quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

CASOS DE AIDS ENTRE JOVENS CRESCEM 30% EM SANTA CATARINA


Ana* tinha 19 anos quando soube, na hora do parto, que não poderia amamentar seu primeiro filho. Foi naquele momento que ela descobriu que havia contraído HIV de seu marido, com quem morava havia três anos e não usava preservativo. Neste mês o ex-companheiro, que era usuário de drogas, faleceu por não seguir o tratamento à risca.

— A doença mudou, os remédios estão mais fortes, mas o preconceito continua o mesmo. Muitos dizem que dá para viver bem com HIV, mas não é fácil, você não pode beber porque corta o efeito do remédio e se quiser ter filhos tem que ter acompanhamento médico — reforça a moradora de Palhoça, hoje com 26 anos. 

Além do preconceito, Ana passou por uma depressão, mas atualmente enfrenta, com otimismo, a dose diária de seis comprimidos e planeja o futuro ao lado do filho que não foi infectado. Os jovens continuam sendo um dos grupos que mais preocupam em relação ao vírus, junto à população carcerária e profissionais do sexo, pela vulnerabilidade e alta concentração da epidemia. 

Entre 2013 e 2014, o número de soropositivos entre 15 e 24 anos saltou quase 30% em SC, o maior percentual entre as faixas etárias. Em 2015, até outubro deste ano, foram 378 novos casos entre os jovens. Porém há grupos, como é o caso dos idosos, que também apresentam aumento nos casos, embora de forma mais lenta, e que acendem o alerta pela falta de ações específicas. 

Para o infectologista Fábio Gaudenzi de Faria, superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde, a prevenção da aids envolve uma mudança de comportamento, que é o uso de preservativos, por isso a resposta às medidas de saúde pública são mais lentas.

— As gerações mais novas não viveram o pânico da década de 80 e 90 que a aids representava dentro da população, então acabaram valorizando muito pouco a prevenção com preservativo. Outras DSTs têm aumentado também, como a sífilis — explica. 

Faria reforça que hoje um dos grandes desafios em SC é implementar o teste rápido em todas as unidades de saúde do Estado, além de capacitar as equipes médicas para o tratamento precoce: 

— Quanto mais pessoas souberem antes do seu diagnóstico, mais cedo a gente inicia o tratamento e menos transmissão temos — resume. 

Para a professora do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pesquisadora do tema Betina Schlindwein Meirelles, há inúmeros desafios na prevenção e controle da infecção pelo HIV, que não se resolvem em campanhas pontuais: 

— Precisamos de ações que estejam incorporadas no cotidiano dos serviços de saúde, com qualificação contínua dos profissionais, bem como o planejamento de ações integradas nesse âmbito. Isso implica no envolvimento também de outros setores da sociedade, como educação, trabalho, organizações da sociedade civil. 

*O nome original foi alterado a pedido do entrevistado, para preservar a identidade e barrar o preconceito.
Fonte Diário Catarinense

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

SANTA CATARINA É O 3º ESTADO COM MAIOR ÍNDICE DE MORTALIDADE POR AIDS


A Secretaria de Saúde de Santa Catarina divulgou nesta terça (24) que o estado ocupa o terceiro lugar no ranking nacional em mortalidade em função da Aids atrás apenas do Amazonas (2º) e do Rio Grande do Sul (1º). Entre janeiro e outubro de 2015, foram registrados 391 mortes. Em 2014, 673 morreram em decorrência da doença.

Segundo o órgão, 12 municípios catarinenses possuem taxas de detecção de HIV superiores a média nacional, que é de 20 infectados para cada 100 mil habitantes. Eles são Balneário Camboriú (77,4), Itajaí (76,3), Florianópolis (65,2), Criciúma (59,9), São José (56,2), Palhoça (53,5), Brusque (46,1), Joinville (41,2), Blumenau (35,9), Lages (30,2), Jaraguá do Sul (28,0) e Chapecó (25,2).

A Secretaria integra um projeto nacional que prioriza ações de prevenção buscam ter maior acesso ao diagnóstico da Aids. Entre as ações, foi criado um site informativo com relação de locais que realizam testes rápidos.

Em todo o Brasil, está prevista a reestruturação dos serviços de saúde, as ações de prevenção e as parcerias com as Organizações da Sociedade Civil (OSCs), além do incremento das ações de vigilância epidemiológica e de pesquisa. O intuito é estabelecer metas e práticas eficazes para combater efetivamente a epidemia de HIV/Aids e suas coinfecções.

