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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

EVITE DOENÇAS COM PRESERVATIVO E HIGIENE BUCAL


A combinação de beijo, sexo e boca, sem cuidados de higiene e proteção, pode ser uma via de transmissão de inúmeras doenças. Afinal, as mucosas da boca e dos órgãos sexuais têm uma incrível capacidade de absorção. 

Se estiverem em contato com secreções, salivas, esperma e líquido vaginal contaminado, não é necessário nem a presença de feridas ou de sangramento para desencadear os sintomas. Por isso, o uso do preservativo é tão importante, mesmo na hora do sexo oral.

De cárie a sífilis

Só a troca de beijos, por exemplo, pode favorecer o desenvolvimento de hepatite C, gengivite e até mesmo de cárie e de algumas doenças sexualmente transmissíveis. Entre elas, estão gonorreia, herpes, sífilis e infecção pelo vírus HPV (o papiloma vírus, um dos principais responsáveis pelo câncer de colo de útero). A sífilis se manifesta na boca sob a forma de feridas, que podem ser confundidas com herpes. Já a gonorreia provoca inflamações bucais.

Não escove os dentes antes do sexo oral, porque pode sangrar durante a escovação, e, além da higiene bucal, aposte no uso da camisinha, tanto feminina quanto masculina, para se proteger dessas doenças.

Fonte Zero Hora

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

DOENÇAS SEXUAIS SÃO JULGADAS COM MAIS RIGOR PELO PÚBLICO



O público parece superestimar os riscos das DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) quando comparadas a outras ameaças à saúde.

Além disso, pesquisadores da Universidade de Michigan (EUA) constataram que as pessoas que possuem ou transmitem as DSTs são estigmatizadas.

Por exemplo, uma pessoa que inconscientemente transmite clamídia - e consequentemente faz com que o parceiro tenha que tomar antibióticos - é vista mais negativamente do que alguém que transmite a gripe H1N1, que pode resultar na morte da pessoa.

Isso pode ter consequências importantes sobre a saúde pública, uma vez que indivíduos que se sentem estigmatizados podem tomar decisões ainda mais arriscadas em vista do preconceito, o que pode afetar seus parceiros sexuais.

"Estigmatizar comportamentos não impede a ocorrência de atividades danosas à saúde. As DSTs são estigmatizadas, e isso pode impedir que as pessoas que suspeitam que tenham DSTs façam testes ou informem seus parceiros sobre a possibilidade de exposição à doença," disse a pesquisadora Terri Conley.

Assim, compreender o estigma em contextos de saúde é extremamente importante, disse Conley.

HIV versus acidente de carro

Usando uma série de estudos, Conley e seus colaboradores examinaram a extensão em que as infecções sexualmente transmissíveis e o comportamento sexual eram avaliados como "riscos" em comparação com outros comportamentos mais arriscados.

Os participantes do estudo foram convidados a julgar dois comportamentos de risco - um deles associado às DSTs (sexo sem proteção) e o outro associado à condução de carros. Os pesquisadores também avaliaram as percepções negativas das pessoas que transmitem DSTs em comparação com aquelas que transmitem uma outra doença, mas não sexualmente.

Os participantes tinham que fazer uma estimativa de quantas pessoas em um grupo de 1.000 poderiam morrer dirigindo em um trecho equivalente a ir de São Paulo ao Rio de Janeiro, em comparação com uma possível morte provocada pelo HIV, também estimando o mesmo grupo de pessoas.

Os voluntários apontaram um risco de morte 17 vezes maior das pessoas que contraíram o HIV, enquanto dados das autoridades de trânsito dão conta de que uma pessoa tem uma probabilidade 20 vezes maior de morrer vítima de um acidente de carro em uma viagem da distância considerada.

"Em outras palavras, as impressões dos participantes sobre o grau de risco do sexo desprotegido em comparação com dirigir nas estradas foram altamente imprecisas," disse Conley.

