segunda-feira, 4 de julho de 2016

TÁ NA HORA DE DORMIR

Seria bem melhor que nós não precisássemos dormir, não é mesmo? Quanta coisa poderíamos fazer! Haveria mais tempo para brincar, passear e aprender, certo?

Não, errado! A princípio o sono pode até parecer perda de tempo, mas ele é extremamente importante. Ao que parece, não só o homem, mas grande parte dos animais vertebrados, ou seja, que possuem coluna vertebral, dorme. Os cientistas ainda não chegaram a um consenso sobre o motivo de precisarmos dormir, mas existem várias teorias que tentam explicar a necessidade do sono.
O sono permite que ocorram mudanças importantes no nosso organismo, essenciais para a manutenção da saúde e do bem-estar. Ele parece ter um papel importante na restauração do corpo, neutralizando toxinas que provocam a sensação de cansaço, na organização da memória, além de conservar energia para a realização das atividades diárias.

A verdade é que nós não podemos viver sem dormir. Acha exagero? Não é não. O sono é tão imprescindível que a falta dele pode nos deixar doentes e, em casos mais graves, levar à morte. Alguns hormônios, como a prolactina, que auxilia a produção de leite materno e a combater doenças, só são secretados à noite e durante o sono.


Os riscos de seguidas noites mal-dormidas

O sono normal se caracteriza por reduções da temperatura do corpo, da pressão arterial, do ritmo da respiração e da maioria das funções corporais vitais. Ele é um estado de repouso físico e mental, facilmente reversível, em que a pessoa se torna relativamente inativa e desatenta ao ambiente em que está. É um afastamento parcial do mundo em que os estímulos externos quase não são percebidos pelos sentidos.

O sono é controlado pelo comportamento individual e por sistemas fisiológicos internos, como o relógio biológico localizado no cérebro. Ele é chamado assim porque realmente funciona como um relógio inteligente regulado pela luz do dia ou escuridão da noite, controlando diferentes funções do organismo, como níveis de hormônios, temperatura do corpo, batimentos cardíacos e padrões de sono.


Na maioria das vezes, o relógio biológico funciona afinado com o relógio de verdade. Os adultos necessitam de 8 horas de sono aproximadamente, enquanto crianças em idade escolar precisam dormir cerca de 12 horas por dia. Quando as pessoas têm por hábito trabalhar, estudar ou fazer outras atividades até de madrugada, elas deixam o relógio biológico em descompasso com o relógio físico, o que pode ocasionar problemas para a saúde. 



Nos adolescentes, é comum acontecer esse descompasso devido a mudanças naturais no seu relógio biológico que fazem com que eles tenham facilidade para ficarem acordados até tarde. Mas, ainda assim, eles precisam em média de 9 horas e meia de sono por dia.

Já os idosos, muitas vezes, apresentam dificuldades para dormir à noite devido ao hábito de tirar cochilos ao longo do dia. A minha avó, por exemplo, quando assistíamos a filmes, costumava dormir no meio da história e acordar só no final. Depois, garantia que tinha visto o filme inteiro! “Foi só um cochilo”, ela dizia.

A sonolência diurna pode ser consequência de problemas de saúde, mudanças normais do corpo ou alterações no estilo de vida, como redução das atividades diárias. Estágios de sono profundo em pessoas idosas podem diminuir muito e até mesmo deixarem de existir, mas o tempo necessário de sono não diminui com a idade.

A carência de sono pode provocar fortes impactos no aprendizado, na memória, no raciocínio, na atenção e até mesmo nas emoções. Pode levar também a acidentes de trabalho e de trânsito. A Administração Nacional de Segurança nas Estradas dos Estados Unidos estima que ocorrem a cada ano, neste país, mais de 100 mil acidentes de automóveis devido a motoristas que adormecem ao volante. No Brasil, a Organização Não-Governamental (ONG) SOS Estradas estima que o cansaço seja responsável por 20% dos acidentes e mais de 30% das 24 mil mortes que ocorrem todos os anos nas rodovias brasileiras.

Fontes:

Sleep Foundation

Instituto do Sono

O cérebro nosso de cada dia

Ilustrações: Barbara Mello

Animações: Adriana Rivas

quinta-feira, 30 de junho de 2016

COMO PREPARAR SORO CASEIRO

• Pegue um copo de 200 ml de água filtrada e fervida

• Dilua um punhado de açúcar

• E uma pitada de três dedos de sal



Misture e prove. O soro não deve ser nem mais doce e nem mais salgado que água-de-coco ou lágrima. Se você já tiver a colher de medida padrão, use-a desta forma:

A colher-medida está disponível em todos os Postos de Saúde. É importante ter uma em casa.


