Tudo começa com uma picada que não dói, não coça nem deixa marcas na pele: pronto, seu organismo já está infectado pelo zika, o vírus transmitido pelo mosquito aedes aegypti que tem causado pânico e ganha contornos de epidemia no Brasil. A partir daí, os pacientes se dividem em dois grupos, o dos que apresentam sintomas, e o dos que não têm qualquer sinal de que foram infectados. No entanto, qualquer que seja o desdobramento, o vírus seguirá o mesmo caminho dentro do organismo doente.
A princípio, ele fica de três a sete dias “estacionado” nos vasos capilares, veias muito finas presentes em uma camada superficial da pele, onde o zika vai se multiplicar até finalmente cais na corrente circulatória. De acordo com Artur Timerman, especialista em moléstias infecciosas pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em dois dias 20% das pessoas picadas apresentam febre, coceira, dores e manchas.
— É um vírus bem traiçoeiro. Se levarmos em conta que só um quinto das pessoas tem sintomas, é possível pressupor que já tivemos 2,5 milhões sem sintomas, que não foram identificados.
O objetivo do zika, presente no material que o mosquito inocula durante a picada, é, como o de qualquer ser vivo, se replicar. Timerman explica que cada vírus se multiplica de acordo com a célula para a qual ele tem uma afinidade. Como no caso da hepatite, por exemplo, os vírus são programados para se dirigir ao fígado, o zika tem como missão principal atacar as células do sistema imunológico.
— Ele infecta os linfócitos (células de defesa) que estão circulando na nossa corrente sanguínea. Daí acontece a multiplicação do vírus, até que sobrevenha a imunidade, acabando, assim, com o zika.
Fonte R7

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