Os resultados foram publicados no International Journal of Sexual Health

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

SÍFILIS TEM CRESCIMENTO DE 30% EM UM ANO EM SANTA CATARINA



Maria foi até o posto de saúde perto de casa iniciar o pré-natal. A médica, ao fazer o exame, suspeitou de algumas pequenas feridas nos órgãos genitais da paciente e pediu para que fosse feito o teste de sorologias. O diagnóstico foi preciso: sífilis. Uma doença sexualmente transmissível muito antiga e da qual pouco se fala, mas que tem voltado a preocupar os profissionais da saúde, já que os casos vêm crescendo muito em praticamente todo o mundo. Aqui em Santa Catarina e no Brasil não tem sido diferente.

De acordo com os dados da Secretaria de Saúde, os casos cresceram 30% em 2014, com relação a 2013. Este ano os números seguem em alta (veja box). Maria foi tratada — esta é a boa notícia, a sífilis tem cura — e seu bebê nasceu saudável. O mais difícil foi convencer José, seu companheiro, a ir até o posto de saúde e fazer o teste, que também deu positivo. Ele fez o tratamento, que consiste basicamente na administração de injeções de penicilina (antibiótico), e agora garante que só faz sexo seguro, com o uso de preservativo.

Histórias como a de Maria e José se repetem todos os dias, mas nem sempre com finais felizes, por falta de prevenção e/ou realização de exames para detectar a sífilis ainda na sua fase primária. Por isso, o Novembro Azul — mês de conscientização para a saúde do homem — também vem sendo utilizado pelos médicos para alertar a população com relação às DSTs, especialmente a sífilis, devido ao alarmante aumento no número de pessoas infectadas nos últimos anos. A doença voltou a crescer porque a recomendação do uso de preservativos em todas as relações sexuais não vem sendo levada a sério por boa parcela da população.

A gerente da Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde de Florianópolis, Ana Cristina Vidor, explica que a sífilis é uma doença na maioria das vezes silenciosa. Por isto, muitas pessoas e em especial os homens podem portar a doença durante muitos anos sem saber. Entretanto, nas suas fases mais avançadas, a doença afeta vários órgãos, como o coração e o cérebro, por exemplo, podendo provocar doenças graves e até fatais.

— O número de casos em homens é maior que em mulheres. Entretanto, um fato chama a atenção: apenas 30% das pessoas que fazem exames para sífilis são homens, mesmo eles respondendo por 70% dos exames com resultado positivo para a doença — comenta a médica.

Este é um problema cultural. Os homens, de uma maneira geral, só entram em um consultório médico após muita insistência de suas mulheres e filhos. E é isso o que precisa mudar.


Mulheres grávidas exigem atenção especial

A sífilis é uma DST causada pela bactéria Treponema pallidum. A infecção da mulher grávida pode provocar má formação do feto e aborto. Quando nasce, o bebê com sífilis (doença congênita) apresenta graves sequelas que podem variar entre pneumonia, feridas no corpo, cegueira, problemas ósseos, surdez ou deficiência mental. Se as gestantes fizerem o diagnóstico em tempo apropriado e o tratamento correto, realizado com a administração de três doses de penicilina, as chances de infecção do bebê caem consideravelmente.

Segundo Ana Cristina Vidor, que também é Médica de Família, pode-se dizer que a possibilidade de infecção é maior nos homens: de cada 100 homens que fizeram o exame no Laboratório Municipal de Florianópolis, 17 estavam com sífilis, enquanto que, para as mulheres, esta proporção estava em 4 para cada 100.

Todas as pessoas sexualmente ativas devem realizar o teste para diagnosticar a sífilis, independente de apresentarem sintomas. O teste rápido é um exame realizado a partir de uma gota de sangue, disponibilizado nas Unidades Básicas de Saúde, gratuito e sigiloso.