Ilustração retirada em:
http://www.saude.rj.gov.br/Guia_sus_cidadao/pg_29.shtml

quarta-feira, 29 de junho de 2016

POR TRÁS DESSES ÓCULOS

SXC Banco de Imagens.
SXC Banco de Imagens.



Está vendo todas as letras aí em cima direitinho? Caso não esteja, não precisa se assustar: um acessório que há muito faz parte do nosso cotidiano pode ajudá-lo nesta tarefa.

A história dos óculos remonta à era pré-cristã. Os primeiros registros de seu uso estão em textos do filósofo chinês Confúcio datados de 500 a. C. Então, os óculos não tinham graus e eram usados como enfeite ou como forma de distinção social.

Embora as propriedades ampliadoras de um pedaço de vidro curvo fossem conhecidas desde pelo menos 2.000 a. C., a fabricação de lentes só se torna possível na Idade Média, com o aperfeiçoamento feito pelo matemático árabe Al-Hazen das leis fundamentais da óptica – parte da física que estuda os fenômenos relativos à luz e à visão.

Nessa época, dentro dos mosteiros, berilo, quartzo e outras pedras preciosas são lapidadas e polidas a fim de produzir a chamada pedra-de-leitura, um tipo de lupa muito simples. Em 1267, o monge franciscano Roger Bacon leva uma dessas pedras-de-leitura ao papa Clemente IV e consegue demonstrar sua utilidade para aqueles que têm alguma dificuldade de visão.

Museo Dell
Museo Dell'Occhiale, Itália.
O primeiro par de lentes com graus unido por aros de ferro e rebites surge na Alemanha em 1270. Esses óculos primitivos não têm hastes e são ajustados apenas sobre o nariz. Pouco depois, modelos semelhantes ao alemão aparecem em várias cidades italianas.
Florença, Pádua e Veneza são importantes entrepostos comerciais durante a Renascença, o que leva a Itália a se destacar rapidamente na fabricação de óculos. São considerados pioneiros o frade dominicano Alessandro della Spina e o médico Savino degli Armati.

Fabricados por artesãos habilidosos, os óculos eram artigos raros e caros, que simbolizavam erudição, cultura, nobreza e status. Era costume, inclusive, constarem dos inventários das famílias e serem deixados como herança. Aos poucos, com a fabricação em maior escala em indústrias nascidas na Alemanha e na Itália, especialmente, o acessório se popularizou.

Inicialmente, os óculos eram usados apenas para leitura, melhorando a capacidade visual das pessoas com presbiopia e hipermetropia. Em 1441, surgem as primeiras lentes apropriadas às necessidades dos míopes. A solução para pessoas com astigmatismo só aparece um pouco mais tarde, em 1827.

 Museo Dell
Museo Dell'Occhiale, Itália.



Até o século XVI, os modelos disponíveis não tinham hastes fixas sobre as orelhas. Os óculos pince-nez eram ajustados somente sobre o nariz e os lorgnons traziam uma haste lateral onde o usuário o segurava para colocá-lo à frente dos olhos.



As hastes como as conhecemos hoje só aparecem no século XVII. Mesmo assim, pince-nez e lorgnons continuam a ser usados até o início do século XX, quando passam a ser preferidos pelos modelos numont, ou seja, com hastes leves, finas, perpendiculares às lentes e apoiadas sobre as orelhas.

O uso de plásticos e seus derivados na fabricação de armações a partir da década de 1940 abriram novas possibilidades de design aos óculos. Os precursores dos modelos que fazem sucesso hoje apareceram por volta de 1970: com aros grandes e coloridos transformaram-se nos modelos encontrados atualmente em rostos e lojas especializadas espalhados por aí.

Veja arte com modelos de diferentes séculos!


Fontes:

Arquivo Jornal da USP – A história dos óculos
Museu dos Óculos Gioconda Giannini

Imagens retiradas em:
CPTEC/Instituto Nacional de Ciências Espaciais
SXC Bando de Imagens
Museo Dell'Occhiale

terça-feira, 28 de junho de 2016

TIFO

Tifo epidêmico.Burundi, 2005(1)
Tifo epidêmico.Burundi, 2005(1)
O tifo epidêmico, popularmente chamado simplesmente de tifo, é uma doença epidêmica transmitida pelo piolho humano do corpo e causada pela bactéria Rickettsia prowazekii.