Fonte G1

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

OMS ALERTA QUE TUBERCULOSE JÁ MATA MAIS QUE A AIDS NO MUNDO

Uma doença de mais de 8 mil anos, curável, cujo tratamento está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, mas que tem matado no mundo mais que a Aids, segundo dados divulgados ontem pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A tuberculose faz 1,5 milhão de vítimas por ano, enquanto a Aids, em 2014, matou 1,2 milhão. “A tuberculose agora divide a liderança do ranking com o HIV como os maiores responsáveis por mortes no mundo”, indicou a OMS ontem, em um relatório.


Por ano, 9,6 milhões de novos casos de tuberculose são registrados no mundo

No ano passado, a tuberculose matou 890 mil homens, 480 mil mulheres e 140 mil crianças, segundo o órgão. De 1,5 milhão de vítimas, 400 mil haviam sido infectadas pela Aids. Por ano, 9,6 milhões de novos casos de tuberculose são registrados – 54% deles estão na China, Índia, Indonésia, Nigéria e Paquistão. O Brasil, apesar dos avanços, continua entre os 22 países considerados de alta incidência da doença. Em 2014, registramos 81 mil novos casos.

“Quem tem o HIV fica mais suscetível a ter a tuberculose, que é uma infecção oportunista. Ela ataca o sistema imunológico fragilizado, que no caso de quem tem o HIV está com o sistema de defesa deprimido. Entre 12% e 17% dos pacientes com tuberculose têm Aids. E olha que paradoxo: a tuberculose tem cura e a Aids, ainda não”, pontua a médica pneumologista Munira Martins de Oliveira, coordenadora do Setor de Tuberculose do Hospital Júlia Kubitscheck, da Rede Fhemig, em Belo Horizonte. A unidade hospitalar é referência em centro terciário no estado para doenças do pulmão, ou seja, trata casos difíceis e graves, que já passaram pela rede básica e pelas unidades de pronto atendimento (UPAs).

A diferença básica entre as doenças está no fato de a tuberculose ter cura, e a Aids, não. Então, porque ainda tem gente morrendo de um mal para o qual há tratamento? Na visão de Munira, ocorre uma rede inteira de falhas.

“Falhamos quando o sistema básico não faz o diagnóstico precoce, ninguém vai atrás dos contatos (que são as pessoas que vivem no mesmo ambiente que o doente) e não há supervisão do tratamento. O correto e ideal seria o agente de saúde ir diariamente à casa do tuberculoso em tratamento e vê-lo engolir o remédio”, diz a médica. Para ela é inadmissível haver jovens de 20, 30 anos, em idade de produção econômica e intelectual, doentes e acamados.

Segundo informações do Ministério da Saúde, no Brasil, a tuberculose é sério problema da saúde pública, com profundas raízes sociais. A cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil casos novos e ocorrem 4,6 mil mortes em decorrência da doença. O Brasil ocupa o 17º lugar entre os 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose no mundo. Em Minas Gerais, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), 4.612 pessoas foram diagnosticadas com tuberculose no ano passado. Onze por cento dos pacientes abandonaram o tratamento e 3% morreram.

“Temos uma média de 2,1 óbitos para 100 mil habitantes no Brasil, um índice alto para um mal curável. E, em média, entre 70 mil e 80 mil novos casos por ano no país, sendo que de 10% a 20% das pessoas abandonam o tratamento. Depois de muitos anos marginalizada, a tuberculose voltou com a Aids, nos anos 1980 e 1990, e caiu. Agora, o que vemos é a mortalidade aumentando porque o diagnóstico está sendo feito tardiamente e o paciente já chega com estágio avançado da doença. Um dos pontos-chave é identificar doenças associadas, ou seja, se chega um paciente com HIV, é preciso investigar se ele tem o bacilo de Coc (causador da tuberculose) e em todos os tuberculosos, fazer o teste de HIV. Nosso óbito para tuberculose tem que ser zero. Não há razão para não sê-lo”, explica Munira.

INVESTIMENTOS 

A OMS admite que novos remédios, tecnologia para o diagnóstico e uma maior atenção dos governos conseguiram salvar 43 milhões de vidas entre 2000 e 2015. No entanto, é preciso mais investimentos. “Existem avanços. Mas, se o mundo quer colocar um fim a essa epidemia, ele precisa investir em pesquisa e aumentar os serviços”, disse ontem a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. O buraco nas contas chega a US$ 1,4 bilhão, de um total de US$ 8 bilhões necessários para implementar uma estratégia para frear a doença. A partir de 2016, a OMS vai estabelecer como prioridade um programa para erradicar a tuberculose até 2030 e cortar as mortes em 90%. (Com Agência Estado).