— Em menos de 30 minutos, o paciente tem o resultado e, se for o caso, pode iniciar o tratamento de forma imediata — informa o médico infectologista Filipe de Barros Perini, da Gerência de DSTs/Aids e Hepatites Virais da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive/SC).

O especialista ressalta que é importante solicitar o teste também ao parceiro da gestante, e incluí-lo no tratamento. Somente assim será possível reduzir a quantidade da bactéria circulando na cidade, no Estado e no país.

A sífilis é transmitida principalmente nas relações sexuais sem proteção. A doença também pode ser transmitida de forma vertical ou congênita, ou seja, a partir da mãe contaminada para o bebê. Pode ser, ainda, transmitida na transfusão de sangue contaminado e pelo contato com lesões ativas de pele ou mucosas. Numa relação sexual, a chance de infecção da Treponema pallidum é de 60%", explica Perini.

Fonte Diário Catarinense

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

TER O VÍRUS HIV NÃO É O MESMO QUE TER AIDS; VEJA MITOS E VERDADES



*Aids e HIV são a mesma coisa. MITO: Aids é a doença, e o HIV é o vírus que transmite a doença. Ter o vírus não significa ter Aids, pois a pessoa pode passar muitos anos com o HIV sem que a doença se manifeste. "Hoje a gente fala em quem tem HIV e quem tem Aids, pois quem tem o HIV e faz o tratamento correto pode vir a não manifestar a doença", explica o médico infectologista e imunologista Esper Kallas, professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e coordenador do comitê de retroviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

*Sexo oral transmite HIV. VERDADE: isso foi controverso durante muito tempo, mas várias pesquisas científicas comprovaram que é possível ser infectado desta forma. O contato com os fluídos durante o sexo oral, especialmente se há ferimentos na boca de quem pratica (gengivites, aftas, machucados causados pela escova de dente), pode transmitir o vírus HIV. No entanto, o risco de infecção é menor, se comparado com outras formas de contágio (sexo vaginal, sexo anal e compartilhamento de seringas, por exemplo), segundo cartilha sobre Aids do Ministério da Saúde.

*Pessoas casadas ou em relacionamentos estáveis não precisam se preocupar com a Aids. MITO: atualmente, o índice de Aids cresceu muito entre mulheres casadas ou com parceiro fixo. "A Aids hoje está afetando mulheres jovens, que têm relações sexuais com parceiros variados ou fixos sem uso de proteção, além de mulheres idosas que acreditam que relações de longa duração afetiva envolvem fidelidade sexual", aponta Regina Figueiredo, coordenadora de Projetos em Saúde Sexual e Reprodutivos do Núcleo de Estudos para a Prevenção Aids da USP e pesquisadora do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo. Por isso é importante, mesmo em um relacionamento estável, fazer sexo com proteção.

*O risco de contágio pelo sexo anal é maior. VERDADE: o vírus HIV pode ser transmitido através do sexo anal e a taxa de contágio é maior do que a do sexo vaginal, por exemplo. "Isso porque a mucosa anal é mais frágil do que a vaginal, sendo mais suscetível ao contágio", explica o médico infectologista e imunologista Esper Kallas, professor da Faculdade de Medicina da USP.

*Ainda existem grupos de risco. MITO: se no início da epidemia a doença afetava mais homossexuais, usuários de drogas injetáveis e hemofílicos, hoje o vírus ameaça qualquer pessoa, de qualquer camada social. "Hoje se fala em comportamento de risco, pois não há mais faixas em que um homossexual tenha mais chance de ter a doença do que uma mulher heterossexual, por exemplo. Ambos estão expostos ao mesmo risco. O que define isso é o comportamento", afirma o médico infectologista e imunologista Esper Kallas, coordenador do comitê de retroviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

*Camisinha protege contra o vírus HIV. VERDADE: camisinha continua sendo o melhor método preventivo, e também evita outras formas de doenças sexualmente transmissíveis. Estudos norte-americanos já esticaram o látex, material do preservativo, em 30 mil vezes e não detectaram nenhum poro pelo qual o vírus pudesse passar. Mas é sempre bom verificar se a camisinha é inspecionada por órgãos competentes, para garantir sua segurança.