Atualmente, o termo tifo também pode designar uma série de doenças infecciosas agudas, causadas por rickettsias, caracterizadas por dores de cabeça, calafrio, febre, dor no corpo e nas articulações, manchas vermelhas e toxemia (substâncias tóxicas no sangue), que duram cerca de duas ou três semanas. O tifo não tem nenhuma relação com a febre tifóide, causada pelas Salmonellas. 


Epidemias da doença quase sempre estão relacionadas a fatores de ordem social, como falta de higiene e pobreza extrema, razão pela qual são comuns em períodos de guerra e escassez de água, campos de refugiados, prisões, campos de concentração e navios. Veja abaixo os principais tipos de tifo:
Campanha contra o tifo, Afeganistão, 1955-56(2)
Campanha contra o tifo, Afeganistão, 1955-56(2)


Tifo epidêmico (ou exantemático)

Causado pela bactéria Rickettsia prowazekii, ele é transmitido pelo piolho humano do corpo Pediculus humanus corporis ou, mais raramente, pelo piolho dos cabelos. A transmissão se dá quando o piolho excreta suas fezes, liberando bactérias que invadem o corpo humano através de feridas invisíveis na pele. Estes micro-organismos se reproduzem no interior de células endoteliais, que revestem os vasos sanguíneos, provocando inflamação. 


O tifo epidêmico foi durante muito tempo uma causa importante de epidemias mortíferas na Europa e Ásia. Focos da doença existem hoje em muitos países da Ásia, África, regiões montanhosas do México, e América do Sul e Central. No Brasil, esta forma de tifo ainda não foi descrita.


O tempo de incubação do tifo exantemático varia de 1 a 2 semanas, mas, na maior parte dos casos, os sintomas ficam evidentes dentro de 12 dias. A febre alta costuma surgir após duas semanas e, dentro de quatro a sete dias, aparecem as manchas. A mortalidade da doença é de cerca de 10 a 40% dos casos não tratados, mas em pessoas maiores de 50 anos, essa taxa pode subir para 60%. O paciente deve ser medicado com antibióticos. Existe uma vacina, mas ela só é usada eventualmente.
Primeira vacinação contra o tifo(3)
Primeira vacinação contra o tifo(3)
Uma complicação decorrente do tifo exantemático é a doença de Brill-Zinsser, que pode ocorrer até anos mais tarde. A doença é consequência de rickettsias que se esconderam do sistema imune (de defesa do organismo) e que aproveitam períodos de baixa imunidade para se instalar.

Tifo murino (ou endêmico) – Os ratos são os principais vetores da doença causada pela bactéria Rickettsia mooseri. Assim como ocorre na peste, o tifo murino é transmitido para o homem quando há um grande número de roedores contaminados (epizootia), o que obriga a pulgaXenopsylla cheopis a buscar novos hospedeiros. A doença é comum em várias ilhas e zonas portuárias do mundo. No Brasil, ela já foi descrita nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

A evolução do tifo murino é essencialmente a mesma do exantemático, embora ele seja mais brando e apresente complicações menos frequentes. Como as demais infecções causadas por rickettsias, o tifo murino é tratado com antibióticos.

Para combater a doença, é necessário manter condições adequadas de higiene e controlar a proliferação de ratos.

Imagens:

(1) Foto: Salvadorjo/Wikipedia

(2) Foto: WHO/Marc Riboud

(3) Foto: Ottis Historical Archives. National Museum of Health and Medicine, USA.

(4) Foto: US National Archives & Record Administration
Campanha contra o tifo, EUA (4)
Campanha contra o tifo, EUA (4)





segunda-feira, 27 de junho de 2016

ROTAVÍRUS



Principal causa de diarreia até os cinco anos de idade, o rotavírus é responsável pela morte de cerca de 600 mil crianças por ano em todo o mundo, apesar do tratamento bastante simples, baseado na reidratação do paciente. 

