segunda-feira, 24 de agosto de 2015

PROJETO TRATA DEPENDENTES DE CRACK COM CAFÉ E LIMÃO




Falta algo no nosso organismo. Muitas vezes não temos consciência do que é que está faltando, mas às vezes a lembrança é tão forte que a gente chega a sentir o gosto da droga. E o café tira o gosto de qualquer coisa ingerida.”

O relato é de Maurício Augusto Pacheco, 35 anos, que largou o último semestre da faculdade de Direito quando conheceu o crack, sete anos atrás. “Foi um trago e amor à primeira vista”, conta. Há cinco meses sem usar drogas, Pacheco hoje luta contra o vício com a ajuda dos voluntários do projeto Crack Zero, de São Paulo, que usa um método pouco convencional para tratar os dependentes químicos: café e limão.

Segundo Luciano Celestino da Silva, 39 anos, criador do projeto, o café tem a função de limpar o organismo; já o limão reduz os efeitos da abstinência. “Não é remédio, isso está bem claro. O limão não cura. Mas ele causa um impacto direto no vício, na crise de abstinência”, diz Silva, que também é líder comunitário em Heliópolis (zona sul).
De acordo com a psiquiatra Camila Magalhães Silveira, pesquisadora do Programa de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), não há estudos científicos a respeito do uso de café e limão no tratamento da dependência química. Ela diz, contudo, que a ressocialização é fundamental no combate ao vício em crack.

“O que a gente percebe é que muitas vezes eles precisam de um cuidado, de alguém que os ajude a passar pela fase da abstinência. Então, se existe sucesso (no projeto), ele está mais vinculado a isso. São pessoas que estenderam a mão e ofereceram um placebo”, disse.

O Crack Zero nasceu em 2011 e hoje trata cerca de 90 dependentes químicos. Para o seu idealizador, levar o projeto adiante é como uma missão. “É um compromisso. Eu tinha uma dívida, e chega uma hora em que você precisa fazer alguma coisa para se completar”, diz Luciano Silva.

Fonte Terra

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