*Filhos de portadores de HIV também terão o vírus. MITO: "Hoje é possível uma mulher com HIV planejar uma gravidez e ter uma família. Se ela estiver fazendo o tratamento corretamente e com um pré-natal adequado, a chance de infectar o bebê é muito baixa", garante o médico infectologista e imunologista Esper Kallas. Para isso, a mãe deve ter baixa carga viral e boa imunidade, e ainda receber antirretrovirais ao longo da gestação. No entanto, ela não poderá amamentar, já que o leite materno pode transmitir o vírus. No caso dos homens, eles só podem ter filhos através de tratamento de fertilidade, por meio de um processo chamado de "dupla lavagem de sêmen", que garante que nem o bebê nem a mulher sejam infectados.

*Mulheres têm mais chance de contrair HIV do que homens. VERDADE: mulheres são mais vulneráveis porque sua área de contato, a mucosa vaginal, é maior do que a masculina (a entrada da uretra ou pelo prepúcio). "Além disso, a mulher fica com o esperma 'vivo' em seu corpo depois da ejaculação, aumentando não só a área exposta, mas o tempo de exposição a uma quantidade de líquido mais abundante que a lubrificação vaginal", explica Regina Figueiredo, coordenadora de Projetos em Saúde Sexual e Reprodutivos do Núcleo de Estudos para a Prevenção Aids da USP e pesquisadora do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo.

*Aids ainda atinge mais os homossexuais. VERDADE: apesar de ter diminuído nesse grupo, a taxa de infecção entre homens que fazem sexo com outros homens ainda é grande, em torno de 10,5%, de acordo com o último levantamento do Ministério da Saúde.

*O tratamento com os coquetéis impede totalmente a manifestação da doença. MITO: "O tratamento atual é muito eficaz, e impede em boa parte dos casos. Mas, às vezes, os medicamentos podem não ter o efeito esperado em determinados pacientes, ou o portador começa a tomá-los muito tarde e torna mais difícil o processo. O tratamento não é simples: ele exige adesão e acompanhamento para ter sucesso", afirma o médico infectologista e imunologista Esper Kallas, professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

*Beijo na boca pode transmitir HIV. MITO: a saliva tem várias substâncias prejudiciais ao vírus, a possibilidade de alguém ser infectado durante o beijo é mínima (o risco é menor de 0,1%) e existe apenas se tiver com um ferimento grande na boca.

*Equipamentos de salão de beleza não esterilizados passam HIV. VERDADE: objetos perfuro-cortantes com presença de sangue podem transmitir o vírus se não forem devidamente esterilizados. Para tanto, devem ser limpos, desinfetados e esterilizados, preferencialmente com o uso de autoclaves, de acordo com recomendação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). "Se a pessoa facilita o contato com objetos que contenham traços sanguíneos, como seringas e agulhas utilizadas para outra pessoa, pode se infectar", alerta Regina Figueiredo, coordenadora de Projetos em Saúde Sexual e Reprodutivos do Núcleo de Estudos para a Prevenção Aids da USP.

*Ninguém morre de Aids. VERDADE: o que mata na verdade são as infecções oportunistas, que se tornam frequentes, agressivas e difíceis de tratar devido a deterioração do sistema imunológico da pessoa. Portanto, a pessoa não morre de Aids, mas em decorrência dela.

*Não é preciso se preocupar com a Aids porque já existe tratamento. MITO: Aids é uma doença séria, e não dá pra descuidar. Apesar dela ter tratamento, não tem cura e ainda faz muitas vítimas no mundo todo. Além disso, os medicamentos devem ser tomados por toda a vida e podem causar efeitos colaterais, como diarreia e vômito. "Tem pessoas que com o tratamento conseguem diminuir o vírus no corpo a ponto dele não ser mais detectável. Estas dificilmente transmitem o vírus. Mas isso não significa que podem se descuidar", afirma o médico infectologista e imunologista Esper Kallas.

