segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

OMS ALERTA QUE TUBERCULOSE JÁ MATA MAIS QUE A AIDS NO MUNDO

Uma doença de mais de 8 mil anos, curável, cujo tratamento está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, mas que tem matado no mundo mais que a Aids, segundo dados divulgados ontem pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A tuberculose faz 1,5 milhão de vítimas por ano, enquanto a Aids, em 2014, matou 1,2 milhão. “A tuberculose agora divide a liderança do ranking com o HIV como os maiores responsáveis por mortes no mundo”, indicou a OMS ontem, em um relatório.


Por ano, 9,6 milhões de novos casos de tuberculose são registrados no mundo

No ano passado, a tuberculose matou 890 mil homens, 480 mil mulheres e 140 mil crianças, segundo o órgão. De 1,5 milhão de vítimas, 400 mil haviam sido infectadas pela Aids. Por ano, 9,6 milhões de novos casos de tuberculose são registrados – 54% deles estão na China, Índia, Indonésia, Nigéria e Paquistão. O Brasil, apesar dos avanços, continua entre os 22 países considerados de alta incidência da doença. Em 2014, registramos 81 mil novos casos.

“Quem tem o HIV fica mais suscetível a ter a tuberculose, que é uma infecção oportunista. Ela ataca o sistema imunológico fragilizado, que no caso de quem tem o HIV está com o sistema de defesa deprimido. Entre 12% e 17% dos pacientes com tuberculose têm Aids. E olha que paradoxo: a tuberculose tem cura e a Aids, ainda não”, pontua a médica pneumologista Munira Martins de Oliveira, coordenadora do Setor de Tuberculose do Hospital Júlia Kubitscheck, da Rede Fhemig, em Belo Horizonte. A unidade hospitalar é referência em centro terciário no estado para doenças do pulmão, ou seja, trata casos difíceis e graves, que já passaram pela rede básica e pelas unidades de pronto atendimento (UPAs).

A diferença básica entre as doenças está no fato de a tuberculose ter cura, e a Aids, não. Então, porque ainda tem gente morrendo de um mal para o qual há tratamento? Na visão de Munira, ocorre uma rede inteira de falhas.

“Falhamos quando o sistema básico não faz o diagnóstico precoce, ninguém vai atrás dos contatos (que são as pessoas que vivem no mesmo ambiente que o doente) e não há supervisão do tratamento. O correto e ideal seria o agente de saúde ir diariamente à casa do tuberculoso em tratamento e vê-lo engolir o remédio”, diz a médica. Para ela é inadmissível haver jovens de 20, 30 anos, em idade de produção econômica e intelectual, doentes e acamados.

Segundo informações do Ministério da Saúde, no Brasil, a tuberculose é sério problema da saúde pública, com profundas raízes sociais. A cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil casos novos e ocorrem 4,6 mil mortes em decorrência da doença. O Brasil ocupa o 17º lugar entre os 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose no mundo. Em Minas Gerais, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), 4.612 pessoas foram diagnosticadas com tuberculose no ano passado. Onze por cento dos pacientes abandonaram o tratamento e 3% morreram.

“Temos uma média de 2,1 óbitos para 100 mil habitantes no Brasil, um índice alto para um mal curável. E, em média, entre 70 mil e 80 mil novos casos por ano no país, sendo que de 10% a 20% das pessoas abandonam o tratamento. Depois de muitos anos marginalizada, a tuberculose voltou com a Aids, nos anos 1980 e 1990, e caiu. Agora, o que vemos é a mortalidade aumentando porque o diagnóstico está sendo feito tardiamente e o paciente já chega com estágio avançado da doença. Um dos pontos-chave é identificar doenças associadas, ou seja, se chega um paciente com HIV, é preciso investigar se ele tem o bacilo de Coc (causador da tuberculose) e em todos os tuberculosos, fazer o teste de HIV. Nosso óbito para tuberculose tem que ser zero. Não há razão para não sê-lo”, explica Munira.

INVESTIMENTOS 

A OMS admite que novos remédios, tecnologia para o diagnóstico e uma maior atenção dos governos conseguiram salvar 43 milhões de vidas entre 2000 e 2015. No entanto, é preciso mais investimentos. “Existem avanços. Mas, se o mundo quer colocar um fim a essa epidemia, ele precisa investir em pesquisa e aumentar os serviços”, disse ontem a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. O buraco nas contas chega a US$ 1,4 bilhão, de um total de US$ 8 bilhões necessários para implementar uma estratégia para frear a doença. A partir de 2016, a OMS vai estabelecer como prioridade um programa para erradicar a tuberculose até 2030 e cortar as mortes em 90%. (Com Agência Estado).

Fonte Saúde Plena

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