segunda-feira, 18 de março de 2013

DINÂMICA POLÍTICA DA HUMANIZAÇÃO

DATA: 18/03/2013
TEMA: HUMANIZAÇÃO
NÚMERO DE PARTICIPANTES: 10

Neste dia foi realizada uma discussão entre os funcionários do CIS/ Amures sobre a humanização em saúde. Com o objetivo de que os funcionários possam ter conhecimento que existem projetos sobre o tema em questão e possam discutir e questionar se há humanização dentro do Sistema único de Saúde (SUS). Sendo trabalhado a partir do texto abaixo:

POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO: DESAFIOS DE SE CONSTRUIR
UMA “POLÍTICA DISPOSITIVO”

Muitos têm sido os sentidos atribuídos ao conceito de humanização na saúde. Trata-se de conceito polissêmico, marcado por utilizações imprecisas. Tal imprecisão se expressa nas propostas e práticas em saúde nomeadas de humanizadoras ou humanizantes. Ou seja, diferentes enunciações implicam modos diferentes de operar no campo da saúde.

No ano de 2003 quando a Política Nacional de Humanização (PNH) foi criada na Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, já existiam ações e programas com foco na humanização, como por exemplo: o Programa de Atenção ao Parto e Pré-Natal e o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH). Entretanto estes programas, de modo geral, não mantinham articulação entre si e tinham um caráter fragmentado.

A PNH ou Humaniza SUS surge, então, como uma política que engloba as iniciativas já existentes, de forma a aproximá-las e potencializá-las, partindo de algumas experiências do SUS visando ampliar a discussão sobre o conceito de humanização, tendo como princípio a in-dissociabilidade entre a atenção e gestão.

De que humanização estamos falando?

Muitos designam humanização como tratar o usuário com dignidade e carinho, amor, capacidade de colocar-se no lugar do outro, tolerância, respeito às diferenças. Algumas práticas ditas humanizantes, decorrentes dessa concepção, estão associadas a uma humanização piedosa, ligada a movimentos religiosos e filantrópicos, operando com um conceito de humano como homem bom e caridoso. Criar uma política com esse nome é no mínimo curioso e alvo constante de indagações sobre o porquê do nome humanização, já que este vinha carregado de tantos sentidos. A proposta-aposta da PNH é fazer gaguejar tal conceito de forma distanciar-se do “conceito sintoma” (Benevides e Passos, 2005) que vem carregado de sentidos de um homem ideal. Ao contrário a direção que a referida política busca imprimir se aproxima de um “conceito experiência” (Benevides e Passos, 2005), ou seja, de uma humanização que vai se efetivar, no concreto das experiências do dia a dia dos serviços, em novas experiências do humano, que não é aquele Humano idealizado.

Tal ‘conceito experiência’ se sustenta a partir da compreensão de que é necessário enfrentar as graves lacunas quanto ao acesso universal e equânime aos serviços e bens de saúde e à atenção integral. Emerge, ainda, como estratégia para modificar o quadro de desqualificação dos trabalhadores, de precarização das relações de trabalho visandoromper com a fragmentação e a desarticulação das ações e programas nomeados como de humanização. O humaniza SUS visa, então, ampliar o diálogo entre os sujeitos implicados no processo de produção da saúde, promovendo gestão participativa, estimulando práticas resolutivas, reforçando o conceito de clínica ampliada. A PNH usca, fundamentalmente, fomentar autonomia e protagonismo de trabalhadores, usuários e gestores, aumentar o grau de co-responsabilidade na produção de saúde e sujeitos,estabelecer vínculos solidários e participação coletiva na gestão. Enfim, mudança nos modelos de atenção e de gestão dos processos de trabalho em saúde e compromisso com a melhoria do trabalho e atendimento.

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