*Portadores de HIV não precisam fazer sexo seguro entre si. MITO: Este é um dos maiores mitos sobre a Aids. O sexo sempre deve ser seguro, para se evitar Aids, outras doenças sexualmente transmissíveis e até uma gravidez indesejada. Além disso, pessoas soropositivas que fazem sexo sem proteção podem entrar em contato com outro subtipo de HIV ou mesmo aumentar sua carga viral.

*Quem é HIV positivo não pode mais trabalhar ou realizar atividades sociais. MITO: pessoas que tenham o vírus HIV podem continuar a viver normalmente, trabalhando estudando, realizando atividades lúdicas e se relacionando afetivamente. E também têm o direito a isso. "Muitas pessoas infectadas que têm o tratamento adequado conseguem ter uma vida muito próxima do normal, e com qualidade, por muitos anos", afirma o médico infectologista e imunologista Esper Kallas, professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e coordenador do comitê de retroviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

CASOS DE AIDS ENTRE JOVENS CRESCEM 30% EM SANTA CATARINA


Ana* tinha 19 anos quando soube, na hora do parto, que não poderia amamentar seu primeiro filho. Foi naquele momento que ela descobriu que havia contraído HIV de seu marido, com quem morava havia três anos e não usava preservativo. Neste mês o ex-companheiro, que era usuário de drogas, faleceu por não seguir o tratamento à risca.

— A doença mudou, os remédios estão mais fortes, mas o preconceito continua o mesmo. Muitos dizem que dá para viver bem com HIV, mas não é fácil, você não pode beber porque corta o efeito do remédio e se quiser ter filhos tem que ter acompanhamento médico — reforça a moradora de Palhoça, hoje com 26 anos. 

Além do preconceito, Ana passou por uma depressão, mas atualmente enfrenta, com otimismo, a dose diária de seis comprimidos e planeja o futuro ao lado do filho que não foi infectado. Os jovens continuam sendo um dos grupos que mais preocupam em relação ao vírus, junto à população carcerária e profissionais do sexo, pela vulnerabilidade e alta concentração da epidemia. 

Entre 2013 e 2014, o número de soropositivos entre 15 e 24 anos saltou quase 30% em SC, o maior percentual entre as faixas etárias. Em 2015, até outubro deste ano, foram 378 novos casos entre os jovens. Porém há grupos, como é o caso dos idosos, que também apresentam aumento nos casos, embora de forma mais lenta, e que acendem o alerta pela falta de ações específicas. 

Para o infectologista Fábio Gaudenzi de Faria, superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde, a prevenção da aids envolve uma mudança de comportamento, que é o uso de preservativos, por isso a resposta às medidas de saúde pública são mais lentas.

— As gerações mais novas não viveram o pânico da década de 80 e 90 que a aids representava dentro da população, então acabaram valorizando muito pouco a prevenção com preservativo. Outras DSTs têm aumentado também, como a sífilis — explica. 

Faria reforça que hoje um dos grandes desafios em SC é implementar o teste rápido em todas as unidades de saúde do Estado, além de capacitar as equipes médicas para o tratamento precoce: 

— Quanto mais pessoas souberem antes do seu diagnóstico, mais cedo a gente inicia o tratamento e menos transmissão temos — resume. 

Para a professora do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pesquisadora do tema Betina Schlindwein Meirelles, há inúmeros desafios na prevenção e controle da infecção pelo HIV, que não se resolvem em campanhas pontuais: 

— Precisamos de ações que estejam incorporadas no cotidiano dos serviços de saúde, com qualificação contínua dos profissionais, bem como o planejamento de ações integradas nesse âmbito. Isso implica no envolvimento também de outros setores da sociedade, como educação, trabalho, organizações da sociedade civil. 