Embora, quase todas as crianças sejam infectadas nos primeiros anos de vida, é até os dois anos de idade que costumam ocorrer os casos mais graves. Irene Araújo, bióloga que trabalha no Laboratório de Referência Regional para Rotaviroses da Fiocruz, explica que a preocupação é maior quando se trata de crianças carentes: “Muitas acabam morrendo devido à falta de informação dos pais sobre a doença e à dificuldade de acesso a atendimento médico”, lamenta.

Os vírus, segundo a pesquisadora, são eliminados em grande quantidade nas fezes do doente. A criança pode se infectar ao levar a mão suja à boca, por contato direto com pessoas, ou ainda por água, alimentos e objetos contaminados. E como existem vários tipos de rotavírus – um gênero de vírus com aspecto de roda que destrói células do intestino -, a criança pode desenvolver a doença mais de uma vez. No entanto, é realmente a primeira infecção que costuma ser a mais grave.

O adulto também pode contrair a rotavirose, mas normalmente desenvolve a forma branda da doença. “Afinal, todo mundo já teve contato com o rotavírus quando criança”, explica a bióloga. O número de casos, segundo ela, costuma ser maior no inverno porque o vírus se propaga mais facilmente no ambiente seco.


Sintomas, tratamento e prevenção

A infecção por rotavírus pode ser assintomática, ou seja, pode não causar sintomas. Mas, em geral, as manifestações costumam aparecer, em média, dentro de três dias, podendo variar de um quadro leve, com diarreia líquida e duração limitada, a um quadro grave com desidratação, febre, vômitos e cólicas. O tempo de duração dos sintomas geralmente é de uma semana. Se não tratada, a rotavirose pode levar à morte.

Para controlar a doença é recomendado ingerir bastante líquido – pode ser água, chá, água-de-coco, sucos ou isotônicos. Quanto mais, melhor! Irene Araújo alerta que medidas simples de combate à desidratação, como o uso de soro caseiro, reduzem drasticamente o número de mortes. A desidratação é o sintoma mais grave das infecções intestinais provocadas pelo rotavírus. Além de reduzir as reservas de água do corpo, ela reduz os níveis de minerais importantes, como sódio e potássio.

A pesquisadora da Fiocruz explica que prevenir a rotavirose entre crianças é difícil, mas é muito importante que os pais mantenham condições adequadas de higiene e, desde cedo, ensinem seus filhos a importância de lavar as mãos, principalmente, depois de ir ao banheiro, e antes das refeições. Um outro aspecto importante é a amamentação dos bebês até, pelo menos, os seis meses para fornecer à criança defesas não só contra o rotavírus, mas também contra outras doenças.

Em breve, estará disponível na rede pública de saúde uma vacina gratuita contra a rotavirose. Mas enquanto ela não chega, não se esqueça: em caso de diarreia, inicie imediatamente o soro caseiro e procure um médico. E não introduza nenhum medicamento sem o conhecimento do seu médico.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

DORMINDO ACORDADO!

Você já assistiu ao desenho animado “Scooby-Doo”? Lembra do Salsicha, aquele adolescente franzino e medroso responsável pelo Scooby? Em algumas cenas desse desenho, o Salsicha aparece falando, andando e até assaltando a geladeira enquanto está dormindo!
Ilustração: Barbara Mello
Ilustração: Barbara Mello

Pois é, algumas pessoas realmente fazem tudo isso enquanto dormem. Os distúrbios de interrupção do sono caracterizados por atividades físicas involuntárias, ou seja, desenvolvidas sem a intervenção consciente da pessoa, são conhecidos como parassonias.

Entre as parassonias mais comuns estão o sonambulismo, o solilóquio e o bruxismo. Esses nomes complicados designam, respectivamente, as atividades de andar, falar e ranger os dentes enquanto se dorme. As pessoas que têm alguma parassonia parecem estar acordadas – muitas delas ficam, inclusive, com os olhos abertos, mas estão na verdade num estado misto de alerta e descanso.

Os sonâmbulos são capazes de sentar eretos sobre a cama, andar e mesmo realizar atividades complexas como, por exemplo, dirigir um carro, enquanto estão dormindo. Embora alertas o suficiente para estarem ativos, os sonâmbulos não estão conscientes de seus movimentos: por isso mesmo podem se machucar enquanto os realizam. Trancar janelas e portas e mantê-los longe de objetos cortantes ou escadas são alguns cuidados necessários à precaução de acidentes.