Fonte Saúde Plena

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

AIDS: OS TABUS QUE AINDA AMARRAM O TESTE DE HIV

A partir de fevereiro de 2014, o teste rápido para a detecção do HIV será vendido em farmácias, o que ajuda no diagnóstico precoce da doença. Ele será feito com a saliva e fica pronto em 20 minutos. Hoje, detectar a doença ficou mais fácil, pois os métodos diagnósticos, criados em 1985, evoluíram bastante e estão na quarta geração. Só que muitos fatores ainda atrapalham o diagnóstico da doença. Além do medo da morte e do sofrimento físico e emocional, muita gente não faz o exame por causa do preconceito que relaciona ao HIV à promiscuidade e ao uso de drogas ilícitas. Mesmo que a quantidade de exames realizados no Brasil tenha aumentado nos últimos seis anos - foi de 3,3 milhões em 2005 para 6,3 milhões em 2011 - muita gente não sabe que está infectada. Os números do Ministério da Saúde confirmam: de um total de 530 mil soropositivos no país, 135 mil desconhecem que estão com a doença.

Peste gay já apavora São Paulo.” Essa foi a manchete do jornal Notícias Populares do dia 12 de junho de 1983, um ano marcado pela explosão mundial do número de casos da aids, doença causada pelo vírus da imunodeficiência humana, o HIV. O grau de desinformação era tão grande que surgiram diversos mitos acerca da síndrome — um dos mais corriqueiros, evocado pela matéria do extinto periódico paulista, é que a nova epidemia era restrita a homossexuais.

“Naquela época, receber o diagnóstico parecia assinar uma sentença de morte”, lembra o psicólogo Esdras Vasconcellos, professor da Universidade de São Paulo e diretor científico do Instituto Paulista de Stress, Psicossomática e Psiconeuroendocrinoimunologia. O especialista, que acompanhou a doença desde os seus primeiros casos no Brasil, se recorda do impacto no imaginário provocado pela infecção nos anos 1980 e 90. “O estigma era tão forte que muitas pessoas morreram não pela deterioração do sistema imunológico, mas pelo medo de enfrentar o problema”, opina.

Passados 30 anos, diversos preconceitos ainda persistem e atrapalham os esforços que visam flagrar o HIV o mais cedo possível. Dados do Ministério da Saúde calculam que, atualmente, 530 mil brasileiros são soropositivos. Desses, 135 mil nunca realizaram um teste e, portanto, não sabem que estão infectados — e a aids leva uma média de seis a sete anos para dar sintomas. “O diagnóstico precoce seguido do tratamento diminui consideravelmente a agressão do vírus ao corpo”, afirma o médico Caio Rosenthal, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital paulista.

Um estudo do Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos, reforça a importância de saber que o HIV está circulando pelo organismo e partir para o contra-ataque. Os pesquisadores viram que 93% dos pacientes que iniciaram a medicação antirretroviral após a detecção precoce sobreviveram, ante 83% daqueles que postergaram o uso dos fármacos. Isso sem contar que, ao saber da soropositividade, fica mais fácil adotar medidas preventivas a fim de não transmitir o vírus para os outros — e até não se infectar com outros subtipos do inimigo, piorando tudo.

A quantidade de exames realizados no Brasil aumentou, passando de 3,3 milhões em 2005 para 6,3 milhões em 2011. “Mas necessitamos que esse número cresça cada vez mais”, ressalta o infectologista Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. “Nossas próximas campanhas vão focar justamente no teste de HIV, já que ele é a porta de entrada para qualquer atitude no tratamento e controle da aids”, antecipa.

O grande impedimento para que os testes não se popularizem aqui ainda parece ser o temor diante do vírus. Um levantamento do Emílio Ribas revelou o seguinte: 20% dos indivíduos que fazem o exame não voltam para pegar o resultado. “Há um temor da morte, do sofrimento físico e emocional e, sobretudo, do preconceito que relaciona a doença à promiscuidade e ao uso de drogas ilícitas”, diz o urologista Sylvio Quadros, chefe do Departamento de DST da Sociedade Brasileira de Urologia. Mas os tabus não param por aí...

