Data: 06-10-2014
Dinâmica: Ver Vendo
Mediador: Paula de Lima Passos
Número de participantes: 9
Objetivo: Provocar reflexões sobre a importância der e olhar o outro e o que acontece ao redor.
Desenvolvimento:
Os participantes são divididos em duplas. Cada integramente da dupla deve observar seu colega por um tempo de 10 a 15 segundos. Todos os integrantes do grupo viram-se de costas e mudam alguma coisa em si mesmos, exemplo tirar os brincos, trocar um anel de mão, prender ou soltar os cabelos. Assim que todos olham-se novamente devem identificar que mudança ocorreu em seu colega. Por ultimo, todos de costas novamente tentam descrever itens que o colega esta usando, exemplo cor da roupa, do calçado, se esta usando algum adorno ou não. Ao final um dos integrantes faz a leitura do texto Ver Vendo.
Feedback:
*Durante a realização da atividade nem todos prestaram atenção nos colegas.
*Alguns integrantes identificaram com facilidade as mudanças no visual dos colegas.
*Todos acertaram pelo menos um item da vestimenta ou adornos dos colegas.
Objetivos esperados:
*Que todos entendam a importância de observar além do obvio;;
*Que possam dispor de recursos para realizar esta observação a fim de melhorar seu relacionamento com os colegas.
Ver Vendo
Otto Lara Rezende
“De tanto ver, a gente banaliza o olhar – vê.... não vendo.
Experimente ver, pela primeira vez, o que você vê todos dia, sem ver.
Parece fácil mas não é: o que nos cerca, o que nos é familiar, já não
desperta curiosidade. o campo visual da nossa retina é como um vazio.
Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta
Se alguém lhe perguntar o que você vê no caminho, você não sabe. De
tanto ver, você banaliza o olhar.
Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do
prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o porteiro.
Dava-lhe bom dia e, as vezes, lhe passava um recado ou uma
correspondência. Um dia o porteiro faleceu. Como era ele? Sua cara?
Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia.
Em 32 anos nunca conseguiu vê-lo. Para ser notado, o porteiro teve que
morrer.
Se, um dia, em seu lugar estivesse uma girafa cumprindo o rito, pode
ser, também que ninguém desse por sua ausência.
O hábito suja os olhos e baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver:
gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.
Uma criança vê o que o adulto não. Tem olhos atentos e limpos para o
espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que,
de tão visto, ninguém vê. Há pai que raramente vê o próprio filho.
Marido que nunca viu a própria esposa.
Nossos ohos se gastam no dia-a-dia, opacos.
....É por ai que se instala no coração o mostro da indiferença.”
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