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quarta-feira, 29 de junho de 2016

POR TRÁS DESSES ÓCULOS

SXC Banco de Imagens.
SXC Banco de Imagens.



Está vendo todas as letras aí em cima direitinho? Caso não esteja, não precisa se assustar: um acessório que há muito faz parte do nosso cotidiano pode ajudá-lo nesta tarefa.

A história dos óculos remonta à era pré-cristã. Os primeiros registros de seu uso estão em textos do filósofo chinês Confúcio datados de 500 a. C. Então, os óculos não tinham graus e eram usados como enfeite ou como forma de distinção social.

Embora as propriedades ampliadoras de um pedaço de vidro curvo fossem conhecidas desde pelo menos 2.000 a. C., a fabricação de lentes só se torna possível na Idade Média, com o aperfeiçoamento feito pelo matemático árabe Al-Hazen das leis fundamentais da óptica – parte da física que estuda os fenômenos relativos à luz e à visão.

Nessa época, dentro dos mosteiros, berilo, quartzo e outras pedras preciosas são lapidadas e polidas a fim de produzir a chamada pedra-de-leitura, um tipo de lupa muito simples. Em 1267, o monge franciscano Roger Bacon leva uma dessas pedras-de-leitura ao papa Clemente IV e consegue demonstrar sua utilidade para aqueles que têm alguma dificuldade de visão.

Museo Dell
Museo Dell'Occhiale, Itália.
O primeiro par de lentes com graus unido por aros de ferro e rebites surge na Alemanha em 1270. Esses óculos primitivos não têm hastes e são ajustados apenas sobre o nariz. Pouco depois, modelos semelhantes ao alemão aparecem em várias cidades italianas.
Florença, Pádua e Veneza são importantes entrepostos comerciais durante a Renascença, o que leva a Itália a se destacar rapidamente na fabricação de óculos. São considerados pioneiros o frade dominicano Alessandro della Spina e o médico Savino degli Armati.

Fabricados por artesãos habilidosos, os óculos eram artigos raros e caros, que simbolizavam erudição, cultura, nobreza e status. Era costume, inclusive, constarem dos inventários das famílias e serem deixados como herança. Aos poucos, com a fabricação em maior escala em indústrias nascidas na Alemanha e na Itália, especialmente, o acessório se popularizou.

Inicialmente, os óculos eram usados apenas para leitura, melhorando a capacidade visual das pessoas com presbiopia e hipermetropia. Em 1441, surgem as primeiras lentes apropriadas às necessidades dos míopes. A solução para pessoas com astigmatismo só aparece um pouco mais tarde, em 1827.

 Museo Dell
Museo Dell'Occhiale, Itália.



Até o século XVI, os modelos disponíveis não tinham hastes fixas sobre as orelhas. Os óculos pince-nez eram ajustados somente sobre o nariz e os lorgnons traziam uma haste lateral onde o usuário o segurava para colocá-lo à frente dos olhos.



As hastes como as conhecemos hoje só aparecem no século XVII. Mesmo assim, pince-nez e lorgnons continuam a ser usados até o início do século XX, quando passam a ser preferidos pelos modelos numont, ou seja, com hastes leves, finas, perpendiculares às lentes e apoiadas sobre as orelhas.

O uso de plásticos e seus derivados na fabricação de armações a partir da década de 1940 abriram novas possibilidades de design aos óculos. Os precursores dos modelos que fazem sucesso hoje apareceram por volta de 1970: com aros grandes e coloridos transformaram-se nos modelos encontrados atualmente em rostos e lojas especializadas espalhados por aí.

Veja arte com modelos de diferentes séculos!


Fontes:

Arquivo Jornal da USP – A história dos óculos
Museu dos Óculos Gioconda Giannini

Imagens retiradas em:
CPTEC/Instituto Nacional de Ciências Espaciais
SXC Bando de Imagens
Museo Dell'Occhiale

quinta-feira, 23 de junho de 2016

PARA VER MELHOR

SXC Banco de Imagens
SXC Banco de Imagens


Já parou para pensar como são formadas as imagens? Ou como funciona nosso sistema visual? Tudo o que enxergamos é fruto da tradução, feita pelo cérebro, dos estímulos luminosos que atingem os nossos olhos.

Ao ultrapassar a córnea e entrar pela pupila, a luz alcança o cristalino, projetando-se sobre a retina. Córnea, pupila, cristalino e retina são alguns dos elementos que compõem nosso sistema visual.

Aquela bolinha preta bem no meio da parte colorida do olho é a pupila: ao aumentar ou diminuir de tamanho, essa abertura na íris controla a entrada de luz. A córnea e o cristalino funcionam como lentes, desviando os raios luminosos em direção à retina. Já a retina é a superfície sobre a qual as imagens são formadas: nela existem células fotossensíveis capazes de reconhecer cores e movimentos e transformar as impressões causadas pela luz em impulsos eletroquímicos. À retina está ligado o nervo óptico, responsável por transportar os impulsos eletroquímicos para o cérebro, que interpretará a informação visual.

Para termos uma visão nítida, esse sofisticado sistema precisa funcionar de modo a focalizar a imagem sobre a retina. Quando essa regulagem, conhecida como acomodação, não acontece, temos dificuldade para enxergar.
Esquema elaborado a partir de original INPE.
Esquema elaborado a partir de original INPE.

As insuficiências visuais mais comuns são a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e a presbiopia.

Na miopia, o crescimento exagerado do globo ocular ou a pouca curvatura da córnea impedem a focalização da imagem sobre a retina. Já na hipermetropia, as imagens ficam desfocadas por ser o olho demasiado curto.

Uma deformação na córnea leva ao astigmatismo: arredondada no olho normal, essa lente é oval no olho astigmático. A diferença no formato faz com que os raios de luz sejam focalizados ao mesmo tempo em pontos variados da retina, levando a distorções visuais.

A presbiopia aparece depois dos 40 anos. Também conhecida como “vista cansada”, é uma tendência natural do envelhecimento. Com a idade e o uso, tanto o cristalino como a musculatura dos nossos olhos perdem elasticidade e flexibilidade, impedindo o processo de acomodação.

Para corrigir essas insuficiências visuais, usamos óculos capazes de compensar as deformações oculares. As lentes dos óculos auxiliam nossos olhos a focalizar a imagem sobre a retina e aí, míopes, hipermétropes, astigmáticos e presbiopes podem enxergar o mundo com mais clareza.

Fontes: Paulo Colonese, Rosicler Neves e Luis Victorino, físicos do Museu da Vida/COC/Fiocruz e Alexandre de Castro Silva, oftalmologista.