*O nome original foi alterado a pedido do entrevistado, para preservar a identidade e barrar o preconceito.
Fonte Diário Catarinense

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

SANTA CATARINA É O 3º ESTADO COM MAIOR ÍNDICE DE MORTALIDADE POR AIDS


A Secretaria de Saúde de Santa Catarina divulgou nesta terça (24) que o estado ocupa o terceiro lugar no ranking nacional em mortalidade em função da Aids atrás apenas do Amazonas (2º) e do Rio Grande do Sul (1º). Entre janeiro e outubro de 2015, foram registrados 391 mortes. Em 2014, 673 morreram em decorrência da doença.

Segundo o órgão, 12 municípios catarinenses possuem taxas de detecção de HIV superiores a média nacional, que é de 20 infectados para cada 100 mil habitantes. Eles são Balneário Camboriú (77,4), Itajaí (76,3), Florianópolis (65,2), Criciúma (59,9), São José (56,2), Palhoça (53,5), Brusque (46,1), Joinville (41,2), Blumenau (35,9), Lages (30,2), Jaraguá do Sul (28,0) e Chapecó (25,2).

A Secretaria integra um projeto nacional que prioriza ações de prevenção buscam ter maior acesso ao diagnóstico da Aids. Entre as ações, foi criado um site informativo com relação de locais que realizam testes rápidos.

Em todo o Brasil, está prevista a reestruturação dos serviços de saúde, as ações de prevenção e as parcerias com as Organizações da Sociedade Civil (OSCs), além do incremento das ações de vigilância epidemiológica e de pesquisa. O intuito é estabelecer metas e práticas eficazes para combater efetivamente a epidemia de HIV/Aids e suas coinfecções.

Fonte G1

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

OMS ALERTA QUE TUBERCULOSE JÁ MATA MAIS QUE A AIDS NO MUNDO

Uma doença de mais de 8 mil anos, curável, cujo tratamento está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, mas que tem matado no mundo mais que a Aids, segundo dados divulgados ontem pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A tuberculose faz 1,5 milhão de vítimas por ano, enquanto a Aids, em 2014, matou 1,2 milhão. “A tuberculose agora divide a liderança do ranking com o HIV como os maiores responsáveis por mortes no mundo”, indicou a OMS ontem, em um relatório.


Por ano, 9,6 milhões de novos casos de tuberculose são registrados no mundo

No ano passado, a tuberculose matou 890 mil homens, 480 mil mulheres e 140 mil crianças, segundo o órgão. De 1,5 milhão de vítimas, 400 mil haviam sido infectadas pela Aids. Por ano, 9,6 milhões de novos casos de tuberculose são registrados – 54% deles estão na China, Índia, Indonésia, Nigéria e Paquistão. O Brasil, apesar dos avanços, continua entre os 22 países considerados de alta incidência da doença. Em 2014, registramos 81 mil novos casos.

“Quem tem o HIV fica mais suscetível a ter a tuberculose, que é uma infecção oportunista. Ela ataca o sistema imunológico fragilizado, que no caso de quem tem o HIV está com o sistema de defesa deprimido. Entre 12% e 17% dos pacientes com tuberculose têm Aids. E olha que paradoxo: a tuberculose tem cura e a Aids, ainda não”, pontua a médica pneumologista Munira Martins de Oliveira, coordenadora do Setor de Tuberculose do Hospital Júlia Kubitscheck, da Rede Fhemig, em Belo Horizonte. A unidade hospitalar é referência em centro terciário no estado para doenças do pulmão, ou seja, trata casos difíceis e graves, que já passaram pela rede básica e pelas unidades de pronto atendimento (UPAs).

A diferença básica entre as doenças está no fato de a tuberculose ter cura, e a Aids, não. Então, porque ainda tem gente morrendo de um mal para o qual há tratamento? Na visão de Munira, ocorre uma rede inteira de falhas.

