quarta-feira, 26 de agosto de 2015

ESTUDANTES CRIAM GAME PARA PREVENÇÃO ÀS DROGAS


Cinco estudantes de Gestão da Tecnologia da Informação da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Tatuí desenvolveram um software para computador voltado à prevenção das drogas. O game, criado para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), é destinado à crianças e adolescentes da geração Z, que costumam utilizar computadores e tecnologias desde os primeiros anos de vida. O jogo já está sendo testado pela comunidade e pode ser baixado gratuitamente. Os estudantes também estão adaptando o aplicativo para celulares na versão Android, mas ainda não há uma data de lançamento. 

Os alunos Michel Antonio Vieira, Eduardo Pereira Rodrigues, Francisco Benedito Oliveira Junior, Sulivan Tavares Leite e Diego Morais Zanata, com idades entre 20 e 24 anos, levaram dois anos e meio para desenvolver o projeto, sendo preciso realizar pesquisas de campo e buscar conhecimento sobre linguagens de programação para criar o jogo em 3D e em primeira pessoa, como o popular Counter-Strike. "Foi bastante trabalhoso, pois não tínhamos conhecimento sobre modelagem 3D, sonoplastia e edição de imagem. Isso não está na grade curricular da faculdade, fizemos à parte", conta Michel Antonio Vieira, de 20 anos. 

Orientação 

Os alunos foram orientados pelo professor Osvaldo D" Estefano Rosica, especialista em Redes de Computadores, que no início do projeto representava a faculdade junto ao Conselho Municipal de Combate às Drogas (Comad) de Tatuí. Como a vontade dos alunos era criar um game, Rosica direcionou a construção do produto para algo produtivo à sociedade, como orientar jovens e crianças a não entrar no mundo das drogas. Segundo ele, o software foi construído com base em instruções de especialistas do Comad e policiais que trabalham com o assunto. "O projeto foi multidisciplinar. Contamos com a ajuda de vários professores e profissionais da área. O trabalho é da sociedade, pois todos ganham quando o processo de construção de algo no meio acadêmico é participativo", ressalta. 

Os alunos contam que as pesquisas de campo foram realizadas no Conselho Social da Comunidade de Tatuí (Cosc), que desenvolve atividades com crianças que residem em áreas de risco. Segundo Diego Morais Zanata, de 23 anos, o levantamento de dados realizado no local constatou que a maioria das crianças já tiveram contato com drogas, pois conhecem usuários. "Percebemos que não há como impedir que as crianças utilizem drogas. É preciso informar sobre os prejuízos que elas causam no organismo. Essa é a intenção do game", conta. 

O jogo 

O game, projetado para computador Windows nas versões XP, 7, 8 e 10, possui 15 fases divididas em três blocos. Cada bloco possui informações sobre um tipo de droga, como álcool, maconha e crack. O objetivo do jogo é capturar as drogas, que durante a aventura ganham corpo e se transformam em monstros. Em 30 segundos, o jogador precisa prender as drogas que correm pelo mapa em uma gaiola. Depois de concluir a missão de cada fase, aparecem mensagens na tela do computador com informações sobre o tipo da droga e seus principais prejuízos à saúde. Na última fase de cada bloco, o jogador precisa realizar um quiz sobre as drogas aprendidas. Se errar as respostas volta ao início do bloco. 

Michel conta que o grupo procurou deixar o jogo mais atrativo para os jovens, pois é um meio de informar de forma simples e interativa sobre os problemas que as drogas causam para a sociedade. O game já se encontra em uso no laboratório de informática do Cosc de Tatuí, no núcleo dois, localizado no bairro Santa Rita de Cássia. O estudante Eduardo Pereira Rodrigues, de 22 anos, conta que, quando o jogo foi testado, as crianças nem precisaram ler o manual. "Foi um sucesso. Utilizamos os comandos mais comuns entre os jogos eletrônicos, que são as teclas W, S, A, D e Enter para movimento e mouse para a câmera. Todos já sabiam jogar", conta. 

Com base nos questionários respondidos pelas crianças do Cosc, Francisco Benedito de Oliveira Junior, de 22 anos, diz que foi possível perceber que o jogo deixa as crianças curiosas para buscar mais informações sobre as drogas. "Assim, elas vão passar essa informação para os amigos e familiares, criando uma corrente do bem", acredita. 

Repercussão 

Os jovens acreditam que dessa maneira podem contribuir com o combate às drogas, mas contam que não imaginavam que o trabalho teria toda essa repercussão na sociedade. Segundo eles, a Secretaria de Educação de Tatuí está interessada em implantar o jogo em todas as escolas da cidade. "Foi surpreendente. Até o governador do Estado elogiou nosso trabalho em seu Twitter", relata Francisco. 

O jogo pode ser baixado pelo link: http://www.centropaulasouza.sp.gov.br/noticias/releases/2015/julho/20150713.pdf. (Supervisão: Helena Gozzano)

Fonte Jornal Cruzeiro

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