste as vias aéreas está inchada (edema) e as glândulas que produzem muco trabalham em excesso (gosma)", completa a doutora. Ao mesmo tempo, ocorre um processo de inflamação nas vias aéreas, que atua perpetuando a irritabilidade dos brônquios, mantendo a crise e a doença. Estas alterações ocorrem em determinadas áreas dos pulmões, enquanto outras estão bem e procuram compensar a oxigenação do organismo. Ao mesmo tempo, são acionados mecanismos de defesa que auxiliam na melhora da crise e na resposta aos remédios. 

Entretanto, é importante que uma crise seja prontamente medicada, pois os mecanismos naturais de compensação podem ser ultrapassados com piora da falta de ar e do sofrimento do doente. As crises, portanto, podem variar de intensidade. Quanto mais cedo se aprende a reconhecer os sintomas iniciais, mais facilmente se consegue evitar que uma crise forte se instale. A maioria das crises fortes pode ser prevenida porque a obstrução usualmente progride em vários dias, havendo tempo para um tratamento, antes que se torne grave e fatal. É rara uma crise súbita e rápida. O que acontece na maior parte das vezes é que o paciente não valoriza os sintomas, o próprio médico pode não avaliar adequadamente a gravidade do caso e uma crise pode complicar-se. "O paciente e sua família devem ser orientados para que o tratamento seja iniciado o mais precocemente possível", orienta Dra. Maria Cândida.

Tipos de Tratamento

Os medicamentos são de dois grupos: aqueles usados em crises, que combatem os sintomas da doença, neste caso utilizam-se broncodilatadores e antiinflamatórios; e aqueles usados para prevenir crises. O tratamento vai depender de uma série de fatores, tais como o tipo de crise. "Cada pessoa é uma pessoa, cada crise é uma crise e o tratamento vai ser diferente em cada ocasião da vida do paciente. O importante é seguir as recomendações do seu médico, que o ajudará a escolher o melhor tratamento. Evite repetir receitas antigas ou seguir conselhos de amigos ou balconistas de farmácia", alerta Dra. Maria Cândida.

No entanto, o tratamento inadequado de pacientes com asma persistente é mais comum do que se poderia imaginar. Esta foi uma das principais conclusões dos especialistas que participaram do Congresso Mundial sobre Saúde Pulmonar e do 10o Congresso Anual da Sociedade Européia de Respiração (ERS), realizados recentemente em Florença, Itália. O consenso geral aponta para a necessidade de comunicação mais clara entre médicos e pacientes para conter a crescente epidemia mundial da doença. 

Recente estudo apresentado no evento foi uma pesquisa italiana que incluiu 311 adultos e 305 crianças com asma, 100 pediatras, 200 clínicos gerais e 305 pais de crianças com asma. Das crianças, 63% sofriam com a doença, apesar de relatarem adesão às medicações preventivas inalatórias. No caso dos adultos, o percentual sobe para 67%. Vários estudos demonstraram que a adesão ao tratamento inalatório, em geral, é baixa, particularmente entre as crianças, atingindo cerca de 50% em média. Além disso, 60% dos pacientes adultos e 57% das crianças relataram não conseguir fazer tudo o que pessoas não-asmáticas fazem; 56% dos adultos e 50% das crianças relataram que não conseguiam praticar atividade física. O prof. Walter Canonica, alergista do Departamento de Medicina Interna da Universidade de Gênova, observou que há um descompasso entre o que os médicos pensam e a realidade vivida pelos pacientes. "Os médicos consideram a medicação eficaz para aliviar o sofrimento de seus pacientes enquanto estes afirmam que ainda estão sofrendo".

A Asma na Infância e o Uso de Corticosteróides

Nas maiores cidades do Brasil, conforme resultados do Estudo Internacional da Asma e Alergias na Infância - ISAAC, mais que 20% dos adolescentes de 14 anos têm asma. A asma é uma doença muito comum na infância e uma em cada 10 crianças tem asma. Falta de ar, tosse, chiado, noites mal dormidas, consultas a médicos, nebulizações, injeções e, o que é pior, limitações em jogos e brincadeiras, acabam deixando a criança insegura, assustada, sem entender o que está acontecendo. 

Os corticosteróides (orais ou inalatórios), usados para tratar alergias severas, são um dos remédios mais eficazes disponíveis atualmente para o tratamento da asma. Eles diminuem a inflamação e as respostas do sistema imunológico aos alergênicos aos quais a pessoa é sensível. O conhecimento atual de que a asma é uma doença inflamatória crônica tem justificado a administração cada vez maior e mais precoce dos corticosteróides, como tratamento preventivo para as crianças. De acordo com o Prof. Dr. Dirceu Solé, editor da Revista Brasileira de Alergia e Imunopatologia, publicação da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia, "estes medicamentos têm demonstrado efetividade independente da gravidade da asma, o seu uso precoce associa-se à prevenção de alterações estruturais, controle dos sintomas, redução das exacerbações agudas (hospitalizações), melhora da função pulmonar e diminuição da hiper-responsividade brônquica".

Contra-Indicações dos Corticosteroides

Entretanto, estudos recentes, de curto e médio prazo, têm associado o tratamento com corticosteroides inalatórios, sobretudo o dipropionato de beclometasona (DPB) a retardo de crescimento, mesmo quando utilizado em doses consideradas seguras (abaixo de 400 mcg/dia). Entre as várias causas de retardo de crescimento destacam-se: doenças genéticas, problemas nutricionais, distúrbios hormonais e doenças crônicas. Entre elas, a asma é apontada como causa significativa de baixa estatura em crianças. Na população geral, a prevalência de baixa estatura é de 2 a 3%. Em pacientes alérgicos, principalmente asmáticos, ela pode oscilar entre 2 e 10%. 

De acordo com Dr. Dirceu, várias hipóteses têm sido apontadas para explicar a maior freqüência de baixa estatura em pacientes asmáticos além do tratamento com corticosteroides: o tempo de duração da asma, a idade de início (mais precoce), a presença de alterações anatômicas dela decorrentes, e outros fatores principalmente associados às formas mais graves são alguns dos pontos principais incriminados pelos vários pesquisadores como responsáveis por tal retardo. Para o especialista, estudos mais aprofundados ainda são necessários para que se possa identificar de modo mais apropriado a real participação dos corticosteroides inalatórios no retardo de crescimento observado em alguns pacientes.

Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3844/-1/a-asma-e-o-uso-de-corticosteroides-na-infancia.html