terça-feira, 7 de julho de 2015

DEPENDÊNCIA QUÍMICA: INTERNAÇÃO É A SOLUÇÃO?


Diante da problemática da dependência química, surge o questionamento sobre qual seria a forma mais eficiente de tratamento. De acordo com o psicólogo Bruno Gomes, diretor da organização É de Lei, existem duas alternativas hoje no sistema público de Saúde no Brasil: a rede Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) e, em alguns estados, as internações em comunidades terapêuticas financiadas, em parte, por convênios com o poder público.

“O que existe são os Caps AD, mas eles não estão em número suficiente para o atendimento à população. Há um excesso de demanda, coisa comum no serviço público de Saúde. Agora, os governos de alguns estados estão oferecendo internações em comunidades terapêuticas. Existem essas duas opções oferecidas pelo serviço público, ambas bem precárias. É importante dizer isso”, comenta Gomes.

O psicólogo defende que a internação, seja ela voluntária, involuntária ou compulsória, não deve ser a base das políticas públicas de atendimento a dependentes químicos. “Não é só a minha opinião, mas são os parâmetros da OMS [Organização Mundial da Saúde]. Usar a internação como base do tratamento é ineficaz, tem menor efetividade do que o tratamento ambulatorial e tem um custo absurdamente maior”, diz.

Essa também é a opinião do psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes (Proad), onde trabalha com dependentes químicos há 24 anos. “A maioria das pessoas acredita falsamente que o melhor método de tratar a dependência química é a internação. Isso não é verdade. A eficácia das internações é menor que a do tratamento ambulatorial. Já partimos deste pressuposto de que não é o tratamento mais adequado. Se você pensar em dinheiro público, fazer a internação de uma pessoa é muito mais caro que prover um tratamento ambulatorial, não se justifica a prática como política pública, uma vez que, além de muito mais cara, é menos eficaz”, defende o psiquiatra.

Em relação às internações feitas sem a concordância do paciente, Silveira afirma que as situações nas quais podem ser aplicadas são bem delimitadas. “Na Psiquiatria, estão muito bem caracterizadas as situações em que se pode fazer a internação involuntária. São cenários nos quais a pessoa perdeu totalmente a noção de realidade, o que chamamos de psicose. A imensa maioria dos dependentes químicos não são psicóticos; então, não se aplica a necessidade da internação compulsória para boa parte deles.”

Fonte Portal Forum

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