Já falar dormindo é inofensivo. Ou quase: vai que você conta aquele segredo?! Pessoas que falam enquanto dormem podem tanto gritar de repente uma ou outra palavra durante a noite, como narrar toda uma história, sem que isso perturbe seu sono. Quando a fala acontece durante as primeiras fases do sono, costuma ser compreensível. Mas, ao acontecer durante o sono profundo, é completamente desarticulada.

O bruxismo é geralmente percebido pelos dentistas, pois causa o desgaste do esmalte que cobre os dentes. Quem sofre de bruxismo pode também apresentar dores de cabeça e feridas na boca.


Acordar uma pessoa durante a manifestação de parassonia não é uma boa ideia. A tentativa pode fracassar e ter mesmo o efeito contrário ao pretendido: ao invés de interromper a manifestação, pode prolongá-la. Além disso, caso se consiga realmente acordar a pessoa, ela pode ficar confusa ou reagir com violência. O melhor a fazer em um caso destes é conduzir calmamente a pessoa de volta à cama ou a algum lugar tranquilo onde ela possa se deitar.

Além destes, existem outros distúrbios do sono. Você sabia que o ronco é um deles? O ronco nada mais é do que a vibração dos tecidos moles da garganta, localizadas principalmente entre o pálato – a "campainha" – e a língua. Comum em pessoas que estão acima do peso ideal, o ronco tende a piorar com a idade. Insônia e pesadelos são outros exemplos.

É necessário procurar um médico quando estas interrupções do sono prejudicam a rotina da família, não deixando que um ou mais membros tenham uma noite tranquila de descanso, pois dormir é essencial para a nossa saúde!


Fontes:

Talk about Sleep

quinta-feira, 23 de junho de 2016

PARA VER MELHOR

SXC Banco de Imagens
SXC Banco de Imagens


Já parou para pensar como são formadas as imagens? Ou como funciona nosso sistema visual? Tudo o que enxergamos é fruto da tradução, feita pelo cérebro, dos estímulos luminosos que atingem os nossos olhos.

Ao ultrapassar a córnea e entrar pela pupila, a luz alcança o cristalino, projetando-se sobre a retina. Córnea, pupila, cristalino e retina são alguns dos elementos que compõem nosso sistema visual.

Aquela bolinha preta bem no meio da parte colorida do olho é a pupila: ao aumentar ou diminuir de tamanho, essa abertura na íris controla a entrada de luz. A córnea e o cristalino funcionam como lentes, desviando os raios luminosos em direção à retina. Já a retina é a superfície sobre a qual as imagens são formadas: nela existem células fotossensíveis capazes de reconhecer cores e movimentos e transformar as impressões causadas pela luz em impulsos eletroquímicos. À retina está ligado o nervo óptico, responsável por transportar os impulsos eletroquímicos para o cérebro, que interpretará a informação visual.

Para termos uma visão nítida, esse sofisticado sistema precisa funcionar de modo a focalizar a imagem sobre a retina. Quando essa regulagem, conhecida como acomodação, não acontece, temos dificuldade para enxergar.
Esquema elaborado a partir de original INPE.
Esquema elaborado a partir de original INPE.

As insuficiências visuais mais comuns são a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e a presbiopia.

Na miopia, o crescimento exagerado do globo ocular ou a pouca curvatura da córnea impedem a focalização da imagem sobre a retina. Já na hipermetropia, as imagens ficam desfocadas por ser o olho demasiado curto.

Uma deformação na córnea leva ao astigmatismo: arredondada no olho normal, essa lente é oval no olho astigmático. A diferença no formato faz com que os raios de luz sejam focalizados ao mesmo tempo em pontos variados da retina, levando a distorções visuais.

A presbiopia aparece depois dos 40 anos. Também conhecida como “vista cansada”, é uma tendência natural do envelhecimento. Com a idade e o uso, tanto o cristalino como a musculatura dos nossos olhos perdem elasticidade e flexibilidade, impedindo o processo de acomodação.

Para corrigir essas insuficiências visuais, usamos óculos capazes de compensar as deformações oculares. As lentes dos óculos auxiliam nossos olhos a focalizar a imagem sobre a retina e aí, míopes, hipermétropes, astigmáticos e presbiopes podem enxergar o mundo com mais clareza.

Fontes: Paulo Colonese, Rosicler Neves e Luis Victorino, físicos do Museu da Vida/COC/Fiocruz e Alexandre de Castro Silva, oftalmologista.