Uma segunda barreira na popularização dos testes anti-HIV se encontra exatamente na classe médica. “Existem estudos revelando que o profissional da saúde elege alguns perfis que ele considera precisarem da checagem e, assim, exclui uma parcela da população importante que deveria passar pelo exame”, aponta o sociólogo Alexandre Grangeiro, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

A responsabilidade por buscar o teste não deve ser transferida totalmente para a iniciativa individual. “Ginecologistas, urologistas e clínicos poderiam ter um comportamento mais proativo e receitá-lo para todos os indivíduos que estejam sexualmente ativos”, sugere Grangeiro.

Muitas vezes, o receio de que o paciente fique ofendido com um pedido delicado impossibilita que diversos casos da infecção sejam detectados. “Essa questão dos médicos está cada vez mais superada, até porque grande parte tem a consciência de que o teste é relevante”, acredita o infectologista Aluísio Cotrim Segurado, do comitê de retrovírus (HIV/HTLV) da Sociedade Brasileira de Infectologia. Uma medida interessante, que acontece em países como os Estados Unidos, seria incluir a procura pelo vírus do HIV nos checkups anuais, junto com os exames de rotina como o hemograma, o colesterol e a glicemia.


Muita labuta pela frente 

As próprias empresas têm um papel a desempenhar na luta contra o HIV e seus tabus. Uma pesquisa do Ministério do Trabalho e Emprego mostra que apenas 14% das companhias nacionais realizaram alguma campanha de prevenção à aids no último ano. Para piorar, 48% delas não veem necessidade em fazer ações de tal natureza e 13% alegam falta de interesse no tema. Elaine Saad, vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, acredita que ações corporativas no combate a essa e a outras doenças sexualmente transmissíveis é fundamental. “Além de sua função econômica, a empresa tem uma missão a cumprir na sociedade e, de acordo com seus objetivos, deve investir em temas como esse.”

Obviamente, um exame anti-HIV não pode servir para bloquear a contratação de um soropositivo ou para demitir um funcionário — o diagnóstico, inclusive, é proibido na consulta admissional. Mas os estigmas ainda permanecem: 36% dos soropositivos relatam piora na condição financeira e 20% chegam a perder o emprego depois de o teste acusar a presença do vírus. Ora, se o trabalho não envolve um risco considerável de acidentes com cortes, a soropositividade não impede nenhum profissional de exercer o seu ofício.

O coquetel antirretroviral, conjunto de fármacos tomados pelo resto da vida, evoluiu tanto que a aids já é considerada hoje doença crônica. Dá pra viver bem com o problema, mas não há como resolvê-lo de vez. Enquanto as apostas de cura ficam na manipulação genética ou em drogas mais eficientes, existe uma maneira bem simples e eficaz de desatar os nós que amarram o HIV: a informação sem tabus. Seja para o diagnóstico, seja para a prevenção.


O que fazer após uma situação arriscada? 

Se você fez sexo sem camisinha e está muito preocupado, não adianta sair correndo. A recomendação é aguardar até três semanas para se submeter ao exame. Esse é o tempo que o sistema imune leva para criar anticorpos contra o HIV. Mas, se o risco de infecção for pra lá de alto, procure o serviço de saúde em até 72 horas. “A prescrição de drogas nesse período pode evitar que o vírus invada as células de defesa”, diz o infectologista Gabriel Cuba, do Hospital 9 de julho, em São Paulo.



Onde eu posso fazer os exames? 

Os testes anti-HIV estão disponíveis no Sistema Único de Saúde e nos Centros de Testagem e Aconselhamento de todo o país. Esses locais disponibilizam um serviço psicológico tanto antes quanto depois do diagnóstico. “O apoio de psicólogos e assistentes sociais é essencial, principalmente para passar informações corretas e confiáveis sobre a doença”, afirma Caio Rosenthal. Para saber o posto mais perto de sua casa, acesse o site do Ministério da Saúde ou ligue para 156.


Vírus rastreado 

Os métodos de diagnóstico foram criados em 1985 e evoluíram bastante nesses anos — já estamos em sua quarta geração


Elisa 

Foi um dos primeiros a serem lançados, lá na década de 1980. Ele flagra os anticorpos produzidos pelo sistema imune no combate ao vírus do HIV. É preciso retirar uma amostra de sangue e esperar alguns dias para saber se deu positivo ou negativo. “Ele tem 99,7% de sensibilidade e uma possibilidade mínima de erro”, conta o infectologista Celso Granato, assessor médico do Fleury Medicina e Saúde.