“Falhamos quando o sistema básico não faz o diagnóstico precoce, ninguém vai atrás dos contatos (que são as pessoas que vivem no mesmo ambiente que o doente) e não há supervisão do tratamento. O correto e ideal seria o agente de saúde ir diariamente à casa do tuberculoso em tratamento e vê-lo engolir o remédio”, diz a médica. Para ela é inadmissível haver jovens de 20, 30 anos, em idade de produção econômica e intelectual, doentes e acamados.

Segundo informações do Ministério da Saúde, no Brasil, a tuberculose é sério problema da saúde pública, com profundas raízes sociais. A cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil casos novos e ocorrem 4,6 mil mortes em decorrência da doença. O Brasil ocupa o 17º lugar entre os 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose no mundo. Em Minas Gerais, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), 4.612 pessoas foram diagnosticadas com tuberculose no ano passado. Onze por cento dos pacientes abandonaram o tratamento e 3% morreram.

“Temos uma média de 2,1 óbitos para 100 mil habitantes no Brasil, um índice alto para um mal curável. E, em média, entre 70 mil e 80 mil novos casos por ano no país, sendo que de 10% a 20% das pessoas abandonam o tratamento. Depois de muitos anos marginalizada, a tuberculose voltou com a Aids, nos anos 1980 e 1990, e caiu. Agora, o que vemos é a mortalidade aumentando porque o diagnóstico está sendo feito tardiamente e o paciente já chega com estágio avançado da doença. Um dos pontos-chave é identificar doenças associadas, ou seja, se chega um paciente com HIV, é preciso investigar se ele tem o bacilo de Coc (causador da tuberculose) e em todos os tuberculosos, fazer o teste de HIV. Nosso óbito para tuberculose tem que ser zero. Não há razão para não sê-lo”, explica Munira.

INVESTIMENTOS 

A OMS admite que novos remédios, tecnologia para o diagnóstico e uma maior atenção dos governos conseguiram salvar 43 milhões de vidas entre 2000 e 2015. No entanto, é preciso mais investimentos. “Existem avanços. Mas, se o mundo quer colocar um fim a essa epidemia, ele precisa investir em pesquisa e aumentar os serviços”, disse ontem a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. O buraco nas contas chega a US$ 1,4 bilhão, de um total de US$ 8 bilhões necessários para implementar uma estratégia para frear a doença. A partir de 2016, a OMS vai estabelecer como prioridade um programa para erradicar a tuberculose até 2030 e cortar as mortes em 90%. (Com Agência Estado).

Fonte Saúde Plena

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

AIDS: ENTENDA COMO FUNCIONA O COQUETEL DO DIA SEGUINTE


Disponível no Sistema Único de Saúde, o coquetel do dia seguinte é uma combinação de medicamentos de emergência para evitar a infecção do vírus HIV. Apesar do nome, os remédios preventivos precisam ser tomados por um período de 28 dias.

O coquetel consiste no uso combinado dos mesmos princípios ativos dos medicamentos para o tratamento da Aids e pode causar efeitos colaterais. Os sintomas adversos são mais fortes nos primeiros dias e apresentam melhora no decorrer do processo.
Quando tomar o coquetel do dia seguinte

Considerado um tratamento de profilaxia pós-exposição, o coquetel do dia seguinte é indicado para qualquer pessoa que teve contato sexual desprotegido ou ficou exposto à contaminação. Acidentes de trabalho, sexo desprotegido, rompimento da camisinha e casos de estupro são situações que exigem o uso da medicação.

Consumir a droga preventiva é um direito de todos que correm o risco de infecção. A ingestão dos medicamentos deve ser feita até 72 horas após a possível exposição ao vírus HIV, mas quanto mais cedo for tomado, maiores as chances de fazer efeito.

O Departamento de DST, Aids e Hepatite Virais do Ministério da Saúde informa que qualquer pessoa que procure hospitais ou postos de atendimento para receber o coquetel passará por uma consulta e um médico fará uma avaliação da necessidade dos medicamentos. O tipo de relação sexual e o estilo de vida do parceiro são critérios para a decisão.