Western Blot 

“Se o exame preliminar der positivo, o protocolo é pedir um teste confirmatório, que costuma ser o Western Blot”, relata a infectologista Maria Lavínea Figueiredo, do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica. Por ser mais caro, só é indicado para as situações em que o risco de soropositividade é elevado. Seu nível de acurácia é ainda maior que o Elisa. A resposta também demora um tempinho, pois o sangue passa por análise em laboratório.


Testes rápidos 

Basta furar o dedo e colher uma gotinha do líquido vermelho, que é colocada numa fita reagente. O resultado sai em 20 minutos, uma estratégia promissora para aqueles
que não têm coragem de voltar para pegar os papéis. “Se der positivo, o paciente é encaminhado para tratamento no sistema público”, explica a psicóloga Judit Lia Busanello, diretora do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids, em São Paulo.


Exame de saliva 

Ele poderá ser comprado em farmácias e revela em minutos se o vírus está no pedaço. Aprovado nos Estados Unidos, deve chegar ao mercado brasileiro em janeiro ou fevereiro de 2014, segundo o Ministério da Saúde. A angústia dos médicos é saber como vai ficar a estrutura emocional das pessoas que descobrirem um resultado positivo sozinhas, sem suporte especializado.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

HOMENS SÃO CONTEMPLADOS COM BRINDES POR FAZEREM O EXAME DO CÂNCER DE PRÓSTATA


Durante o mês de novembro os homens que fizeram exames preventivos ao câncer de próstata concorreram a brindes. O sorteio da campanha Novembro Azul do Consórcio Intermunicipal de Saúde (CIS/AMURES) foi realizado na manhã desta quarta-feira (02/12).

Os ganhadores foram Luiz Desdeval, de Campo Belo, ele é motorista das ambulâncias que trazem os pacientes nas consultas e pode receber seu brinde pessoalmente (foto abaixo). Alcides Wollinger, de Ponte Alta; Cezario Dias do Prado e João Carmosino da Silva, ambos de de Correia Pinto foram os outros três sorteados. Os brindes foram doados pelo Myatã e Oxigen.


De acordo com diretora executiva do CIS/AMURES, Nalú Julio, este é um meio de estimular os homens a fazerem os exames de PSA (sangue) e toque. “Nossa campanha visa à prevenção e a melhor forma é deixando o preconceito de lado e fazendo os exames”, destacou.





AIDS: ENTENDA COMO FUNCIONA O COQUETEL DO DIA SEGUINTE


Disponível no Sistema Único de Saúde, o coquetel do dia seguinte é uma combinação de medicamentos de emergência para evitar a infecção do vírus HIV. Apesar do nome, os remédios preventivos precisam ser tomados por um período de 28 dias.

O coquetel consiste no uso combinado dos mesmos princípios ativos dos medicamentos para o tratamento da Aids e pode causar efeitos colaterais. Os sintomas adversos são mais fortes nos primeiros dias e apresentam melhora no decorrer do processo.
Quando tomar o coquetel do dia seguinte

Considerado um tratamento de profilaxia pós-exposição, o coquetel do dia seguinte é indicado para qualquer pessoa que teve contato sexual desprotegido ou ficou exposto à contaminação. Acidentes de trabalho, sexo desprotegido, rompimento da camisinha e casos de estupro são situações que exigem o uso da medicação.

Consumir a droga preventiva é um direito de todos que correm o risco de infecção. A ingestão dos medicamentos deve ser feita até 72 horas após a possível exposição ao vírus HIV, mas quanto mais cedo for tomado, maiores as chances de fazer efeito.

O Departamento de DST, Aids e Hepatite Virais do Ministério da Saúde informa que qualquer pessoa que procure hospitais ou postos de atendimento para receber o coquetel passará por uma consulta e um médico fará uma avaliação da necessidade dos medicamentos. O tipo de relação sexual e o estilo de vida do parceiro são critérios para a decisão.

Se o parceiro é portador do vírus HIV e já toma remédios para conter a doença, será preciso informar quais os ativos que fazem parte do tratamento. A fórmula dos medicamentos fortalece o sistema imunológico na tentativa de impedir que a doença se instale ou progrida.

O acesso gratuito ao coquetel não dispensa, em nenhum momento, o uso de camisinha em todas as relações sexuais. O preservativo é uma proteção contra outras doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez indesejada.

Fonte Nortão Jornal

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

GOVERNO LANÇA NOVA CAMPANHA CONTRA AIDS E LIBERA AUTOEXAME EM FARMÁCIAS

No Dia Internacional da Luta contra Aids, balanço mostra redução de 5,5% na identificação de infectados na comparação entre 2013 e 2014

O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (1º), Dia Mundial da Luta Contra a Aids, campanha nacional para incentivar portadores do HIV a iniciar tratamento, que é gratuito e oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é melhorar a qualidade de vida dos doentes e reduzir a transmissão do vírus.

A campanha, intitulada “Viver com o HIV não é fácil, mas eu encaro”, visa assegurar a qualidade de vida dos portadores e conter o alastramento da doença. Os vídeos vão ao ar nesta terça-feira, contam com casos reais de portadores do HIV e serão veiculados na TV, rádio transmitidos nas redes sociais.

A campanha reforça a nova mensagem sobre o tratamento e a prevenção e a decisão recente do governo federal de autorizar a comercialização do auto-exame para diagnóstico da doença em farmácias e drogarias.

A medida visa permitir que pessoas com receios em fazer o teste na rede pública ou privada possam fazer um auto-exame e, a partir disso, buscar tratamento para redução da carga de vírus no corpo, maior qualidade de vida no convívio com o vírus e redução da transmissão do HIV.

De acordo com o ministro, o kit para auto-exame deverá estar disponível no mercado brasileiro no primeiro semestre de 2016.

Sob controle

Conforme dados do Boletim HIV-Aids, edição 2015, desde o início da epidemia da doença no Brasil, em 1980, até junho deste ano foram registrados 798.366 casos de Aids.

Nos dados mais recentes, o documento mostra que a taxa de identificação da doença caiu 5,5% no País entre 2013 e 2014, passando de 20,8 casos por grupo de 100 mil habitantes no ano retrasado para 19,7 casos no ano passado, na maior redução em 12 anos da epidemia no Brasil.

Considerando os últimos 12 anos, a taxa de identificação da doença foi reduzida em 9%, de 21,6 casos por grupo de 100 mil habitantes em 2003 para 19,7 casos em 2014.

Do total das pessoas portadoras da doença, 80% fizeram o teste e sabem que carregam o vírus, dessas, 62% estão em tratamento.

O Ministério da Saúde tem alertado que os doentes que submetem ao medicamento registram importante redução da carga viral (quantidade de vírus no corpo), contribuindo expressivamente para a diminuição da transmissão do vírus e controle da enfermidade.

“A Aids é grave, devastadora e precisa ser encarada com seriedade”, disse o ministro da Saúde, Marcelo de Castro, em apresentação da nova campanha contra o vírus.

Jovens

Os dados mais recentes sobre a aids no Brasil mostram que os casos da doença tem se concentrado entre jovens.

Em 2004, a taxa de identificação da doença entre jovens (pessoas entre 15 e 24 anos) era de 9,5 casos para cada 100 mil habitantes. Em 2014, esse número subiu para 13,4 casos por 100 mil habitantes, com alta de 41% nesse segmento.

“Devido ao número de jovens (portadores do HIV) estamos um tanto preocupados. A campanha contempla esse segmento, precisamos nos unir, informar e trazer os jovens para participar do diálogo, dos debates”, afirmou o ministro.

Já o diretor do Departamento de Vigilância, Prevenção e Combate à Aids, Fábio Mesquita, disse que o alastramento da aids entre jovens é um problema mundial associado ao fato de a atual geração de adolescentes e de jovens adultos ser mais liberal que os jovens das décadas de 80 e de 90, que conviveram com períodos mais agudos do drama da aids.

O vírus HIV é transmitido de quatro formas: pelo sangue, sêmen, secreção vaginal e pelo leite materno.

Retrato da Aids

Na fotografia da doença no território nacional, a maior parte dos casos está nos estados do Sudeste (53,8%) e do Sul (20%).

As regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte correspondem a 14,6%, 5,9% e 5,7% de todos os casos, respectivamente.

Na classificação por gênero, o boletim HIV Aids 2015 informa que 65% dos infectados são homens.

Entre as mulheres, os dados coletados desde 2000 até junho de 2015 mostram 92.210 gestantes portadoras do vírus, a maioria, 71,3% residentes das regiões Sudeste e Sul. Somente em 2014 foram notificados 7.668 gestantes infectadas.


Fonte: Ministério da Saúde