Se o parceiro é portador do vírus HIV e já toma remédios para conter a doença, será preciso informar quais os ativos que fazem parte do tratamento. A fórmula dos medicamentos fortalece o sistema imunológico na tentativa de impedir que a doença se instale ou progrida.

O acesso gratuito ao coquetel não dispensa, em nenhum momento, o uso de camisinha em todas as relações sexuais. O preservativo é uma proteção contra outras doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez indesejada.

Fonte Nortão Jornal

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

MICRÓBIO ENCONTRADO NA VAGINA PODE LEVAR AO BLOQUEIO DO VÍRUS DA AIDS



Um micróbio encontrado naturalmente na vagina pode se tornar uma nova arma no combate à Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.

Estudo publicado ontem na revista científica “mBio”, editada pela Sociedade Americana para a Microbiologia, mostra que o muco cervico-vaginal de mulheres que possuem uma espécie particular de bactéria é capaz de efetivamente capturar partículas do vírus HIV, servindo como um bloqueio natural contra infecções. Entretanto, alertam os pesquisadores, o bioma vaginal varia entre as mulheres e até entre as diferentes etapas na vida de uma mesma pessoa.

— As superfícies mucosas, como pulmões, trato intestinal e o sistema reprodutivo feminino, são onde a maioria das infecções ocorrem — diz Sam Lai, professor de Farmácia na Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, e autor do estudo. — Nossos corpos secretam mais de seis litros de muco todos os dias como uma primeira linha de defesa.

Os pesquisadores coletaram amostras de muco cervico-vaginal de 31 mulheres em idade reprodutiva e mediram diversas propriedades do material. Entre os exames, foram introduzidas partículas do HIV, e foi possível separar as amostras em dois grupos distintos: os que capturavam as partículas e os que deixavam o patógeno circular livremente.

Uma das diferenças entre os dois grupos foi o maior nível de ácido lático D nas amostras que capturaram o HIV. Como os humanos não produzem essa substância, os cientistas suspeitaram que micróbios que vivem na camada de muco eram os responsáveis pela diferença na quantidade de ácido lático D.

Com o sequenciamento genético das bactérias, os pesquisadores concluíram que o muco capaz de bloquear o vírus possuía grandes concentrações da bactéria Lactobacillus crispatus. Em contraste, o muco que falhou em capturar o HIV possuía uma outra espécie de Lactobacillus, a L. iners, ou possuía múltiplas espécies de bactéria, incluindo a Gardnerella vaginalis. Essas duas condições são associadas frequentemente com vaginoses bacterianas.

— Eu fiquei realmente surpreso em como pequenas diferenças entre espécies de Lactobacillus proporcionam diferença substâncial nas propriedades da barreira do muco — destaca Lai, lembrando que, historicamente, os ginecologistas consideravam a microflora vaginal como saudável se fosse dominada por qualquer espécie de Lactobacillus. — Mas nosso trabalho mostra que da perspectiva da barreira do muco, essa não é uma boa distinção.

Com os resultados desta pesquisa, agentes de saúde devem se preocupar mais com mulheres que possuírem populações de Lactobacillus iners. E, por outro lado, microfloras dominadas pelo Lactobacillus crispatus se mostraram mais protetivas contra o HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis do que se imaginava.

As análises demonstraram que a barreira do muco funcionam com partículas do HIV, mas também com outros vírus. Sedungo Lai, o muco cervico-vaginal pode ser pensado como uma “camisinha biológica”, que pode ser reforçada pela alteração do bioma vaginal das mulheres.

— Se nós encontrarmos uma forma de inclinar a batalha em favor do L. crispatus nas mulheres, nós poderemos aumentar as propriedades da barreira natural do muco e melhorar a proteção contra doenças sexualmente transmissíveis — conclui Lai.

Fonte IG Notícias